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Guerra Israel-Hamas: Um futuro a ferro e fogo

Guerra Israel-Hamas: Um futuro a ferro e fogo
Direitos de autor Oelsner, Natalia/
Direitos de autor Oelsner, Natalia/
De  Valérie GauriatEuronews
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Após o ataque terrorista do Hamas, a 7 de outubro, Israel pôs em marcha a operação "Espadas de Ferro". Com a morte de milhares de civis, de ambos os lados, muitos consideram que a guerra condenou à morte qualquer esperança de coabitação entre os dois povos. Haverá ainda ponto de retorno?

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Poucos dias após os ataques terroristas do Hamas, as tropas israelitas preparavam-se para a anunciada ofensiva terrestre contra o enclave palestiniano. Dezenas de milhares de reservistas foram chamados ao serviço.

O _kibutz de_Be'eri, onde 10% dos seus 1100 habitantes foram mortos, foi um dos mais atingidos pelos terroristas do Hamas

As equipas da organização forense israelita (ZAKA) ainda estavam em choque com as atrocidades que encontraram, depois de a comunidade ter sido recapturada pelo exército israelita.

"Na primeira casa em que entrámos, vimos um casal, pai e mãe, com as mãos atadas às costas, torturados e sem partes do corpo enquanto estavam vivos", revelou Yossi Landau, comandante da ZAKA no Sul de Israel.

"E do outro lado, duas crianças, um menino e uma menina de seis e sete anos, na mesma posição. Torturados".

Yossi Landau, Comandates da ZAKA do sul de Israel
Yossi Landau, Comandates da ZAKA do sul de IsraelEuronews

"Entramos na casa ao lado. Uma senhora grávida deita-se no chão, de barriga para baixo. Virámo-la. Tinha sido esquartejada. No seu estômago, estava um bebé. Um bebé. Um bebé por nascer que ainda estava ligado pelo cordão umbilical. Eu conseguia ver o bebé. Era um bebé formado. Foi simplesmente esfaqueado. E ela levou um tiro nas costas".

Seguir-se-iam muitos outros relatos de alegadas torturas e abusos contra civis, incluindo violações e decapitações.

À procura de familiares desaparecidos

Mais de uma centena de habitantes de Be'eri foram feitos reféns ou dados como desaparecidos. Yarden Roman Gat, com dupla nacionalidade israelo-alemã, e a sua cunhada Carmel encontram-se entre os civis desaparecidos de Be'eri.

As suas famílias e amigos estão a trabalhar incessantemente para as encontrar. Yarden estava a visitar os seus sogros em Be'eri com o marido e a filha quando foram capturados pelos assaltantes.

Escaparam do carro que os levava para Gaza e fugiram para a floresta enquanto eram alvejados por quatro homens armados do Hamas. A jovem entregou a criança ao marido, que conseguiu fugir. Mas ela não correu suficientemente depressa. Desde então, ninguém sabe de Yarden nem de Carmel. A sogra de Yarden foi assassinada pelos terroristas.

Liri Roman, com a família e amigos, procuram Yarden Roman-Gat e a sua cunhada Carmel
Liri Roman, com a família e amigos, procuram Yarden Roman-Gat e a sua cunhada CarmelWITNESS/EURONEWS

Como é que se diz a uma criança de três anos que a avó foi assassinada pelas "pessoas más" que estiveram em casa dela? Ela viu-as. Ela compreende", questiona Liri Roman, irmão de Yarden.

A família pediu ajuda à Alemanha e à comunidade internacional.

"Nem sequer quero pensar na forma como os tratam, no que fazem com eles. Esse vai ser o novo terror. Vai ser assim em todo o mundo. Hoje é Israel. Mas amanhã, quem sabe?".

Uma semana depois: A tensão e o número de mortos aumentam

Uma semana após o lançamento da ofensiva israelita, o Ministério da Saúde do Hamas informou que mais de 1500 pessoas, quase metade das quais crianças e mulheres, tinham sido mortas e milhares de outras tinham ficado feridas na Faixa de Gaza, sob bombardeamentos constantes.

O trovão da guerra ecoou na Cisjordânia e na Jerusalém Oriental ocupada. A segurança foi reforçada na Cidade Velha de Jerusalém, onde cerca de 2500 polícias e militares foram destacados para as primeiras orações muçulmanas de sexta-feira desde 7 de outubro. A atividade foi paralisada e os controlos de segurança foram constantes.

"A situação para nós na última semana, por causa da guerra, tem sido muito difícil na Cidade Velha", disse Ali Jaber, um residente de Jerusalém Oriental. "Eles têm ordens, luz verde para disparar e para nos bater".

Em Jerusalém Oriental, as vistorias de segurança são constantes
Em Jerusalém Oriental, as vistorias de segurança são constantesWITNESS/EURONEWS

Entretanto, tinha começado um êxodo em massa do norte de Gaza, depois de os militares israelitas terem dado a mais de um milhão de pessoas 24 horas para fugirem para a parte sul do território controlado pelo Hamas. 

No seguimento da ofensiva israelita, as Nações Unidas alertarem o mundo para uma catástrofe humana sem precedentes.

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Os foguetes do Hamas continuaram a bombardear o sul e o centro de Israel, também sob o fogo do Hezbollah libanês no norte. Mais de 120 mil pessoas foram deslocadas. Israel vive em estado de alerta.

"Eles [o Hamas] não querem apenas o Sul, querem Telavive, Jaffa, Haifa e todo o lado", afirma uma mulher israelita enquanto se abriga ao som das sirenes de alerta para ataque aéreo, acrescentando que "a Europa não compreende isto!".

Governo israelita não escapa às críticas

Para algumas pessoas em Israel, as políticas do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu contribuíram para a atual situação. 

No primeiro Shabbat, o dia de descanso judaico, desde os ataques do Hamas, centenas de pessoas protestaram contra o governo em frente ao Ministério da Defesa israelita, em Telavive.

Reuniram-se com as famílias dos reféns, exigindo a sua libertação imediata.

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Também Shira Elbag pede o regresso da filha, Liri, de 18 anos, que se encontrava numa base do exército quando foi raptada.

"Foi raptada em pijama. Ela não quer lutar! Penso que também em Gaza eles não querem lutar. Ninguém quer lutar. Toda a gente só quer viver!" 

Shira Elbag, mãe de Liri Elbag protesta em Telavive a pedir o regresso da filha, refém do Hamas
Shira Elbag, mãe de Liri Elbag protesta em Telavive a pedir o regresso da filha, refém do HamasWITNESS/EURONEWS

"Ser contra o Hamas não significa que tenhamos de matar uma criança em Gaza", sublinha a ativista dos direitos humanos Ronit Chitayat Kashi, presente no protesto.

Cisjordânia pega em armas

A violência aumentou na Cisjordânia. Centenas de palestinianos foram detidos. Segundo as Nações Unidas, mais de 50 palestinianos foram também mortos em confrontos com o exército israelita ou com colonos, no espaço de dez dias. O número passou para mais do triplo nas semanas seguintes.

A cidade de Beitar Illit, a poucos quilómetros a sul de Jerusalém, é uma das maiores do bloco de colonatos judeus de Gush Etzion e alberga cerca de 70 mil pessoas.

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O receio de ataques a partir das aldeias palestinianas vizinhas aumentou entre a população, depois de um foguete do Hamas disparado de Gaza ter atingido a cidade, no dia 9 de outubro.

Os residentes congratularam-se com a decisão do governo israelita de fornecer 10 mil armas gratuitas aos colonos da Cisjordânia e de flexibilizar as regras relativas às licenças de porte de arma. O município organizou igualmente programas de formação em autodefesa.

Kalanit, é socorrista e está a praticar tiro ao alvo, perto de Beitar Illit
Kalanit, é socorrista e está a praticar tiro ao alvo, perto de Beitar IllitEuronews

As vendas de armas de fogo atingiram níveis recorde desde o ataque do Hamas de 7 de outubro. Dezenas de civis vinham também treinar numa carreira de tiro no maior centro de treino de autodefesa de Israel, perto de Beitar Illit. Muitos nunca tinham pegado numa arma.

"Como socorrista, a primeira coisa que quero fazer é salvar vidas. E não quero magoar as pessoas", disse Kalanit, um técnico de emergência médica. Mas, às vezes, não temos escolha. É matar ou ser morto. E é horrível. Espero nunca, mas nunca, precisar de usar a minha arma!"

Divisões aprofundam-se nas cidades mistas de Israel

Nas cidades mistas de Israel, as comunidades estão mais divididas do que nunca. As liberdades de circulação e de expressão foram restringidas para os dois milhões de palestinianos com cidadania israelita.

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Como numa das cidades mistas perto de Telavive: Lod para os israelitas, Lydd, para os palestinianos. Aqueles que se designam a si próprios como cidadãos palestinianos de Israel, e que o povo judeu designa como árabes israelitas, representam 20% da população de Israel.

No entanto, nas cidades mistas, as pessoas sentem que o seu destino está mais do que nunca comprometido.

Ghassan Monayer, ativista dos direitos humanos e assistente social, é um dos raros cidadãos palestinianos de Israel em Lydd que aceitou falar connosco

"As pessoas têm medo de dizer qualquer coisa que possa levá-las à prisão. Nós, os cidadãos palestinianos de Israel, estamos numa situação muito delicada. Porque vemos e ouvimos os dois lados. Em Israel, sabemos, reconhecemos que foram mortos inocentes e somos um povo que se preocupa com a segurança.

Ghassan Monayer, ativista de direitos humanos e assistente social
Ghassan Monayer, ativista de direitos humanos e assistente socialWITNESS/EURONEWS

Falar connosco é também um risco para Maha Nakib, uma ativista dos direitos das mulheres que encontramos junto a um muro que separa um bairro árabe de um bairro judeu em Lod. O seu marido perdeu 20 membros da família, mortos nos bombardeamentos em Gaza.

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"Estamos agora neste círculo de ódio e de guerra, temos de acabar com isto!", lamenta.

"Precisamos de uma solução real para os dois povos! Não me interessa se vai ser uma solução de dois Estados ou de um Estado, igual para todas as pessoas. Mas tem de ser uma solução política".

Chani Luz, uma ativista religiosa judia ortodoxa, já não acredita em soluções diplomáticas. 

As relações entre as comunidades do seu bairro foram duramente afetadas pela violência que irrompeu em Lod e noutras cidades mistas de Israel em maio de 2021, diz. E qualquer confiança que tenha sido recuperada foi esmagada pelos ataques de 7 de outubro.

"O pogrom [limpeza étnica de judeus] que tivemos no coração do país traz de volta cenas e memórias do Holocausto. Não se pode viver com uma sociedade que tem a morte como slogan. A morte para os judeus não é algo com que um judeu possa viver", afirma.

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"Não há justificação para o terror e as atrocidades horríveis que fizeram. E não há maneira de continuarmos a viver com eles como nossos vizinhos. Por isso, por favor, nações árabes, acolham os vossos irmãos de Gaza! Se têm realmente medo de serem mortos pelos judeus e se se preocupam com os vossos irmãos árabes, abram os portões e acolham-nos!"

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