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Sobrinho de Ali Khamenei diz que este resistirá "até à última gota de sangue"

Mahmoud Moradkhani, 62 anos, médico otorrinolaringologista perto de Lille e sobrinho do Ayatollah Ali Khamenei, em 19 de janeiro de 2026, em Croix.
Mahmoud Moradkhani, 62 anos, médico otorrinolaringologista perto de Lille e sobrinho do Ayatollah Ali Khamenei, em 19 de janeiro de 2026, em Croix. Direitos de autor  Euronews
Direitos de autor Euronews
De Amandine Hess
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Exilado em França desde 1986, Mahmoud Moradkhani é médico em Croix, perto de Lille, e opositor do regime iraniano. O sobrinho do líder supremo iraniano diz à Euronews que a repressão não vai pôr fim às manifestações.

Numa altura em que o Irão acaba de reprimir violentamente vastos movimentos de protesto, o sobrinho do Ayatollah Ali Khamenei diz à Euronews que o seu tio resistirá "até à última gota de sangue".

Mahmoud Moradkhani, médico otorrinolaringologista no norte de França, é um opositor de longa data do regime iraniano. Fugiu do Irão com 22 anos, através do Iraque, e chegou a França em 1986, sete anos após a revolução islâmica.

Diz ter esperança que o seu tio seja um dia preso e julgado: "Não creio que ele desista. Ali Khamenei é um daqueles ditadores como Ceausescu. Ficam até ao último minuto. Acreditam na sua verdade, nas suas palavras. Não podem aceitar outra coisa e resistirão até à última gota de sangue", garante o médico de 62 anos.

Uma repressão sem precedentes

No sábado, regime falou, pela primeira vez, de milhares de mortos, sem reconhecer a responsabilidade das forças de segurança. Mais de 4.000 manifestantes já foram mortos, segundo a ONG Human Rights Activists in Iran.

Mahmoud Moradkhani acredita que o número de mortos é muito superior.

"O regime sentiu realmente o perigo desta vez e quis ser muito mais violento para acalmar a população", afirma o opositor, acrescentando que a maioria dos iranianos "nunca aceitará o regime".

A ONG Iran Human Rights refere que as forças de segurança utilizaram armas pesadas, incluindo metralhadoras DShK, contra os manifestantes.

O médico acredita que a repressão não será a sentença de morte das manifestações: "A repressão é uma forma de acalmar temporariamente as coisas. Já vimos isso em anos anteriores, em várias ocasiões, e é claro que o número de mortos fez com que as pessoas ficassem em casa. Mas é um fogo debaixo das cinzas e um dia destes, certamente não muito longe, vão acordar, o regime vai continuar a estar em perigo e a ser desafiado pelo povo", explicou.

Lamenta que a oposição iraniana não esteja mais organizada. "Penso que a saída para a rua, as manifestações de rua, devem ser a última etapa de uma revolução. E a revolução deve ser mais bem pensada, mais programada, preparada com antecedência".

Mahmoud Moradkhani acredita que o regime dos mullahs se desmoronará por si próprio com a morte do líder supremo, devido a rivalidades internas. Prefere este cenário a uma intervenção externa, que, na sua opinião, poderia conduzir à anarquia e ao terrorismo.

Iranianos sentiram-se abandonados

Em contacto regular com o seu país de origem, relata que alguns manifestantes se sentem traídos pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que inicialmente os apoiou.

"Os manifestantes, os iranianos, acreditavam que Trump iria fazer alguma coisa e ajudá-los militarmente. Depois do que aconteceu na Venezuela, havia esperança", diz Mahmoud Moradkhani, deixando claro que não concorda com a política do governo dos EUA.

Espera que os europeus cortem os laços diplomáticos com o regime e declarem os Guardas Revolucionários como uma organização terrorista.

"Se ajudarmos o povo iraniano diplomática e politicamente, se conseguirmos derrubar este regime, veremos que depois as coisas ficarão muito mais claras e muito mais estáveis para a região e para o mundo", diz Moradkhani, acrescentando que gostaria de ver uma transição diplomática e o estabelecimento de uma república no Irão.

Por enquanto, enquanto alguns observadores afirmam que o Ayatollah Ali Khamenei quer nomear o seu filho Mojtaba como seu sucessor, Mahmoud Moradkhani acredita que o líder supremo iraniano não preparou a sua sucessão e "ainda não está a pensar na sua morte".

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