Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Conversações nucleares entre os EUA e Irão são retomadas em Genebra

ARQUIVO - Nesta foto divulgada pela Agência de Notícias Mehr, um trabalhador anda de bicicleta em frente ao edifício do reator da central nuclear de Bushehr, 26 de outubro de 2010
ARQUIVO - Nesta foto divulgada pela Agência de Notícias Mehr, um trabalhador anda de bicicleta em frente ao edifício do reator da central nuclear de Bushehr, 26 de outubro de 2010 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Emma De Ruiter & AP
Publicado a
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button
Copiar/colar o link embed do vídeo: Copy to clipboard Link copiado!

Trump tem insistido na necessidade de suspender totalmente o enriquecimento de urânio pelo Irão, bem como de abordar o programa de mísseis balísticos de Teerão e o seu apoio a grupos militantes na região. O Irão tem defendido que as conversações devem centrar-se apenas nas questões nucleares.

As negociações nucleares entre os Estados Unidos e o Irão foram retomadas em Genebra na quinta-feira, a terceira reunião mediada por Omã desde o reinício das conversações no início deste mês.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

O presidente dos EUA, Donald Trump, quer um acordo para restringir o programa nuclear iraniano e reuniu uma frota de aviões e navios de guerra no Médio Oriente para pressionar Teerão a chegar a um acordo.

Trump tem insistido na necessidade de suspender totalmente o enriquecimento de urânio pelo Irão, bem como de abordar o programa de mísseis balísticos de Teerão e o seu apoio a representantes regionais como o Hamas, o Hezbollah e os Houthis do Iémen.

Teerão tem insistido que as conversações devem centrar-se apenas nas questões nucleares.

No início desta semana, no seu discurso sobre o "Estado da União", Trump acusou o Irão de ser o patrocinador número um do terrorismo e criticou a recente repressão mortal dos protestos em todo o país, desencadeada pela economia iraniana em dificuldades, que, segundo grupos de defesa dos direitos humanos e especialistas iranianos, poderá ter provocado cerca de 30 mil mortos.

O presidente norte-americano também afirmou que Teerão "já desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa e as nossas bases no estrangeiro, e estão a trabalhar para construir mísseis que em breve chegarão aos Estados Unidos da América."

"Foram avisados para não fazerem tentativas futuras de reconstruir o seu programa de armamento, e em particular de armas nucleares, mas continuam. Estão a começar tudo de novo.", afirmou.

Teerão rejeitou as afirmações do presidente dos EUA como "grandes mentiras".

O Irão afirmou anteriormente que todas as bases militares americanas no Médio Oriente seriam consideradas alvos legítimos no caso de uma intervenção de Washington e também ameaçou atacar Israel, o que significa que uma nova guerra regional poderia eclodir no Médio Oriente.

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, disse numa entrevista na quarta-feira, antes de viajar para Genebra: "Não haveria vitória para ninguém - seria uma guerra devastadora."

"Uma vez que as bases americanas estão espalhadas por diferentes locais da região, infelizmente, talvez toda a região seja afetada e envolvida, pelo que se trata de um cenário terrível".

Mísseis balísticos: um ponto de discórdia

Na quarta-feira, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, referiu que era improvável um avanço nesta ronda de negociações.

Rubio afirmou que as conversações são importantes para avaliar a seriedade com que Teerão pretende chegar a um acordo para evitar uma potencial ação militar dos EUA, acrescentando que a recusa do Irão em discutir o seu programa de mísseis balísticos é um grande obstáculo.

"As conversações de amanhã centrar-se-ão em grande medida no programa nuclear e esperamos que possam ser feitos progressos", disse Rubio, antes de acrescentar que "também é importante lembrar que o Irão se recusa a falar sobre os mísseis balísticos connosco ou com qualquer outra pessoa, e isso é um grande problema."

"Mas se nem sequer se consegue fazer progressos no programa nuclear, será difícil fazer progressos também nos mísseis balísticos", conclui.

Em declarações aos jornalistas durante uma visita a São Cristóvão e Nevis, Rubio disse que os mísseis convencionais do Irão ameaçam "todas as nossas bases nos Emirados Árabes Unidos, no Qatar e no Bahrein, e também possuem meios navais que ameaçam a navegação e tentam ameaçar a Marinha dos EUA."

O Irão voltou a enriquecer urânio?

O Irão afirmou que não enriqueceu urânio desde o conflito de 12 dias com Israel, em junho, mas impediu os inspetores da AIEA de visitarem as instalações bombardeadas pelos EUA e por Israel.

Fotografias de satélite mostraram atividade em dois desses locais, sugerindo que o Irão está a tentar avaliar e potencialmente recuperar material nesses locais.

O Ocidente e a AIEA afirmam que o Irão teve um programa de armas nucleares até 2003. Antes do ataque de junho, o Irão estava a enriquecer urânio até 60% de pureza - um pequeno passo técnico em relação aos níveis de 90% para armas.

As agências de informação dos EUA avaliam que o Irão ainda não reiniciou um programa de armamento, mas "empreendeu atividades que o colocam em melhor posição para produzir um dispositivo nuclear, se assim o decidir". Apesar de insistirem que o seu programa é pacífico, os responsáveis iranianos ameaçaram nos últimos anos com a construção da bomba.

"O princípio é muito simples: o Irão não pode ter uma arma nuclear", disse o vice-presidente dos EUA, JD Vance, aos jornalistas na Casa Branca na quarta-feira.

Vance disse que Trump está a "enviar esses negociadores para tentar resolver esse problema" e "quer resolver esse problema diplomaticamente".

"Mas, é claro, o presidente também tem outras opções", acrescentou Vance.

Durante a última ronda de conversações, na quarta-feira passada, o Irão interrompeu brevemente o tráfego no Estreito de Ormuz, a estreita boca do Golfo Pérsico através da qual passa um quinto de todo o petróleo comercializado, para exercícios de fogo real.

No início das conversações, os meios de comunicação social do Irão anunciaram que as forças iranianas tinham disparado mísseis em direção ao estreito e que o iriam fechar durante várias horas por "questões de segurança e marítimas".

Ayatollah Ali Khamenei avisou que "o exército mais forte do mundo pode, por vezes, receber uma bofetada tal que não consegue voltar a pôr-se de pé."

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

Estudantes iranianos prolongam protestos antigovernamentais em Teerão

Trump não descarta ataque ao Irão numa altura em que projeto de acordo nuclear continua em negociação

Conversações nucleares entre os EUA e Irão são retomadas em Genebra