Jimmy Lai está detido há mais de cinco anos. O ex-magnata tornou-se num dos principais símbolos da liberdade de imprensa desmantelada, em Hong Kong.
O tribunal de Hong Kong condenou Jimmy Lai, ex-magnata da imprensa pró-democracia da cidade-estado e crítico de Pequim, a 20 anos de prisão.
O fundador do jornal diário Apple Daily, agora extinto, foi preso em 2020 sob pressão de Pequim, devido a alegada suspeita de "colaboração com forças estrangeiras e publicação de artigos incitando à conspiração".
Lai já cumpriu cinco anos de prisão, enquanto, com base na chamada lei de segurança nacional introduzida por Pequim, vários outros processos foram instaurados contra ele na sequência dos protestos antigovernamentais de 2019. Durante os cinco anos em que esteve preso, o ex-magnata tornou-se num dos principais símbolos da liberdade de imprensa.
Centenas de pessoas aguardaram o veredito do tribunal de Hong Kong, junto à sua instalação. "Só o Apple Daily deu voz aos habitantes de Hong Kong", disse um defensor de Lai.
Três membros pró-China do tribunal queriam condenar o ativista dos direitos humanos à prisão perpétua. No entanto, dada a sua idade avançada de 78 anos, a probabilidade deste passar o resto da vida atrás das grades é muito elevada.
Julgamento levanta preocupações sobre a liberdade de imprensa
O julgamento de Jimmy Lai suscitou preocupação sobre o declínio da liberdade de imprensa na região administrativa especial chinesa. Mas, de acordo com o governo de Hong Kong, o caso não está relacionado com liberdade de imprensa, tratando-se de aproveitamento de atividade jornalística para cometer atos prejudiciais à China e a Hong Kong.
Lai esteve entre as primeiras figuras de destaque detidas ao abrigo da lei de segurança em 2020. Nos meses seguintes, vários jornalistas do Apple Daily foram igualmente presos, levando ao encerramento do jornal em junho de 2021.