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Espanha rejeita destacamento militar na Gronelândia, apesar da ameaça de Trump de anexar a ilha

ARQUIVO: As forças de manutenção da paz da ONU preparam-se para entrar em autocarros que saem do Aeroporto Internacional de Beirute à sua chegada ao Líbano, em 26 de outubro de 2006.
ARQUIVO: As forças de manutenção da paz da ONU preparam-se para entrar em autocarros que saem do Aeroporto Internacional de Beirute à sua chegada ao Líbano, em 26 de outubro de 2006. Direitos de autor  AP
Direitos de autor AP
De David Artiles Garcia & Rafael Salido
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O Governo espanhol está a arrefecer o seu posicionamento militar no Ártico e a subordinar qualquer missão à NATO ou à UE. Enquanto Margarita Robles apela à prudência, os parceiros da coligação e a oposição rejeitam uma intervenção que consideram inútil face à ameaça dos Estados Unidos.

O Governo espanhol refreou esta sexta-feira as expectativas de um envio imediato de tropas para a Gronelândia. Segundo fontes governamentais, Espanha só terá uma presença militar na ilha se for organizada uma missão oficial sob a égide da União Europeia ou da NATO, excluindo de momento seguir os passos de países como França, Alemanha ou os Países Baixos, que já enviaram tropas a título individual a pedido da Dinamarca.

Esta nova postura procura dar prioridade à diplomacia multilateral face à crescente ameaça de anexação por parte da administração de Donald Trump. O ministro dos Negócios Estrangeiros, José Manuel Albares, insistiu em manter a "calma" e atuar "sempre de mãos dadas com os nossos parceiros", sublinhando que quaisquer lacunas de segurança no Ártico devem ser resolvidas entre aliados, sem necessidade de "uma mudança de soberania".

Para já, nem a Comissão Europeia nem a Aliança Atlântica têm um plano de intervenção concreto em cima da mesa, apesar do lançamento da "Operação Resiliência Árctica". Enquanto outros parceiros europeus optaram por um envio simbólico de militares para reforçar a presença permanente na zona, o Governo espanhol prefere esperar que as instituições multilaterais definam um quadro de ação comum, evitando assim um confronto direto e isolado com Washington.

A ministra da Defesa, Margarita Robles, não excluiu a participação espanhola na missão anunciada na quinta-feira por França, Alemanha, Suécia e Noruega, embora tenha insistido na necessidade de atuar com prudência.

"Não devemos precipitar os acontecimentos", disse à chegada ao Congresso espanhol, onde sublinhou que a prioridade é "reforçar a vigilância" e aguardar o desenvolvimento das reuniões diplomáticas em curso. "Vamos ver como tudo evolui e as decisões serão tomadas com base nisso", disse Robles à imprensa à chegada ao Congresso, onde deverá comparecer perante a Comissão dos Segredos Oficiais.

Robles classificou como "inaceitável" a possibilidade de Washington tentar apoderar-se da Gronelândia pela força e alertou para a gravidade de uma rutura no atual equilíbrio da NATO. No entanto, defendeu a manutenção de "quadros de prudência e discrição" antes de tomar decisões militares.

Rejeição da oposição e dos parceiros governamentais

As declarações do ministro provocaram uma clivagem entre os parceiros do governo. A porta-voz da Sumar no Congresso, Verónica Martínez Barbero, evitou tomar uma posição clara, alegando falta de informação. "Vamos esperar até termos toda a informação e tomar uma decisão dentro da nossa esfera", disse.

Mais contundente foi a secretária-geral do Podemos, Ione Belarra, que classificou o possível destacamento como uma "medida inútil" e questionou o sentido de enviar tropas espanholas para um cenário em que o potencial adversário seriam os EUA. Na sua opinião, Trump "quebrou" a Aliança Atlântica e a NATO "está morta".

O porta-voz do ERC , Gabriel Rufián, defendeu que a resposta ao conflito deve ser exclusivamente diplomática e apontou uma "contradição" no debate sobre o envio de tropas para a Gronelândia, enquanto foi excluída uma discussão semelhante sobre a Ucrânia, que não faz parte da NATO.

A oposição também atacou o governo. O Vox lamentou a "irrelevância" internacional de Espanha e da União Europeia, enquanto o Partido Popular optou pela prudência e vai anunciar a sua posição na próxima segunda-feira, enquanto espera para determinar se existe uma ameaça real.

O que estão a fazer as tropas europeias estacionadas na Gronelândia?

O envio de tropas europeias para a Gronelândia faz parte de uma missão de vigilância e dissuasão acordada a pedido da Dinamarca, face à crescente tensão com os Estados Unidos sobre o controlo do território ártico. Países como França, Alemanha, Suécia e Noruega já confirmaram a sua participação em exercícios militares conjuntos, concebidos como uma demonstração de unidade europeia e de apoio a um aliado da NATO.

Segundo os responsáveis europeus, o objetivo não é ofensivo, mas sim preventivo. "Trata-se de vigilância, de patrulhas, de ver o que se passa debaixo de água, na água e no ar", declarou o ministro alemão da Defesa , Boris Pistorius. Na mesma linha, o Presidente francês Emmanuel Macron sublinhou que a Gronelândia "pertence à União Europeia e é o território de um dos nossos aliados da NATO", referindo-se à Dinamarca.

O destacamento segue-se a uma reunião entre representantes da Dinamarca e dos Estados Unidos na Casa Branca, na qual o desacordo sobre o futuro da ilha foi evidente. Copenhaga alertou explicitamente para as intenções do Presidente norte-americano. "É evidente que o Presidente [Trump] deseja conquistar a Gronelândia", declarou o ministro dinamarquês dos Negócios Estrangeiros**, Lars Lokke Rasmussen**.

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