O Irão e os Estados Unidos retomam as conversações sobre o programa nuclear de Teerão em Genebra, no meio de disputas sobre mísseis e agentes, enquanto o Irão realiza jogos de guerra do IRGC no estratégico Estreito de Ormuz.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, chegou a Genebra antes da segunda ronda de negociações entre o seu país e os Estados Unidos (EUA).
Segundo Teerão, as conversações nucleares indiretas entre o Irão e os Estados Unidos, mediadas por Omã, também terão lugar na terça-feira. Washington deverá tentar alargar o contexto da reunião de modo a incluir os mísseis balísticos do Irão e a sua vasta rede de representantes na região.
Teerão e Washington reiniciaram as negociações este mês, depois de as anteriores terem fracassado quando Israel e o Irão se envolveram num conflito de 12 dias em junho.
O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse aos repórteres na segunda-feira que estava esperançoso de que as negociações de Genebra levassem a um acordo.
"O presidente (Donald Trump) prefere sempre resultados pacíficos e negociados", disse Rubio numa conferência de imprensa durante a sua visita à Hungria.
A incerteza envolve o destino das reservas iranianas de mais de 400 quilogramas de urânio enriquecido a 60%, que foi visto pela última vez pelos inspetores nucleares em junho, um pequeno passo técnico em relação ao limiar de enriquecimento de 90% necessário para a produção de armas.
O principal diplomata iraniano escreveu numa publicação na rede social X que se ia encontrar com Rafael Grossi, o chefe da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA), "para uma discussão técnica profunda".
"Estou em Genebra com ideias reais para chegar a um acordo justo e equitativo. O que não está em cima da mesa: submissão perante ameaças", acrescentou Araghchi no X.
Washington disse ter enviado o enviado especial para o Médio Oriente, Steve Witkoff, e o genro de Trump, Jared Kushner, a Omã para as conversações de terça-feira.
IRGC embarca em jogos de guerra em Ormuz
As últimas conversações seguem as repetidas ameaças de Trump de ação militar contra Teerão, desencadeadas pela repressão mortal do Irão contra os protestos antigoverno.
O Ocidente acredita que o programa tem como objetivo fabricar uma bomba, o que Teerão tem negado repetidamente, afirmando que se destina apenas a uso civil.
Na sexta-feira, Trump sugeriu que uma mudança de regime no Irão seria a "melhor coisa que poderia acontecer", depois de confirmar o envio de um segundo grupo de porta-aviões para o Médio Oriente para aumentar a pressão militar e reforçar a força de ataque dos EUA.
Entretanto, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC) do Irão iniciou uma série de exercícios militares no Estreito de Ormuz na segunda-feira, segundo a imprensa estatal, na véspera das conversações com os EUA.
Os jogos de guerra, cuja duração não foi especificada, têm como objetivo preparar o IRGC para "potenciais ameaças militares e de segurança" no estreito, avançou a televisão estatal, depois de os EUA terem enviado uma grande força naval para a zona.
Os políticos iranianos da linha dura ameaçaram repetidamente bloquear o estreito, especialmente durante períodos de tensão acrescida com os Estados Unidos, mas este nunca foi encerrado.
A via navegável estratégica é atravessada por cerca de 20% da produção mundial de petróleo.
Os exercícios, supervisionados pelo chefe do IRGC, general Mohammad Pakpour, têm por objetivo reforçar a capacidade de reação rápida dos Guardas, informou a imprensa estatal iraniana. O IRGC é o braço ideológico das forças armadas do Irão.