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EUA sancionam grupos com ligações ao grupo Wagner em África nos EAU

Malians demonstrate against France and in support of Russia on the 60th anniversary of the independence of the Republic of Mali, in Bamako, Mali. 22 September 2020
Malians demonstrate against France and in support of Russia on the 60th anniversary of the independence of the Republic of Mali, in Bamako, Mali. 22 September 2020 Direitos de autor AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De  Una Hajdari
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Os EUA sancionaram várias empresas por fornecerem ao grupo paramilitar Wagner um fluxo capital estável através do comércio ilegal de diamantes e ouro.

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Os EUA impuseram sanções a grupos afiliados ao grupo paramilitar Wagner e ao seu fundador Yevgeny Prigozhin na República Centro-Africana (RCA), Emirados Árabes Unidos, Rússia e Mali.

A decisão foi tomada depois de o grupo Wagner tentar, alegadamente, derrubar o governo russo no fim de semana passado após a captura das cidades de Rostov-on-Don e Voronezh.

“O Departamento de Controlo de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA (OFAC) sancionou quatro empresas e uma pessoa ligada ao violento grupo paramilitar russo Wagner (Grupo Wagner) e ao seu fundador e proprietário Yevgeny Prigozhin”, garantiu o Departamento do Tesouro dos EUA em comunicado.

Fundado por veteranos das guerras chechenas - os primeiros conflitos armados ocorridos em território russo após a queda do comunismo - o grupo inicialmente contratava mercenários e headhunters altamente qualificados.

Embora seja principalmente conhecido pela presença no leste da Ucrânia, está ativo em todo o mundo e envolvido em outros conflitos, principalmente na África e na Síria.

“O grupo Wagner explora a insegurança em todo o mundo, cometendo atrocidades e atos criminosos que ameaçam a segurança, a boa governança, a prosperidade e os direitos humanos das nações, além de explorar os seus recursos naturais”, continuou o comunicado.

Ao envolver-se nesses conflitos em momentos em que os países ricos em recursos estão a atravessar uma instabilidade significativa, conseguem criar fluxos de capital para eles próprios e participar no comércio e transporte de mercadorias.

Acredita-se que as empresas sancionadas sejam críticas na criação de estruturas de financiamento para o grupo Wagner através do comércio ilegal de diamantes e ouro, entre outras coisas.

“As entidades visadas na República Centro-Africana (RCA), Emirados Árabes Unidos (EAU) e Rússia envolveram-se em negociações ilícitas de ouro para financiar o grupo Wagner na manutenção e extensão das suas forças armadas, inclusive na Ucrânia e em África, enquanto a pessoa visada pelas sanções tem sido instrumental para as atividades das unidades do grupo Wagner no Mali”, acrescenta o comunicado.

“Limitar a capacidade de crescer”

Os grupos sancionados incluem uma empresa de mineração e de comércio de ouro na RCA, que colaborou abertamente com o grupo Wagner e até financiou grupos rebeldes que trabalham contra o governo local.

No Dubai, foi sancionada uma empresa por envolvimento na importação de ouro da República Centro Africana e pelo pagamento ao grupo Wagner em dinheiro enviado diretamente para a Rússia. Uma empresa russa também foi sancionada por essa razão.

“Os EUA continuarão a visar os fluxos de receita do grupo Wagner para limitar a sua expansão e a violência em África, na Ucrânia e em qualquer outro lugar”, sublinhou o subsecretário do Tesouro para Terrorismo e Inteligência Financeira, Brian E. Nelson.

Sophie Garcia/Copyright 2020 The AP. All rights reserved.
Apoiantes do capitão Ibrahim Traoré agitam uma bandeira russa nas ruas de Ouagadougou, Burkina Faso, 2 de outubro de 2022.Sophie Garcia/Copyright 2020 The AP. All rights reserved.

As operações do grupo Wagner foram oficialmente transferidas para a Bielorrússia depois de o líder do país, Alexander Lukashenko, alegadamente intervir entre Prigozhin e o presidente russo, Vladimir Putin, no sábado e negociar a saída do líder do grupo paramilitar do país.

O grupo Wagner foi crucial para a invasão militar da Rússia na Ucrânia, e também foi crítico para outras medidas disruptivas do governo russo no passado.

A Agência de Investigação da Internet da Rússia ou IRA, que se tornou famosa por causa do papel nas eleições presidenciais de 2016 que levaram à vitória de Donald Trump e que é amplamente citada como uma fonte importante de desinformação russa e de campanhas de influência maligna, foi financiada pelo próprio Prigozhin.

Interferência no Mali

O grupo Wagner continua a desempenhar um papel colossal na guerra em curso no Mali, um país da África Ocidental que vive uma grande instabilidade desde o golpe militar de 2012, quando as regiões do norte tentaram declarar a independência.

Andrey Ivanov, um executivo do grupo Wagner, foi mencionado no anúncio das sanções e acusado de contrabandear armas, minerais e outras coisas para o governo do Mali.

Prigozhin criou um ramo separado do grupo Wagner focado exclusivamente na ingerência em África, chamado Africa Politology (Politologia em África).

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Misha Japaridze/Copyright 2011 The AP. All rights reserved
Empresário Yevgeny Prigozhin serve comida ao primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, durante o jantar no restaurante de Prigozhin nos arredores de Moscovo, novembro de 2011.Misha Japaridze/Copyright 2011 The AP. All rights reserved

Composto por uma equipa do que dizem ser especialistas em África e criado em algum momento de 2018 ou 2019, o grupo contrata especialistas em relações públicas para exercer influência a favor do grupo Wagner no continente.

O jornal russo Kommersant descreveu as atividades da Africa Politology como consistindo numa “pesquisa social no continente, incluindo Madagáscar, África do Sul, Quénia e muitos outros países africanos”, com o objetivo de influenciar as eleições.

A organização é particularmente ativa antes das eleições em países africanos.

Embora muitos se refiram ao grupo Wagner como uma entidade única, na verdade é uma extensa rede de empresas ligadas ou que colaboram com o Concord Group de Prigozhin.

Uma das atividades do Concord Group é o Concord Catering, que fornecia serviços de alimentação para o Kremlin e que levou Prigozhin a ser inicialmente apelidado de “chef de Putin.”

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