Israel devolve 80 cadáveres às autoridades palestinianas: "Vão ser provas de crimes de guerra"

Israel devolve corpos de palestinianos
Israel devolve corpos de palestinianos Direitos de autor Hatem Ali/AP
De  Euronews com agências
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Israel devolveu 80 cadáveres de palestinianos recolhidos no norte da Faixa de Gaza, depois de verificar que nenhum refém israelita se encontrava entre as vítimas. Autoridades palestinianas garantem que vão recolher provas para documentar crimes de guerra.

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Israel devolveu às autoridades palestinianas cerca de 80 corpos recolhidos no norte da Faixa de Gaza, durante as suas operações nesta parte do território. Os cadáveres foram devolvidos num camião, escoltado por veículos da ONU, para serem enterrados. Antes de serem levados para Gaza, todos os corpos foram examinados para garantir que não havia entre as vítimas mortais nenhum refém israelita. 

O líder do comité de emergência sanitária em Rafah, Marwan al-Hams, explicou que o contentor que transportava os corpos teve de ser aberto longe das áreas mais populadas e que as autoridades locais estavam a coordenar-se para os transferir depois para cemitérios. "O Ministério da Saúde palestiniano e o Ministério da Justiça vão documentar estes casos como provas de crimes de guerra cometidos pela ocupação israelita", sublinhou. Segudo as agências internacionais, os corpos acabaram enterrados numa vala comum em Rafah.

A vice-primeira-ministra do governo de Mark Rutte, dos Países Baixos, foi entretanto nomeada pelas Nações Unidas para a função de coordenar, controlar e verificar os envios de ajuda humanitária à Faixa de Gaza, na sequência da resolução aprovada na semana passada pelo Conselho de Segurança da ONU.

Sigrid Kaag, que ainda é ministra das Finanças do governo cessante neerlandês, deverá assumir o cargo a 8 de janeiro. O secretário-geral da ONU, António Guterres, elogiou a experiência da nova coordenadora em assuntos políticos, humanitários e diplomáticos. Kaag fala fluentemente árabe e outros cinco idiomas.

O Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU revelou também que os bombardeamentos constantes no centro da Faixa de Gaza já mataram mais de 100 palestinianos desde a véspera de Natal, realçando que foi Israel quem incentivou a que se deslocassem para aquela área do território.

Hamas diz que número de mortos ultrapassa os 20 mil

Segundo a ONU, mais de 85% dos 2,3 milhões de pessoas na Faixa de Gaza tiveram de abandonar as suas casas e um quarto da população do território está a morrer à fome devido ao cerco israelita. Apesar de o Conselho de Segurança ter aprovado na semana passada a resolução que prevê um incremento da ajuda humanitária, pouco ou nada mudou desde então, assinalam as agências internacionais.

Israel já veio dizer que deixará de garantir vistos automáticos a funcionários da ONU, acusando as Nações Unidas de ser "cúmplice" das táticas do Hamas. O porta-voz do governo israelita, Eylon Levy, admitiu que o país vai ponderar os pedidos de visto caso a caso, o que poderá limitar ainda mais a entrada de ajuda em Gaza.

O Ministério da Saúde de Faixa de Gaza, controlado pelo Hamas, informou na terça-feira que já morreram 20.915 pessoas e mais de 54 mil ficaram feridas desde que começaram os bombardeamentos israelitas. A maioria das vítimas, garante o Hamas, são civis.

Do lado israelita, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Herzi Halevi, anunciou que as Forças de Defesa de Israel estão perto de terminar o desmantelamento dos batalhões do Hamas no norte da Faixa de Gaza e que "a guerra continuará por muitos meses".

"Vamos trabalhar com diferentes métodos para que os objetivos alcançados sejam preservados por muito tempo", acrescentou Halevi. O exército israelita revelou entretanto que morreram mais cinco soldados na Faixa de Gaza, elevando para 161 o número de militares que perderam a vida no conflito que se iniciou a 7 de outubro.

As forças israelitas garantiram ainda que irão expandir a sua ofensiva para os campos de refugiados no centro da Faixa de Gaza, reduzindo cada vez mais as chamadas áreas seguras para onde os civis são obrigados a deslocar-se.

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