Agate de Sousa e Gerson Baldé sagraram-se campeões no salto em comprimento, enquanto Isaac Nader foi segundo nos 1.500 metros em Torun, na Polónia. Portugal alcança as 20 medalhas em Mundiais de pista curta
Portugal fez história na derradeira jornada dos Mundiais de pista curta de Torun na Polónia, ao arrecadar dois euros e uma prata. Agate de Sousa e Gerson Baldé chegaram ao topo do pódio no salto em comprimento, com Isaac Nader a sagrar-se vice-campeão mundial dos 1.500 metros.
No sexto e último ensaio, Baldé, de 26 anos, atingiu os 8,46 metros, num salto que representa um novo recorde nacional, o qual já lhe pertencia (8,32 metros), e a melhor marca mundial do ano.
O atleta que regressou ao Sporting após seis anos no Benfica ultrapassou a oposição do italiano Mattia Furlani, segundo classificado (8,39 metros), e do búlgaro Bozhidar Saraboyukov, que ficou no terceiro posto (8,31 metros).
“Tive de ter calma no último salto, o meu treinador disse sempre que eu tenho de ter muita calma, para ir descontraído, e que tudo ia correr bem. Claro que tenho tendência a ficar ansioso, mas respirei fundo e fazer o que tinha de fazer”, afirmou o saltador natural de Albufeira, na zona mista, em declarações citadas pela RTP.
Isaac Nader também deu aos portugueses um momento de glória ao terminar em segundo lugar nos 1.500 metros, com um tempo de 03.40,06, atrás do espanhol Mariano García, vencedor da prova (03.39,63). O australiano Adam Spencer garantiu o terceiro lugar (03.40,26).
O meio-fundista algarvio, de 26 anos, do Benfica, atual campeão do mundo ao ar livre (Tóquio 2025) e que este ano já tinha superado os recordes nacionais dos 800, 1.500 e 3.000 metros, melhorou os quartos lugares alcançados nas duas edições anteriores. Ainda assim, Nader não escondeu a desilusão por ter falhado o principal objetivo.
“Acho que neste momento não é fácil ganhar-me, mas a minha estratégia não era, realmente, o que acabou por acontecer e, a este nível, há alguns erros, dois ou três, que se pagam caro no final”, reconheceu.
Estreando-se em Mundiais "indoor", Agate de Sousa abriu o dia em grande para as cores lusas com um salto de ouro de 6,92 metros na quinta tentativa, ficando à frente da italiana Larissa Iapichino, com 6,87 metros (medalha de prata), e da colombiana Natalia Linares, com 6,80 metros (medalha de bronze).
“Cheguei a esta competição com o objetivo de bater o recorde nacional e acabei por vencer a medalha de ouro”, disse a atleta portuguesa, depois de receber a medalha de ouro na flash interview transmitida pela RTP.
Sousa chegou a esta final como líder mundial graças ao recorde pessoal em pista coberta de 6,97 metros que estabeleceu em Madrid no mês passado.
Aos 25 anos, Agate tem obtido bons desempenhos em eventos desportivos.
Em 2024, conquistou a medalha de bronze no Europeu de Roma e, em 2025, foi campeã dos Jogos Universitários Mundiais e foi sexta classificada nos mundiais de Tóquio, também em 2025.
“Hoje, não pensei nas minhas adversárias e limitei-me a competir contra mim mesma e contra mais ninguém”, afirmou a jovem que chegou a representar as cores de São Tomé nos Jogos Africanos antes de vir para Portugal estudar e treinar no Benfica.
Ao conquistar a medalha de ouro na Arena Toruń, Agate segue os passos da ex-campeã de 2008, Naide Gomes, que também cresceu em São Tomé e Príncipe antes de se mudar para Portugal.
“Esta é uma medalha de ouro, por isso tenho a certeza de que vai mudar a minha vida de forma positiva”, declarou a atleta à organização dos mundiais deste ano, na Polónia.
Para Portugal, é o melhor desempenho de sempre em Mundiais de atletismo: o quarto lugar no medalheiro, atrás dos Estados Unidos, do Reino Unido e de Itália, eleva o registo nacional para 20 metais, sete de ouro, seis de prata e sete de bronze. Pela primeira vez, o país segura três pódios na mesma edição do evento.