Sondagem à boca das urnas dá vitória ao primeiro-ministro liberal em funções, Robert Golob, face ao conservador de direita Janez Janša, admirador de Orbán e Trump, por uma margem mínima.
Os liberais deverão manter-se no poder na Eslovénia, segundo a sondagem à boca das urnas publicada no início da noite deste domingo, dando uma vantagem muito ligeira ao partido do primeiro-ministro em funções, Robert Golob, face aos conservadores de direita liderados por Janez Janša.
Estas legislativas antecipadas resume-se a dois protagonistas principais: o Movimento Liberdade, de Robert Golob, e o Partido Democrata Esloveno (SDS), de direita, liderado por Janez Janša, três vezes primeiro-ministro, aliado do chefe do governo húngaro, Viktor Orbán, e admirador do presidente norte-americano Donald Trump. Golob sucedeu a Janša em 2022, sendo então praticamente desconhecido na cena política eslovena.
Embora Janša surgisse inicialmente à frente de Golob nas sondagens, a diferença esbateu-se antes das eleições. A sondagem à boca das urnas dá ao partido de Golob uma vitória por 29,9 por cento, com os conservadores nos 27,5 por cento.
A confirmar-se este resultado, com nenhum dos dois partidos a conseguir uma maioria clara no parlamento de 90 lugares, isso torna os partidos mais pequenos decisivos na futura formação do governo.
Trata-se de um resultado que não é nada de invulgar na Eslovénia, "já que o eleitorado sempre esteve polarizado", segundo o sociólogo esloveno Samo Uhan.
Escândalo: houve interferência estrangeira?
Essa polarização intensificou-se com um escândalo político que rebentou poucos dias antes das eleições de domingo. Golob acusou 'serviços estrangeiros' de interferirem nas legislativas, depois de surgirem notícias de que representantes da empresa privada de espionagem israelita Black Cube teriam visitado o país em dezembro e reunido com o principal candidato da oposição.
Uma organização eslovena de direitos humanos, juntamente com um jornalista de investigação e dois investigadores, afirmou numa conferência de imprensa, na segunda-feira, que a Black Cube está por detrás de vídeos que mostram alegados casos de corrupção. Os vídeos foram imputados ao Partido Democrata Esloveno (SDS) de Janša.
No início do mês foram divulgadas várias conversas, gravadas em segredo, com um influente lobista esloveno, um advogado, um ex-ministro e um gestor. Os vídeos mostram estas pessoas, alegadamente, a sugerir formas de influenciar decisores do governo de coligação de centro-esquerda de Golob para acelerar procedimentos ou obter contratos.
Em comunicado, o SDS de Janša afirmou nunca ter ouvido falar da Black Cube. O líder conservador denunciou a "corrupção sem precedentes da elite de esquerda" revelada pelos vídeos.