A Dinamarca vai realizar eleições antecipadas a 24 de março, com a primeira-ministra Mette Frederiksen a tentar obter um novo mandato após um tenso impasse com os EUA sobre a Gronelândia.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, anunciou na quinta-feira que o país vai realizar eleições legislativas a 24 de março, dando aos cidadãos a oportunidade de votar vários meses antes, após um tenso impasse com Washington sobre a Gronelândia.
Os eleitores irão determinar quem tem assento no parlamento dinamarquês, o Folketing, e eleger os seus 179 deputados.
A maior parte dos assentos no hemiciclo - 175 - está reservada aos deputados que representam os círculos eleitorais dinamarqueses, sendo os restantes quatro divididos entre os deputados dos dois territórios autónomos do Reino da Dinamarca, a Gronelândia e as Ilhas Faroé.
"Cabe-vos agora a vós, eleitores, decidir o rumo que a Dinamarca vai tomar nos próximos quatro anos. E estou ansiosa por isso", disse Frederiksen ao anunciar a eleição aos deputados na quinta-feira.
Na Dinamarca, as eleições gerais devem realizar-se pelo menos de quatro em quatro anos, mas o primeiro-ministro em exercício pode convocá-las em qualquer altura. As últimas eleições realizadas no país membro da NATO e da UE tiveram lugar em novembro de 2022, resultando numa coligação de três partidos, ultrapassando a divisão esquerda-direita.
Frederiksen, uma social-democrata de centro-esquerda, lidera o país desde meados de 2019. Atualmente, dirige um governo com o Partido Liberal, liderado pelo atual ministro da Defesa, Troels Lund Poulsen, e o Partido Moderado, centrista, liderado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Lars Løkke Rasmussen, que ocupou anteriormente o cargo de primeiro-ministro.
Um dos principais desafios para o governo de Frederiksen no último ano tem sido o desejo do presidente dos EUA, Donald Trump, de adquirir a Gronelândia, que culminou na sua ameaça, no mês passado, de impor novas tarifas a Copenhaga e a vários outros países da UE.
Trump argumentou que Washington precisa de adquirir a ilha no Atlântico Norte por razões de segurança nacional, uma vez que a Rússia e a China representam uma séria ameaça para a Gronelândia e para a região do Ártico, o que suscitou preocupações na Casa Branca.
A disputa terminou depois de Trump ter anunciado que tinha sido acordado um acordo-quadro para reforçar a segurança no Ártico, na sequência de conversações com o chefe da NATO, Mark Rutte, à margem do Fórum Económico Mundial em Davos.
Depois disso, os funcionários dos EUA, da Dinamarca e da Gronelândia iniciaram conversações técnicas sobre a implementação do acordo. Frederiksen e outros altos funcionários dinamarqueses têm afirmado repetidamente que a soberania do país não é negociável.
Na Conferência de Segurança de Munique, no início de fevereiro, Frederiksen disse que não acreditava que a crise tivesse passado, referindo que pensa que Washington ainda quer anexar a Gronelândia.