Os EUA mantiveram conversações com a Rússia, com a Ucrânia e com os parceiros europeus sobre vários projetos de um plano para pôr fim à guerra na Ucrânia, mas até à data não foi possível chegar a um acordo.
O enviado dos EUA, Steve Witkoff, afirma que Trump está a considerar ideias como uma "zona livre de tarifas" para a Ucrânia, que poderia ajudar a indústria a desenvolver-se no país devastado pela guerra.
"O presidente falou de uma zona livre de direitos aduaneiros para a Ucrânia, o que, na minha opinião, iria mudar o jogo", afirmou Witkoff no pequeno-almoço ucraniano, à margem do Fórum Económico Mundial, em Davos, na quinta-feira.
"Penso que fizemos muitos progressos. No início do processo, houve um pouco de confusão. Eu ia muitas vezes a Moscovo, mas penso que era importante irmos a Moscovo porque agora estamos no fim e estou otimista", afirmou, alimentando a esperança de que um acordo de paz com a Rússia esteja próximo.
Witkoff afirmou que as negociações para um acordo de paz se resumem agora a uma última questão, sem esclarecer qual é.
Os EUA mantiveram conversações com a Rússia, a Ucrânia e os parceiros europeus sobre vários projetos de um plano para pôr fim à guerra na Ucrânia, mas até à data não foi possível chegar a um acordo.
"Se ambas as partes quiserem resolver este problema, vamos conseguir resolvê-lo", afirmou Witkoff.
Na quarta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que os líderes da Rússia e da Ucrânia seriam "estúpidos" se não conseguissem chegar a um acordo.
Witkoff, que discursou no evento "Ukrainian Breakfast" ao lado do chefe da NATO, Mark Rutte, e do presidente da Finlândia, Alexander Stubb, indicou que iria a Moscovo na quinta-feira.
Mas o Kremlin reagiu de forma contida aos comentários de Witkoff de que um acordo de paz estava próximo.
"O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse aos jornalistas que a discussão sobre a questão do acordo de paz com a Ucrânia e outros assuntos relacionados vai continuar".
Este informou que os representantes dos EUA, incluindo Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner, devem chegar a Moscovo no final da tarde de quinta-feira e que se deverão encontrar com o presidente russo, Vladimir Putin.
"Não gostaríamos de comentar a fase atual das negociações, especialmente no período que antecede a chegada de Witkoff a Moscovo e o seu encontro com Putin", disse Peskov.
"É claro que o presidente russo valoriza muito os esforços de pacificação do presidente Trump e da sua equipa, incluindo o enviado especial Witkoff... saudamos estes esforços e a sua eficácia", afirmou.
Em novembro, os EUA apresentaram à Ucrânia um projeto de plano de paz de 28 pontos, alegadamente redigido por Witkoff e Kushner.
Essa proposta foi criticada pela Ucrânia e por alguns dos seus aliados ocidentais por ser demasiado favorável à Rússia.
Negociações de paz
Em dezembro, Zelenskyy contrapôs com um plano de 20 pontos que, segundo este, seria acompanhado por um acordo de segurança Ucrânia-EUA-Europa, um acordo de segurança Ucrânia-EUA e um acordo económico Ucrânia-EUA.
Segundo o negociador ucraniano Oleksandr Bevz, os planos de garantia de segurança com os países da UE incluiriam forças ucranianas como primeira linha de defesa, tropas europeias destacadas para a Ucrânia e garantias de segurança dos EUA.
Os parceiros internacionais chegaram a acordo sobre um pacote de apoio económico de cerca de 682 mil milhões de euros para a Ucrânia durante os próximos 10 anos, informou o vice-primeiro-ministro ucraniano, Taras Kachka.
O montante, baseado em cálculos do Banco Mundial, do FMI e da UE, destina-se a cobrir a indemnização dos danos, a reconstrução, a estabilidade económica e um "reforço" do crescimento de 170 mil milhões de euros ligado às reformas necessárias para a adesão da Ucrânia à UE.
As garantias de segurança dos EUA para a Ucrânia foram definidas por um período de 15 anos, com possibilidade de prorrogação, disse Zelenskyy aos jornalistas em dezembro.
"O plano de paz de 20 pontos foi acordado a 90% e as garantias de segurança entre os EUA e a Ucrânia foram acordadas a 100%", disse Zelenskyy aos jornalistas. "As garantias de segurança dos EUA, da Europa e da Ucrânia estão praticamente acordadas. A dimensão militar está 100% acordada".
Mas um ponto de discórdia continua a ser os territórios ucranianos que Moscovo ocupa e que insiste que deve manter na eventualidade de um acordo de cessar-fogo.
O Kremlin também já afirmou que não aceitará tropas ocidentais estacionadas na Ucrânia.