Carla da Silva, de 21 anos, cumpria uma pena de mais de 20 anos de prisão. A jovem foi detida por conspirar contra o governo de Nicolás Maduro.
A luso-venezuelana Carla da Silva foi libertada no domingo, depois de ter estado presa no Instituto Nacional de Orientação Femenina (INOF), na Venezuela. A jovem tinha sido condenada a uma pena de mais de 20 anos de prisão e já tinha cumprido até cinco anos, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português.
Carla da Silva, de 21 anos, tinha sido condenada por um tribunal de Caracas em maio de 2024 por, juntamente com outras 28 pessoas - militares e civis -, conspirar para derrubar o governo da Venezuela. Este grupo foi acusado de traição, conspiração, rebelião, tráfico de armas de guerra, associação para cometer crimes e financiamento de terrorismo, numa audiência que durou mais de 15 horas.
Vinte dos arguidos foram condenados a 30 anos de prisão por alegado envolvimento na Operação Gedeón, também designada por Macutazo, que decorreu a 3 de maio de 2020. Carla da Silva foi uma das condenadas.
A Operação Gedeón, na qual morreram seis dissidentes, resultou na incursão marítima de ex-militares no exílio, tendo contado com o apoio do antigo membro das forças especiais dos Estados Unidos. Estas pessoas terão tentado infiltrar-se no país e treinar venezuelanos para derrocar o governo do presidente Nicolás Maduro.
Em outubro de 2023, a organização não-governamental (ONG) venezuelana Foro Penal (FP) pediu às autoridades que libertassem Carla da Silva, que estava presa preventivamente há mais de três anos.
A jovem foi detida durante uma festa infantil em 2020, onde conheceu uma mulher que teria alegadamente participado, dois dias antes, na Operación Gedeón. Os pais da jovem só souberam do seu paradeiro vários dias após o desaparecimento. Já nessa altura, Miriam Marrero, mãe de Carla e professora de Filosofia, dizia que a filha era "uma presa política, uma sequestrada pelo regime".
A luso-venezuelana foi levada por funcionários das FAES para La Quebradita, a Oeste de Caracas, e terá sido interrogada e impedida de regressar a casa.
"Carla da Silva é uma presas políticas na Venezuela. Foi detida arbitrariamente a 5 de maio de 2020, e encontra-se em El Helicoide [prisão em Caracas], lugar do qual tanto se conhece porque vários presos políticos estão aí [...]. Em conformidade com a nossa lei, deveria estar em liberdade, porque ninguém pode estar mais de três anos privado da liberdade preventivamente", explicou na altura o diretor do Foro Penal, Alfredo Romero.
A luso-venezuelana estava detida ao cuidado do Serviço Bolivariano de Inteligência, os serviços de informação do regime de Caracas, informou Alfredo Romero num vídeo divulgado, na altura, na Internet.
Governo de Delcy Rodríguez prometeu libertar presos políticos
O governo de Delcy Rodríguez, que está no poder desde que Nicolás Maduro foi capturado pelos Estados Unidos a 3 de janeiro, prometeu um "número significativo" de libertações.
Pelo menos 80 presos políticos foram libertados no domingo, na Venezuela. Sabia-se que havia oito cidadãos portugueses detidos em casos de natureza política e, embora Espanha e Itália tenham conseguido a libertação de alguns dos seus nacionais, nenhum português tinha sido libertado até então.
Na sexta-feira, a Plataforma Democrática Unitária (PUD), que reúne a maioria da oposição venezuelana, instou o governo do país a publicar uma “lista detalhada” de presos políticos libertados nas últimas semanas. Delcy Rodríguez afirmou que 626 pessoas foram libertadas desde dezembro, mas a ONG Foro Penal contabiliza, apenas, metade deste número no mesmo período.