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UE procura reduzir a dependência da defesa em relação aos EUA a longo prazo, afirma funcionário da Comissão

Caças F16 da Força Aérea Romena e do Centro Europeu de Treino de F-16 (EFTC), sediado na Roménia.
Caças F16 da Força Aérea Romena e do Centro Europeu de Treino de F-16 (EFTC), sediado na Roménia. Direitos de autor  AP Photo/Vadim Ghirda
Direitos de autor AP Photo/Vadim Ghirda
De Paula Soler
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A UE manterá uma "forte parceria transatlântica" no domínio da defesa, afirmou na segunda-feira um alto funcionário da Comissão, mas a dependência de fornecedores estrangeiros terá inevitavelmente de ser abordada a longo prazo.

A nova Comissão Europeia espera uma maior cooperação e diálogo com a próxima administração Trump, especialmente em matéria de segurança e defesa, mas com um claro enfoque na redução da dependência do bloco a longo prazo, disse na terça-feira o primeiro comissário do bloco para a Defesa e Espaço, Andrius Kubilius.

"Se os adversários autoritários estão a unir-se - referindo-se à Rússia, Irão, Coreia do Norte e China - as democracias também se devem unir", afirmou Kubilius durante um evento no Parlamento Europeu organizado pela Câmara de Comércio Americana para a UE.

O ex-primeiro-ministro lituano citou a necessidade de uma revisão "Big Bang" da indústria de defesa europeia, tanto a curto prazo, para a qual os fornecedores de países terceiros, como os EUA, desempenharão um papel fundamental, como a longo prazo, em que o sector exigirá garantias antes de aumentar ainda mais as suas capacidades, o seu investimento e a sua independência em relação aos fornecedores estrangeiros.

Entre fevereiro de 2022 e meados de 2023, 75% das novas encomendas anunciadas publicamente para o sector da defesa da UE vieram de fora da Europa, de acordo com a Indústria Europeia Aeroespacial, de Segurança e Defesa (ASD).

O executivo da UE reconhece que a dependência da indústria de defesa é um problema e está empenhado em garantir uma "forte parceria transatlântica" no que diz repeito a este tema, disse Guillaume de La Brosse, chefe da unidade de política industrial de defesa, acrescentando que o desequilíbrio terá de ser corrigido.

"O que precisamos realmente de fazer é reduzir as nossas dependências a longo prazo. É assim que podemos justificar aos nossos contribuintes o facto de estarmos a investir fortemente na defesa", defende de La Brosse.

Mas, a curto prazo, os Estados-membros no Conselho ainda estão divididos quanto ao grau de rigor das condições de acesso dos países terceiros aos novos fundos da UE, com países como a Polónia e os Países Baixos a quererem introduzir uma maior flexibilidade no acesso das empresas de defesa estrangeiras ao dinheiro da UE.

As delegações da UE estão atualmente a negociar a exigência de que os projetos de defesa obtenham pelo menos 65% dos seus componentes no interior do bloco, a fim de receberem financiamento do Programa Europeu para a Indústria da Defesa (EDIP), proposto no valor de 1,5 mil milhões de euros.

A presidência húngara está determinada em chegar a um acordo sobre o EDIP até ao final do ano e os embaixadores vão voltar a discutir o assunto amanhã, disse um diplomata de alto nível da UE à Euronews.

Apesar das tensões entre os Estados-membros sobre os critérios de elegibilidade do programa, o alto funcionário da UE foi categórico ao afirmar que a Comissão não está a promover uma posição protecionista.

"Não estamos a construir a Fortaleza Europa. Não estamos a ter impacto nas políticas de aquisição dos Estados-membros. Os Estados-membros continuam a ser livres de fazer as aquisições que entenderem", afirmou de la Brosse.

No final de setembro, 28 empresas europeias do sector da defesa, incluindo Leonardo, SAAB, Airbus, Rheinmetall e Indra, enviaram um documento de posição apelando a que o apoio financeiro da UE fosse direcionado para o sector doméstico.

Os signatários pretendem que o financiamento seja limitado a produtos em que pelo menos 65% provenham do interior do bloco, mas as empresas francesas defendem um valor que pode atingir os 80%.

"Esta abordagem não impediria os Estados-membros de recorrerem a fornecedores não comunitários ou de cooperarem com outros parceiros europeus não associados, como o Reino Unido, fora do quadro deste instrumento financiado pela UE", acrescentam os signatários.

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