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Donald Trump redefine o palco internacional: análise da euronews ao novo quadro global

Donald Trump
Donald Trump Direitos de autor  Evan Vucci/Copyright 2026 The AP. All rights reserved
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De George Dimitropoulos & euronews
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O presidente dos EUA mantém-se fiel ao dogma "paz através da força", o que preocupa a Europa e os adversários de Washington.

Venezuela, Irão e Gronelândia. Três regiões geograficamente distantes estão simultaneamente no centro dos desenvolvimentos internacionais, com os Estados Unidos como denominador comum.

A política externa dos Estados Unidos, tal como se desenha hoje, suscita preocupação não só entre adversários como também entre aliados tradicionais, já que Washington mostra prontidão para usar força militar com rapidez e determinação.

Em entrevista ao serviço grego da Euronews, o ex-oficial de Informações da Força Aérea dos Estados Unidos, autor e consultor do Departamento de Estado para política externa, Jake Sotiriadis, analisou a agenda estratégica da Casa Branca e as mensagens que esta transmite a nível global.

Venezuela: demonstração de força militar e vontade política

Segundo Jake Sotiriadis, a captura de Nicolás Maduro constitui a mais significativa demonstração de poder militar dos Estados Unidos no hemisfério ocidental desde a invasão do Panamá, em 1989.

A operação evidenciou dois aspetos críticos. Primeiro, a capacidade operacional ímpar dos Estados Unidos: uma unidade da Delta Force conseguiu retirar um chefe de Estado em funções de um complexo militar fortemente fortificado em menos de três horas, sem baixas para as forças norte-americanas. "Nenhum outro exército no mundo consegue fazê-lo", sublinha.

Segundo, e talvez mais importante, a operação evidenciou a vontade política da liderança norte-americana. Donald Trump, segundo Sotiriadis, deixou claro que está disposto a usar a força de forma decisiva mas calculada, privilegiando operações "cirúrgicas" em vez de guerras terrestres prolongadas.

Equilíbrios críticos após Maduro

A fase que se segue é especialmente crítica para a Venezuela. A vice-presidente Delcy Rodríguez enfrenta uma equação política difícil: por um lado, responder às exigências dos Estados Unidos quanto ao acesso ao petróleo e evitar o confronto com Washington; por outro, preservar a credibilidade junto da base chavista, do exército e das redes sociais que sustentaram Maduro.

Se este equilíbrio for alcançado, o país poderá conhecer uma estabilização de curto prazo. Se falhar, permanece em aberto a hipótese de rutura interna, violência entre fações ou mesmo nova intervenção dos Estados Unidos.

Sotiriadis sublinha que a administração Trump não procura uma mudança de regime na Venezuela, mas conformidade. Ao mesmo tempo, deixou claro que está preparada para aumentar a pressão se tal não ocorrer.

Mensagens para a Rússia e o Irão

A reação limitada de Moscovo ao caso Maduro não é por acaso. Cada situação é diferente, assinala o analista, mas a lógica de base da estratégia norte-americana mantém-se: Washington envia um sinal claro, a adversários e aliados, de que está pronta a recorrer deliberadamente à força para defender os seus interesses nacionais.

Esta mensagem visa diretamente a Rússia, o Irão e outros atores que Washington considera desestabilizadores.

Irão: um regime com poucas opções

No Médio Oriente, Jake Sotiriadis descreve o Irão como um caso particularmente complexo e frágil. Os protestos no país já terão causado cerca de 2500 mortos, segundo as suas estimativas, e o presidente Trump avisou o regime iraniano para travar a violência contra os manifestantes.

O presidente norte-americano declarou que a ajuda está a caminho e deixou em aberto a possibilidade de ação militar caso a repressão continue. Em paralelo, o Irão dispõe de capacidade de retaliação, seja com ataques a bases dos Estados Unidos na região, seja com o fecho do Estreito de Ormuz.

Contudo, a rede de aliados por procuração do Irão ficou significativamente enfraquecida após as campanhas militares de 2025. O resultado, segundo Sotiriadis, é um regime encurralado, com poucas boas opções.

Gronelândia: novo epicentro geopolítico

A fechar, Jake Sotiriadis explica porque a Gronelândia se tornou um ponto geopolítico crucial para os Estados Unidos, a Rússia e a China.

Primeiro, a geografia: a Gronelândia controla o acesso ao Ártico e, por extensão, à América do Norte. Por isso, os Estados Unidos mantêm uma base militar na ilha desde a Segunda Guerra Mundial.

Segundo, os recursos naturais críticos. As reservas de terras raras da Gronelândia são essenciais para produzir bens tecnológicos, dos smartphones e baterias de veículos elétricos ao equipamento militar. Hoje, a China controla grande parte desse mercado, o que leva os Estados Unidos a procurar fontes alternativas.

Terceiro, a competição entre grandes potências. A Rússia aumentou significativamente a atividade militar e naval no Ártico, à medida que o degelo abre novas rotas marítimas. Ao mesmo tempo, a China autodefine-se como "nação próxima do Ártico", reivindicando um papel na região.

Para Washington, quem controla a Gronelândia não controla apenas recursos valiosos, mas também o acesso geográfico que vai determinar o equilíbrio estratégico no século XXI. E isso, sublinha Jake Sotiriadis, está agora no núcleo da estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos.

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