O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, assegurou que a situação estava a ser monitorizada “há vários dias” e que o Governo estava a par dos “riscos". Chuva volta a agravar-se na noite de quinta para sexta-feira e autarca de Coimbra admite "cheia centenária".
Parte do pavimento da autoestrada A1, a principal de Portugal, ruiu na noite de quarta-feira, na zona de Coimbra, na sequência da rutura do dique da Ponte dos Casais, no rio Mondego, na mesma tarde.
O colapso da estrada ocorreu nas proximidades do local onde se tinha dado o rompimento do referido dique, no quilómetro 191,2 da A1, no sentido Norte-Sul, avançou a Proteção Civil à RTP.
A situação ocorreu já depois da circulação nesta autoestrada, entre os quilómetros 198 e 189, ter sido interrompida em ambos os sentidos. Em causa está um troço que liga Coimbra Norte a Coimbra Sul.
De acordo com a informação avançada, em conferência de imprensa ao final da tarde de quarta-feira, pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, a medida teria sido adotada pela Proteção Civil “por uma questão de precaução” e não de “perigo iminente”.
No entanto, já após o colapso do pavimento no troço da A1 diretamente afetado pela rutura do dique da Ponte dos Casais, o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, informou que o “problema” estava a “ser monitorizado há vários dias pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil” e que o executivo do qual faz parte estava a par dos “riscos” existentes na zona.
Explicou ainda, sobre a ocorrência, que a via rodoviária cedeu após a força da água ter ido “cavando” por baixo da mesma e que serão necessárias “várias semanas” para efetuar as reparações necessárias na A1.
"Naturalmente, quando mandamos encerrar uma infraestrutura, as decisões não são tomadas de ânimo leve. Ninguém manda encerrar a A1, ou manda encerrar uma infraestrutura absolutamente crítica para o país, sem ter em consciência os riscos que estão calculados”, afirmou o responsável pela pasta das Infraestruturas.
À TSF, o subcomandante regional da Proteção Civil informou que, pelo facto do trânsito nesta autoestrada já ter sido suspenso, não há registo de feridos.
Primeiro-ministro admitiu possibilidade de novas ruturas no Mondego
Num briefing da Proteção Civil, na tarde de quarta-feira, o primeiro-ministro Luís Montenegro tinha já apelado à evacuação de zonas consideradas de risco e não descartou, inclusive, eventuais novas ruturas no sistema de diques do Mondego.
Nesse momento, assegurava ainda que “todas as medidas preventivas” tinham sido adotadas e que, apesar da melhoria das condições meteorológicas prevista para esta quinta-feira, isso “não diminuirá a necessidade de manter vigilância total e absoluta”.
Porém, segundo comunicado divulgado no site do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), é esperado um novo agravamento entre “o final da tarde de dia 12 e a manhã de dia 13”, com “períodos de chuva, por vezes forte, e vento com rajadas até 80 km/h, em quase todo o país”.
Isto porque, nesse intervalo, Portugal continental será atravessado por "um sistema frontal associado a uma região depressionária centrada a norte da Península Ibérica", a qual dará origem a uma nova depressão, desta feita intitulada Oriana.
No entanto, refere a mesma fonte, esta “depressão não irá afetar Portugal continental diretamente uma vez que o seu desenvolvimento já se fará em território espanhol”, embora os seus efeitos venham também a ser sentidos no país.
Foram já emitidos pelo IPMA “avisos de nível Amarelo de precipitação e rajada” para vários pontos do país, detalha ainda o instituto meteorológico.
Proteção Civil apela a comportamento seguro das populações
Face às previsões meteorológicas de chuva para a noite desta quinta-feira, a Proteção Civil voltou a deixar o aviso às populações das zonas ribeirinhas do Mondego para se manterem em alerta e estarem preparadas para abandonar as habitações.
Além disso, o comandante da ANPC, Mário Silvestre, a precipitação "por vezes forte" que se irá fazer sentir leva a obrigação da adoção de comportamentos seguros e seguros e responsáveis, também na zona da grande Lisboa na península de Setúbal, locais onde se preveem-se “cheias rápidas” e deslizamentos de terra.
“Irá chover durante as próximas horas, mas não é a intensidade do fenómeno que é preocupante, é sua a persistência”, sublinhou o comandante.
Os alerta para a bacia do Tejo mantém-se em vigor.
“O plano especial da bacia do Tejo mantém-se no seu estado vermelho, o nível mais elevado”, adiantou o comandante Mário Silvestre. Também aqui as populações deven estar preparadas “para abandonar as suas casa”, caso se justifique.
Mário Silvestre adiantou também até ao momento foram registadas 16.623 ocorrências, sendo as mais comuns quedas de árvores e inundações. Sem energia mantém-se também 33 mil clientes, sendo que 25 mil foram resultado ainda da depressão Kristin.
Já a autarca de Coimbra, também num ponto de situação na noite de quinta-feira, admitiu a possibilidade de uma "cheia centenária", referindo que toda a zona baixa da cidade "é de grande preocupação" devido às novas descargas que serão feitas pela barragem da Aguieira, que está no limite da capacidade. Ana Abrunhosa não descarta também que se verifiquem novas roturas em mais partes do dique do Mondego, pedindo às populações que se resguardem em casa.
Comboio descarrila na Linha do Leste, em Abrantes
Na quarta-feira, pelas 21:00, um comboio descarrilou na Linha do Leste, perto da povoação de Bemposta, no município de Abrantes, reportou a agência Lusa com base em informação fornecida por fonte da Proteção Civil.
A automotora, que transportava passageiros no momento do incidente, saiu dos carris depois de ter esbarrado contra uma árvore e detritos que caíram para a linha.
A ocorrência, que não causou feridos, motivou o corte da circulação ferroviária e a mobilização de elementos da empresa Infraestruturas de Portugal (IP) para o local, que se encontram a realizar trabalhos de limpeza e reparação.
Deslizamentos de terras em vários pontos do país
As chuvas fortes e persistentes que se têm registado em Portugal continental nas últimas semanas continuam a causar aluimentos de terras em diferentes zonas do território. Tal como já noticiado pela Euronews, um novo deslizamento de terras na Costa da Caparica, na quarta-feira, obrigou à evacuação de um prédio e à retirada de 31 pessoas. Isto depois de também se terem registado outros deslizamentos na zona da Costa da Caparica.
Em Ponte da Barca, no distrito de Viana do Castelo, as evacuações preventivas dos últimos dias afetaram 23 pessoas, segundo a agência Lusa, sem previsão de quando poderão regressar às suas habitações.
A Proteção Civil explicou no briefing de quinta-feira que os movimentos de de massa “estão a comprometer quer infraestruturas, quer a rede rodoviária e também a rede ferroviária”.
Apesar das melhorias do estado do tempo prevista para o fim de semana, o risco de derrocadas irá manter-se.
“Este risco não vai passar com o alívio da precipitação. Ele irá manter-se, porque existe uma saturação muito grande nos solos, por isso é um risco que se irá manter nos próximos dias”, alertou o comandante Mário Silvestre.