A reparação dos danos causados pelos ataques russos às infraestruturas energéticas leva tempo. Existem alternativas ao aquecimento elétrico mas algumas habitações não estão preparadas para outras fontes de energia nem reúnem condições para ser aquecidas a gás.
Os ataques russos às infraestruturas energéticas da capital ucraniana deixaram cerca de 610.000 famílias sem eletricidade, afirmou na quarta-feira o ministro ucraniano da Energia, Denis Shmihal.
Os trabalhadores dos serviços públicos e da energia estão a trabalhar 24 horas por dia para reparar as infraestruturas críticas danificadas, mas ainda há mais de 700 prédios Kiev, na sua maioria em áreas residenciais, sem aquecimento, onde apenas a eletricidade pode fornecer calor.
Perante as temperaturas gélidas, há pessoas a congelar dentro da própria casa.
"É muito difícil viver sem eletricidade. Tenho dificuldade em chorar. O termómetro marca 3-4 graus na parede. Esta manhã estavam 2 graus. Se agora estão 4 graus aqui, não sei o que acontecerá se lá fora estiverem 10 ou 20 graus negativos? Será uma catástrofe. É claro que as pessoas não vão conseguir suportar isto. Nós também não vamos conseguir aguentar. As minhas mãos já estão geladas", explica Lyudmila Datsenko, residente em Kiev.
No distrito de Desnjansky, os soldados que regressam da linha da fente de batalha, veteranos do Terceiro Exército, montaram um abrigo onde as pessoas da zona podem aquecer-se, beber chá ou comer uma sopa quente.
"Montámos esta tenda no dia anterior por iniciativa dos veteranos. Sabe, houve uma situação em Kiev em que a população da capital ajudou os militares com donativos, agora os soldados vieram apoiar a população de Kiev em tempos difíceis", disse o organizador do abrigo, chamado "Invincibility Point".
A organização diz que as pessoas já começaram a chegar e ficaram surpreendidas com o facto de os militares terem encontrado tempo e oportunidade para ajudar os civis.