O presidente da Microsoft disse que se arrepende de se ter relacionado com Jeffrey Epstein. "Ele cohecia pessoas muito ricas e diz que podia convencê-las a dar dinheiro para a saúde mundial", explica.
Bill Gates disse que lamenta "cada minuto" que passou com o falecido financeiro e criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, negando as alegações contidas em rascunhos de e-mails divulgados pelas autoridades americanas na semana passada.
"Cada minuto que passei com ele, arrependo-me e peço desculpa", disse Gates à 9News Australia numa entrevista transmitida na quarta-feira.
Depois de o Departamento de Justiça dos EUA ter divulgado cerca de 3 milhões de páginas de documentos relacionados com Epstein, na semana passada, surgiram rascunhos de mensagens de correio eletrónico não enviadas que faziam alegações sobre Gates.
"Aparentemente, Jeffrey escreveu um e-mail para si próprio. Esse e-mail nunca foi enviado. O e-mail é falso", disse Gates. "Não sei qual era a ideia dele. Estaria ele a tentar atacar-me de alguma forma?", questionou.
Num dos rascunhos que escreveu em 2013, Epstein alegou que Gates se envolvia em casos extraconjugais e que a sua relação com o presidente da Microsoft ia desde "ajudar Bill a arranjar drogas para lidar com as consequências do sexo com raparigas russas, até facilitar os seus encontros ilícitos com mulheres casadas".
"Para agravar ainda mais a situação, depois, com lágrimas nos olhos, implora-me que apague os e-mails sobre doenças sexualmente transmissíveis, o seu pedido para que eu lhe forneça antibióticos que possa dar subrepticiamente a Melinda e a descrição do seu pénis", diz o e-mail.
Um porta-voz de Gates disse que os documentos mostram apenas "a frustração de Epstein por não ter uma relação contínua com Gates e os esforços que ele faria para enganar e difamar".
Melinda French Gates disse à NPR, numa entrevista programada para ir para o ar na quinta-feira, que ver estes documentos trouxe "memórias de alguns momentos muito, muito dolorosos no seu casamento". O casal divorciou-se em 2021.
"Quaisquer que sejam as perguntas - eu não tenho como saber isso - as perguntas são para essas pessoas e até mesmo para o meu ex-marido. Eles precisam de responder a essas coisas, não eu", afirmou Melinda.
French Gates confessou anteriormente que a ligação do seu ex-marido com Epstein contribuiu para a sua decisão de terminar o casamento.
Bill Gates explicou que conheceu Epstein em 2011, três anos depois de este se ter declarado culpado na Florida de solicitar a prostituição de um menor. O líder tecnológico disse, ainda, que participou em jantares com Epstein durante um período de três anos e que nunca se deslocou à sua ilha privada, negando ter tido encontros sexuais.
"O foco era sempre o facto de ele conhecer pessoas muito ricas e de dizer que conseguia que elas dessem dinheiro para a saúde mundial. Em retrospetiva, isso era um beco sem saída", disse Gates. "Fui tolo em passar tempo com ele. Fui uma das muitas pessoas que se arrependem de o ter conhecido".
Epstein morreu de aparente suicídio numa prisão de Nova Iorque em 2019, enquanto enfrentava acusações federais de tráfico sexual.
Aparecer nos documentos de Epstein não indica irregularidades, e nenhuma acusação foi feita contra qualquer uma das pessoas proeminentes que são mencionadas nos arquivos. Todos negaram ter qualquer relação com o abuso sexual de raparigas e jovens mulheres por parte de Epstein.