Como avaliar o desenvolvimento económico para lá do PIB

Como avaliar o desenvolvimento económico para lá do PIB
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De  Oleksandra Vakulina
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Um painel de especialistas, convidado pela Euronews, discute como o bem-estar financeiro, a crescente desigualdade e a crise do custo de vida poderiam ser tratados de melhor forma se os governos aprendessem a olhar para além das taxas de crescimento económico.

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O crescimento do PIB é a medida universal com que medimos o desenvolvimento das nossas economias. Mas será que reflete uma verdadeira evolução no bem-estar dos cidadãos? Nas vésperas da conferência "Beyond Growth", organizada pelo Parlamento Europeu em Bruxelas, Sasha Vakulina convidou várias personalidades a debater novas formas, para além do mero crescimento económico, de avaliar o verdadeiro desenvolvimento das economias, e que devem os políticos fazer para assegurar uma transição ecológica que beneficie todos.

Presentes neste debate estiveram Philippe Lamberts, eurodeputado e copresidente dos Verdes, Olivier de Schutter, relator especial das Nações Unidas para a pobreza extrema e os direitos humanos, Adélaïde Charlier, ativista da justiça climática e dos direitos humanos e Sandrine Dixson-Declève, copresidente do Clube de Roma e autora de diversas obras sobre o tema.

Para além do PIB

Os líderes europeus evitaram uma recessão no inverno de 2022/2023, uma vez que a produção económica aumentou 0,3% nos primeiros três meses deste ano.

O cálculo do Produto Interno Bruto da economia de um país ao longo do tempo é a referência para medir o crescimento económico. Mas será que o bem-estar financeiro pode ser avaliado com exatidão utilizando percentagens trimestrais tão simples?

Os responsáveis políticos e os peritos europeus perguntam se os objetivos da política económica podem ser alcançados se os países aprenderem a viver sem os seus meios e deixarem de se concentrar em taxas de crescimento insustentáveis.

Reconhecer que o planeta não tem recursos ilimitados e ter em conta os limites das nossas políticas económicas é um passo importante, explicou Philippe Lamberts: "Se queremos dar espaço a todos, temos de começar a perceber que temos de funcionar dentro de limites. Caso contrário, a humanidade irá desvanecer ou desaparecerá de forma mais brutal", afirmou.

Temos de começar a perceber que temos de funcionar dentro de limites. Caso contrário, a humanidade irá desvanecer.
Philippe Lamberts
Eurodeputado e copresidente dos Verdes

Olivier de Schutter defendeu que o crescimento do PIB significa muito pouco para as pessoas em situação de pobreza, uma vez que estas não beneficiam do progresso económico geral, e que a prossecução do crescimento a todo o custo não beneficia as pessoas que vivem na pobreza.

O aumento da pobreza não é o único problema: à medida que a população do planeta aumenta, a luta pelo esgotamento dos recursos face a um crescimento económico exponencial continua. Sandrine Dixson-Declève defende que é necessário analisar o impacto que as nossas actividades têm nas fronteiras do planeta:

"O PIB nunca foi verdadeiramente uma medida de desenvolvimento económico. Mede a produtividade. Mede a economia extrativa. Vimos que essa economia extrativa criou a pandemia que tivemos recentemente e está a criar os impactos climáticos que temos. Também está a exacerbar a pobreza. A pobreza e a desigualdade são sinónimas de instabilidade", afirmou.

A economia extrativa criou a pandemia.
Sandrine Dixson-Declève
Copresidente do Clube de Roma

De acordo com Adélaïde Charlier, temos de repensar os nossos objetivos a nível global, olhar para crises como a emergência climática e reconhecer que os países que mais poluem não são os que mais sofrem com a crise climática.

"Estamos a falar de países ocidentais que já atingiram um certo bem-estar. Agora, na questão da justiça social e da responsabilidade histórica, temos de questionar a forma e os objetivos que queremos colocar em cima da mesa", afirmou.

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