Teerão convocou os embaixadores da UE para protestar contra a decisão do bloco de classificar a Guarda Revolucionária do Irão como um grupo terrorista.
Teerão convocou na segunda-feira todos os embaixadores da União Europeia no país para protestar contra a decisão do bloco de classificar a Guarda Revolucionária Islâmica do Irão como um grupo terrorista.
Na semana passada, a UE classificou o grupo paramilitar como uma organização terrorista devido à violenta repressão dos protestos a nível nacional, que matou milhares de pessoas e levou à detenção de dezenas de milhares.
Outros países, incluindo os EUA e o Canadá, já tinham adotado a mesma designação.
Segundo o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghaei, a convocatória dos embaixadores começou no domingo e prolongou-se até segunda-feira.
"Foi analisada uma série de ações, estão a ser preparadas várias opções que foram enviadas aos órgãos de decisão competentes", disse Baghaei.
"Pensamos que, nos próximos dias, será tomada uma decisão sobre uma ação recíproca da República Islâmica do Irão em relação à medida ilegal, irracional e muito errada da UE".
Teerão já tinha respondido no domingo à decisão da UE com uma contra-medida simbólica, ao designar todos os militares da UE como organizações terroristas.
Trump: "Espero que consigamos chegar a um acordo"
As forças de segurança iranianas, em particular a Guarda Revolucionária, têm usado de extrema brutalidade contra os manifestantes nas últimas semanas.
As organizações de defesa dos direitos humanos têm vindo a reunir provas que demonstram que pelo menos 6000 iranianos foram mortos, enquanto que pessoas com experiência no Irão e vários ministros dos Negócios Estrangeiros da UE falaram recentemente de mais de 30.000 mortos.
Em resposta, Washington ameaçou intervir com uma ação militar devido ao assassinato de manifestantes pacíficos e às execuções em massa.
Na semana passada, o Pentágono deslocou o porta-aviões USS Abraham Lincoln e vários contratorpedeiros de mísseis guiados para a região, embora ainda não seja claro se o presidente Donald Trump decidirá usar a força.
Teerão afastou os receios de uma intervenção durante o fim de semana, afirmando que está atualmente envolvido em negociações com Washington.
No entanto, o Ayatollah Ali Khamenei avisou os EUA de que qualquer conflito se estenderia a toda a região.
"A América deve saber que, se começar uma guerra, desta vez será uma guerra regional", disse Khamenei.
"Estas ameaças não são novas. Também no passado, os responsáveis americanos falaram repetidamente de guerra e disseram que todas as opções estavam sobre a mesa, incluindo a guerra", acrescentou.
O presidente dos EUA rejeitou entretanto as ameaças de Khamenei, afirmando que um acordo ainda está em cima da mesa.
"Temos os maiores e mais poderosos navios do mundo ali, muito perto, dentro de alguns dias", disse Trump aos jornalistas no domingo.
"Esperemos que cheguemos a um acordo. Se não chegarmos a um acordo, descobriremos se ele tinha ou não razão".