O Hezbollah recomeçou a atacar Israel há dez dias e as FDI responderam com bombardeamentos no Líbano. O último deles, no entanto, atingiu, sem aviso prévio, um prédio de apartamentos em Beirute que não está na área de influência do grupo xiita apoiado pelo Irão
O exército israelita lançou uma nova vaga de ataques contra as posições do Hezbollah em Beirute, com explosões a atingirem bairros do sul da capital libanesa.
De acordo com informações oficiais, as Forças de Defesa de Israel (FDI) bombardearam alvos ligados ao grupo xiita libanês numa zona afastada dos subúrbios do sul de Beirute na madrugada de quarta-feira. A área densamente povoada deAicha Bakkar, no centro da capital libanesa, onde foi bombardeado, sem aviso prévio, um prédio de apartamentos, não é, contudo, uma zona sob influência do Hezbollah. A imprensa libanesa deu conta de quatro vítimas mortais na sequência destes bombardeamentos, mas a informação carece de confirmação por entidades oficiais.
É a terceira ofensiva israelita fora dos bastiões do grupo xiita apoiado pelo Irão desde o início da guerra, segundo a Al Jazeera. As ordens de evacuação tinham sido emitidas para Dahiyeh, um subúrbio no sul de Beirute que reúne membros do Hezbollah.
As posições do Hezbollah no sul do Líbano estão também sob ataque constante do exército israelita desde que esta organização retomou o lançamento de rockets contra Israel, após uma pausa de mais de um ano devido às operações do Estado judaico contra o Irão, nomeadamente o assassinato do líder supremo do Estado persa, o Ayatollah Ali Khamenei.
Guerra entre Hezbollah e Israel ameaçou a própria existência do Líbano há pouco mais de um ano
Israel e o Hezbollah travaram uma batalha feroz durante a guerra de Gaza depois de o Hezbollah, apoiado pelo Hamas, ter ultrapassado os incidentes esporádicos na fronteira e lançado ataques devastadores com foguetes contra o sul de Israel em agosto de 2024. Em resposta, o exército israelita lançou uma ofensiva intensiva para eliminar as posições do Hezbollah.
Os combates causaram graves danos no sul e no leste do Líbano, bem como na capital Beirute. Centenas de pessoas foram mortas e mais de um milhão fugiram dos ataques mútuos em apenas algumas semanas. Em novembro de 2024, o então primeiro-ministro interino do Líbano avisou que a guerra entre o Hezbollah e as FDI já estava a ameaçar a própria existência do Líbano.
A guerra no Líbano chegou ao fim em novembro de 2024 graças aos esforços conjuntos do então presidente dos Estados Unidos (EUA), Joe Biden, e do presidente francês, Emmanuel Macron. No acordo de cessar-fogo alcançado na altura, que exigia que o governo libanês desarmasse o Hezbollah, o governo israelita estipulou que continuaria a atacar as posições do grupo no Líbano independentemente do acordo, se considerasse que existia uma ameaça por parte da organização terrorista.
Mesmo agora, muitos estão a fugir
O recrudescimento dos combates no final de fevereiro já deslocou pelo menos 780 mil libaneses, principalmente da capital Beirute e arredores, segundo o mais recente balanço do governo do Líbano.
Estes são os dados relativos aos refugiados conhecidos pelas autoridades, mas os observadores dizem que o número pode ser muito maior, porque nem todos estão registados na plataforma de deslocação online do executivo.
Pelo menos 570 pessoas no Líbano foram mortas e 1.444 ficaram feridas na mais recente escalada militar israelita, iniciada a 2 de março, informou o ministério da Saúde do país.