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Governo alemão acusa Rússia de estar por trás dos ciberataques e manipulação das eleições

Ministro dos Negócios Estrangeiros Johann Wadephul
Ministro dos Negócios Estrangeiros Johann Wadephul Direitos de autor  Ng Han Guan/Copyright 2025 The AP. All rights reserved
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De Sonja Issel
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O governo alemão acusa a Rússia de uma série de ações hostis - desde ataques informáticos a interferências eleitorais. Em resposta, o embaixador russo foi convocado para o Ministério Federal dos Negócios Estrangeiros na sexta-feira.

Moscovo terá estado na origem de um ataque cibernético maciço ao controlo do tráfego aéreo alemão e de uma tentativa deliberada de influenciar a campanha eleitoral para o Parlamento alemão através da desinformação.

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Em resposta diplomática, o embaixador russo foi convocado para o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

O ataque informático ao controlo aéreo alemão, em agosto de 2024, foi claramente atribuído ao coletivo de piratas informáticos APT28, conhecido como "Fancy Bear", que é atribuído ao serviço de informações militares russo GRU, disse um porta-voz do Ministério Federal dos Negócios Estrangeiros em Berlim, na sexta-feira.

"A Rússia está, assim, a ameaçar muito concretamente a nossa segurança", acrescentou o Ministério dos Negócios Estrangeiros. O objetivo destas atividades é dividir a sociedade alemã e minar sistematicamente a confiança nas instituições do Estado.

Além disso, pode agora ser "definitivamente afirmado" que a Rússia tentou influenciar e desestabilizar tanto as últimas eleições para o Bundestag como os assuntos internos da República Federal da Alemanha numa base contínua.

Campanhas de desinformação durante a campanha eleitoral

De acordo com especialistas ocidentais em segurança e TI, o grupo por detrás da campanha é o "Storm-1516", considerado controlado pelo Estado e atribuído a atores russos.

O grupo terá difundido deliberadamente informações falsas sobre importantes políticos alemães.

Numa das campanhas, o então candidato líder do Partido Verde, Robert Habeck, foi acusado de um alegado caso de corrupção no valor de centenas de milhões de euros, no qual estariam também envolvidos políticos ucranianos. No entanto, não foram apresentadas provas destas alegações.

A Storm-1516 expandiu depois as suas atividades pouco antes das eleições federais de fevereiro.

Vários vídeos manipulados sugeriam fraude eleitoral no voto por correspondência e foram mostrados alegados boletins de voto de um círculo eleitoral de Leipzig, nos quais o AfD não aparecia. Uma voz comentou: "Isto é fraude, não é a AfD."

A cidade de Leipzig rejeitou imediatamente as alegações e falou de uma campanha de desinformação direcionada.

De acordo com especialistas em TI da empresa americana Microsoft, o Storm-1516 faz parte de uma operação de influência russa controlada pelo Estado.

O mesmo grupo terá também tentado influenciar a campanha eleitoral de 2024 nos EUA a favor de Donald Trump - incluindo com histórias fictícias sobre o Partido Democrata.

Os especialistas franceses em desinformação acreditam que o Storm-1516 está ativo desde, pelo menos, o verão de 2023.

O grupo utiliza vídeos com atores amadores, bem como deepfakes gerados por IA e, na perspetiva do governo francês, representa uma ameaça significativa para o discurso público digital.

Consequências políticas e diplomáticas

O governo alemão condenou veementemente as ações da Rússia e anunciou contramedidas. A Alemanha também apoia novas sanções contra os responsáveis.

Ao mesmo tempo, o Ministério Federal dos Negócios Estrangeiros apelou a uma maior vigilância: "os incidentes mostraram que a Alemanha continua a ser o foco de ameaças híbridas", anunciou.

De acordo com o jornal alemão o BILD, o embaixador russo já tinha visitado o Ministério Federal dos Negócios Estrangeiros de manhã e a conversa terminou entretanto.

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