China acaba com conferência de imprensa anual do primeiro-ministro

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China acaba com conferência de imprensa anual do primeiro-ministro Direitos de autor Ng Han Guan/Copyright 2024 The AP. All rights reserved
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Conferência de imprensa anual, que se realizava desde 1993, não vai acontecer até ao fim do mandato de cinco anos do primeiro-ministro Li Qiang, "a menos que haja circunstâncias especiais".

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Num anúncio inesperado, a China acabou com a conferência de imprensa anual do primeiro-ministro. A supressão de um dos poucos eventos do calendário político chinês em que um dirigente máximo pode interagir com o público surge numa altura em que o Partido Comunista no poder está a ser alvo de escrutínio por restringir o acesso à informação.

O encontro com os jornalistas costumava ter lugar no final da semana de reuniões do Congresso Nacional do Povo. 

A China tinha avançado que o Congresso aumentaria as oportunidades de os jornalistas questionarem os ministros e outros funcionários do governo, mas, segundo o porta-voz oficial do chefe de governo, "a menos que haja circunstâncias especiais, a conferência de imprensa do primeiro-ministro não se realizará nos próximos anos". 

A segunda figura do estado chinês não responderá a perguntas no encerramento do Congresso Nacional do Povo durante o resto do seu mandato de cinco anos.

O primeiro-ministro, Li Qiang, será o primeiro em três décadas a não realizar uma conferência de imprensa durante as reuniões parlamentares anuais. 

A conferência de imprensa anual do primeiro-ministro da China acontecia desde, pelo menos, 1993. 

O debate sobre a conferência de imprensa do primeiro-ministro foi meticulosamente controlado na plataforma chinesa de microblogging Weibo na tarde de segunda-feira - nas pesquisas só aparecia informação de contas ligadas ao Governo. Os utilizadores partilharam um artigo que celebrava as conferências de imprensa dos anteriores chefes de governo, numa tentativa clara de contornar a censura.

Durante parte do ano passado, a China deixou de divulgar alguns dados económicos importantes, como a taxa de desemprego jovem, que então subia em flecha, sendo que o presidente Xi adiou uma reunião sobre reformas a longo prazo, agendada para o outono passado.

A crescente opacidade surge num momento em que Pequim tenta aumentar a confiança numa economia que lida com uma crise imobiliária há vários anos e tensões geopolíticas com os Estados Unidos. O investimento direto estrangeiro caiu para o nível mais baixo dos últimos 30 anos em 2023, enquanto as acções da China continental e de Hong Kong perderam 7 biliões de dólares durante um colapso do mercado, apesar das promessas oficiais para atrair capital estrangeiro.

A reunião de uma semana do Congresso Nacional do Povo da China começa na terça-feira.

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