O presidente dos Estados Unidos, que discursará na reunião anual das elites mundiais na quarta-feira, pôs à prova a aliança transatlântica com a sua exigência de tomar o controlo da Gronelândia.
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, exortou os europeus a deixarem de ser simpáticos com o presidente dos EUA, Donald Trump, em relação à Gronelândia, a "desenvolverem uma espinha dorsal" e a "darem-lhe um murro na cara".
Em declarações diretas aos jornalistas no Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça, o proeminente político democrata chamou "fraco" a Trump e disse que a União Europeia deveria "reagir de forma muito agressiva" contra o líder dos EUA.
"Ele é bom a explorar as fraquezas, mas recua quando leva um murro na cara", disse Newsom. "Não se pode jogar para todos os lados. Já chega de delicadezas", acrescentou. "Parem de o tentar apaziguar. Devem combater o fogo com fogo".
Chama à tentativa de Trump de assumir o controle da Groenlândia uma "loucura", mas diz que o presidente dos EUA "não tentará apreendê-la militarmente".
"Toda esta corrida à Gronelândia é absurda. As pessoas têm de reconhecer o que estão a enfrentar e manter-se firmes e fortes, desenvolver uma espinha dorsal e falar a uma só voz. Dêem-lhe um murro na cara", disse Newsom.
O presidente dos Estados Unidos, que irá discursar na reunião anual das elites mundiais na quarta-feira, pôs à prova a aliança transatlântica com a sua exigência de tomar o controlo da Gronelândia, afirmando que o território, controlado pela Dinamarca, é crucial para os interesses de segurança nacional dos Estados Unidos.
A UE está a ponderar contramedidas depois de Trump ter ameaçado impor taxas a oito países europeus que se pronunciaram em apoio da Dinamarca, embora Washington tenha dito que quaisquer taxas de retaliação seriam "insensatas".
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse na reunião das elites políticas e empresariais globais que a resposta da UE seria "inabalável, unida e proporcional".
A Dinamarca disse na terça-feira que está disposta a discutir com os EUA assuntos relacionados com a segurança e a economia da Gronelândia, mas está "fora de questão" abdicar da soberania do território.
"Podemos negociar tudo", disse a primeira-ministra Mette Frederiksen ao parlamento dinamarquês. "Mas não podemos negociar os nossos valores fundamentais, a soberania, a identidade dos nossos países e as nossas fronteiras. A nossa democracia", rematou a chefe do governo dinamarquês.