A França e 24 países aliados estão a realizar exercícios militares em grande escala para se prepararem para um conflito de alta intensidade, num contexto de escalada das ameaças por parte da Rússia.
O exercício militar aliado "Orion-26", o maior da França desde a Guerra Fria, está a decorrer na Base 123, em Orléans-Bricy, com paraquedistas a serem lançados sobre a base de Coëtquidan, na Bretanha, no oeste da França.
A manobra aérea envolveu cerca de 1.500 paraquedistas destacados entre as forças francesas e britânicas, testando a capacidade dos exércitos europeus de trabalharem em conjunto.
"É uma operação bastante ousada", afirma o coronel Colomban de Poncharra, comandante do 3.º regimento de paraquedistas do Corpo de Fuzileiros Navais.
O exercício tinha três objetivos principais: rapidez de ação, resistência e autonomia. "Uma força aerotransportada lançada numa área deve ser capaz de resistir, durante 48 a 72 horas, com os seus próprios drones, baterias e munições", explica.
O papel da brigada de paraquedistas é ser capaz de "criar uma brecha local para desbloquear uma frente tática e, em seguida, permitir que a ação seja retomada com recursos muito mais pesados", afirma.
"O nosso regimento está habituado a realizar este tipo de exercício", afirma o tenente Dorian, da 2.ª Companhia do 3.º Regimento de Paraquedistas da Infantaria da Marinha.
"No entanto, este é bastante especial porque tem uma dimensão interserviços, com a marinha e a força aérea, tipicamente, mas também um aspeto multinacional, com as várias nações que participam no exercício. Por exemplo, nesta aeronave, tenho dois britânicos connosco", acrescenta.
Simulação de conflito de alta intensidade
O exercício militar de três meses, iniciado há duas semanas, mobiliza 12.500 soldados, 25 navios e 140 aeronaves.
A França e 24 países estão a realizar exercícios militares em grande escala para se prepararem para um conflito de alta intensidade, em meio a ameaças crescentes da Rússia.
"O Exercício Orion é uma oportunidade para ambas as brigadas trabalharem em conjunto, praticarem o trabalho em conjunto, lembrarem-se do que precisam desenvolver e do que funciona realmente bem", afirma o comandante Nick, oficial de ligação britânico.
"Também estamos a trabalhar com os italianos neste exercício e é ótimo saltar com os franceses e com os italianos, e fazer coisas juntos", acrescenta.
O exercício desenvolve-se num cenário de conflito entre dois países fictícios, "Arnland" e "Mercury", como substituto da atual ameaça russa na Europa.