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Blinken faz novo aviso: ofensiva em Rafah pode não eliminar o Hamas e fazer "mal terrível" aos civis

Antony Blinken, Secretário de Estado dos Estados Unidos
Antony Blinken, Secretário de Estado dos Estados Unidos Direitos de autor Kevin Wolf/AP
Direitos de autor Kevin Wolf/AP
De  Euronews
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Chefe da diplomacia norte-americana sublinha que, na ofensiva terrestre a Rafah, Israel se arrisca a fazer "um mal terrível" aos civis sem resolver o problema, ou seja, evitar que o Hamas volte a governar Gaza. Egito junta-se a caso de genocídio contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça.

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O Secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, afirmou no domingo que uma ofensiva terrestre em Rafah poderá não eliminar o Hamas, acabando apenas por agravar a crise humanitária na Faixa de Gaza. 

"Entrar em Rafah, mesmo para lidar com os batalhões que restam, especialmente na ausência de um plano para os civis, arrisca-se a causar danos terríveis aos civis e a não resolver o problema, um problema que ambos queremos resolver, que é garantir que o Hamas não volta a governar Gaza", afirmou Blinken em entrevista à NBC News. 

Blinken salientou que o Hamas está a regressar às zonas que Israel atacou no norte do enclave palestiniano, mesmo em Khan Younis. 

"Israel está na trajetória de herdar potencialmente uma insurreição com muitos membros do Hamas armados ou, se [o Hamas] sair [de Gaza, haverá] um vazio preenchido pelo caos, preenchido pela anarquia e provavelmente preenchido novamente pelo Hamas", declarou.

Blinken salienta que a Casa Branca apoia o objetivo de Israel de garantir que Gaza seja desmilitarizada e que o Hamas não possa governar lá, mas acredita que há uma "melhor maneira de alcançar esse [objetivo] do que entrar em Rafah".

"Temos estado a falar com eles sobre uma forma muito melhor de obter um resultado duradouro, uma segurança duradoura, tanto em Gaza como de uma forma muito mais alargada na região. Essas conversas continuam", notou Blinken.

O chefe da diplomacia norte-americana reiterou o que foi afirmado num relatório publicado pela administração Biden na sexta-feira, referindo que há casos em que Israel "atuou de forma inconsistente com as suas obrigações ao abrigo do direito internacional humanitário" na guerra em Gaza.

"Os resultados a que assistimos, em termos da horrível perda de vidas de civis inocentes, é razoável avaliar, como dizemos no relatório, que há casos em que eles agiram de forma inconsistente com as suas obrigações ao abrigo do direito humanitário internacional. Essas investigações continuam a ser feitas, tanto por nós como por Israel".

Egito denuncia Israel por "genocídio"

O Egito anunciou que se vai juntar formalmente ao processo apresentado pela África do Sul contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça (TIJ).

A África do Sul acusa Israel de violar as suas obrigações ao abrigo da Convenção sobre o Genocídio na sua guerra em Gaza.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros egípcio declarou no domingo que o Cairo tenciona juntar-se ao processo devido à escalada militar israelita contra civis palestinianos.

"A apresentação (...) surge à luz do agravamento da gravidade e do alcance dos ataques israelitas contra civis palestinianos na Faixa de Gaza e da perpetração contínua de práticas sistemáticas contra o povo palestiniano, incluindo o ataque direto a civis e a destruição de infraestruturas na Faixa de Gaza, e empurrando os palestinianos para a fuga", refere o governo egípcio em comunicado.

O ministro dos Negócios Estrangeiros egípcio, Sameh Shoukry, reuniu-se com a homóloga eslovena, Tanja Fajon, no Cairo, no domingo, para discutir a atual guerra entre Israel e o Hamas.

Ambos fizeram um apelo a um cessar-fogo e à libertação de todos os reféns.

"Queremos ver progressos nas conversações para o acordo no Cairo, para o cessar-fogo e para a libertação dos reféns e também para ver que as autoridades palestinianas em Ramallah podem reconstruir a confiança e assumir o controlo de Gaza", disse Fajon aos jornalistas.

Fajon sublinhou ainda a importância da ajuda ao enclave e revelou a decisão da Eslovénia de avançar para o reconhecimento de um Estado palestiniano.

"Decidimos, no governo da Eslovénia, lançar os procedimentos para o reconhecimento do Estado Palestiniano, o que significa que também queremos ver um impacto no terreno, criando uma certa pressão", disse Fajon.

Shokury afirmou ainda que o "acordo de paz egípcio-israelita" é a melhor hipótese de alcançar a paz na região e que dispõe de "mecanismos" para "lidar com quaisquer violações".

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Estas declarações surgem numa altura em que as forças israelitas continuam  afazer avanços na cidade de Rafah, no sul de Gaza, tendo este domigo travado batalhas contra o Hamas em partes do norte do enclave que os militares israelitas disseram ter "limpado" há meses, mas onde os militantes do grupo palestiniano se reagruparam.

Fuga de Rafah

Milhares de palestinianos foram mais uma vez deslocados à força, à medida que as forças israelitas avançam para zonas do norte e do sul da Faixa de Gaza.

O êxodo dos palestinianos do último refúgio de Gaza ganhou força no domingo.

Rafah é considerada o último reduto do Hamas. Cerca de 300 mil dos mais de um milhão de civis que aí se abrigam fugiram da cidade na sequência de ordens de evacuação de Israel, que diz que tem de invadir a cidade para desmantelar o Hamas e libertar dezenas de reféns levados de Israel no ataque de 7 de outubro que desencadeou a guerra.

Deir al-Balah, na Faixa de Gaza, também tem servido de refúgio aos palestinianos que fogem à guerra entre Israel e o Hamas no território sitiado.

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Milhares de deslocados da vizinha Cidade de Gaza e da parte norte da Faixa de Gaza instalaram-se em tendas na cidade, incluindo ao longo da costa do Mar Mediterrâneo.

Deir al-Balah corre agora o risco de não ter capacidade de resposta, uma vez que dezenas de milhares de pessoas estão a fugir de Rafah.

Israel assinala Dia da Memória

Familiares de reféns detidos em Gaza e ativistas acenderam velas e permaneceram em silêncio enquanto Israel assinalava, ao pôr do sol de domingo, o Dia da Memória dos soldados mortos e das vítimas de ataques.

Ainda mantêm em cativeiro na Faixa de Gaza cerca de 100 pessoas e os restos mortais de mais de 30.

"Estamos aqui todos os dias para acompanhar as famílias na sua luta pelos reféns, para pedir ao nosso governo que os liberte [os reféns detidos em Gaza] o mais rapidamente possível.

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Cada dia que passa é uma questão de vida ou de morte para eles", disse Manuela Rotstein, uma ativista.

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