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Quais são os novos acordos de defesa da Ucrânia com os países do Golfo? Eis o que Zelenskyy assinou

Soldados da 127.ª Brigada Territorial Separada operam um drone que procura drones de ataque russos na linha da frente na região de Kharkiv, no sábado, 14 de março de 2026.
Soldados da 127.ª Brigada Territorial Separada operam um drone que procura drones de ataque russos na linha da frente na região de Kharkiv, no sábado, 14 de março de 2026. Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Sasha Vakulina
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A Ucrânia assinou acordos de parceria no domínio da defesa, com duração de 10 anos, com três países do Golfo, durante a visita de Zelenskyy à região no fim de semana. O que é que os países do Golfo ganham com isto e o que é que a Ucrânia receberá em troca?

A Ucrânia concordou em fornecer aos Estados do Golfo o seu sistema completo de defesa aérea - incluindo drones marítimos, guerra eletrónica e tecnologia de interceção - para combater os drones iranianos, afirmou o presidente Volodymyr Zelenskyy na segunda-feira, ao regressar da sua visita à Arábia Saudita, aos Emirados Árabes Unidos, ao Qatar e à Jordânia.

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"Não se trata apenas de interceptores, mas também de linhas de defesa, software, sistemas de guerra eletrónica, etc. Por outras palavras, estamos a adotar uma abordagem sistémica", disse Zelenskyy.

Numa conversa de WhatsApp com jornalistas, Zelenskyy também confirmou que os drones marítimos da Ucrânia fazem parte dos acordos celebrados com a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Qatar.

A frota de drones navais de Kiev tem-se expandido nos últimos anos, e os drones marítimos ucranianos têm-se revelado eficazes a infligir pesadas perdas a instalações militares e navios russos no Mar Negro, como os drones Magura-V5, que têm sido utilizados para atacar a frota russa.

Zelenskyy referiu ainda que a Ucrânia está disposta a partilhar a sua experiência no desbloqueio de rotas comerciais marítimas com os drones navais.

"Partilhámos a nossa experiência com o corredor do Mar Negro e a forma como este funciona. Eles compreendem que as nossas Forças Armadas têm sido altamente eficazes no desbloqueio do corredor do Mar Negro. Estamos a partilhar estes detalhes."

Em entrevista à Euronews na passada sexta-feira, o enviado especial da UE para a região do Golfo, Luigi Di Maio, afirmou que a União Europeia apela à adoção do modelo de exportação de cereais do Mar Negro acordado entre a Rússia e a Ucrânia como método diplomático para desbloquear o Estreito de Ormuz.

Assinada inicialmente no verão de 2022, a Iniciativa de Cereais do Mar Negro é um acordo entre a Rússia, a Ucrânia, a Turquia e a ONU que permitiu a exportação segura de cereais dos portos ucranianos para os mercados mundiais, reduzindo os preços globais dos alimentos.

O acordo criou um corredor marítimo humanitário, mas a iniciativa foi revogada um ano depois, após a Rússia ter retirado a sua participação e afirmado que consideraria qualquer navio com destino à Ucrânia como um potencial alvo militar. No entanto, a Ucrânia estabeleceu, desde então, novas rotas de exportação.

Zelenskyy afirmou que esta questão foi levantada durante a sua visita ao Golfo, mas que está a ser "tratada pelos Estados Unidos".

"Estamos, evidentemente, sempre prontos a ajudar os nossos parceiros."

O que é que a Ucrânia ganha em troca?

Para a Ucrânia, os acordos com os países do Golfo representam uma oportunidade para abrir as suas exportações de armamento à escala global.

Zelenskyy anunciou em setembro que Kiev estava pronta para dar este passo tão aguardado, que transformaria a indústria de defesa do país e permitiria aos parceiros de Kiev aceder ao tipo de armamento mais raro – aquele que foi testado no campo de batalha.

E é por isso que é importante que os acordos tenham sido assinados por 10 anos, disse Zelenskyy.

"Trata-se de exportações e de abrir as exportações. Mas é o tipo certo de abertura, em que compreendemos que não estamos a vender a nossa experiência por nada."

A principal prioridade de Kiev é a defesa aérea da Ucrânia contra os mísseis balísticos russos. Zelenskyy afirmou que o seu país está a sentir a escassez de mísseis PAC-3 para os sistemas de defesa aérea Patriot.

Com apenas cerca de 60 unidades produzidas por mês, muitas são fornecidas ao Médio Oriente.

"Todos os pacotes antibalísticos – podemos ver como os parceiros estão a direcionar o maior número possível deles para onde a situação é mais intensa atualmente, principalmente o Médio Oriente."

Confirmou ainda que a questão tinha sido levantada durante a sua visita ao Golfo, mas recusou-se a fornecer mais pormenores.

"É claro que esta questão foi levantada nos países do Médio Oriente. Não vou entrar em pormenores. Continuaremos a trabalhar para garantir que a Ucrânia seja abastecida nesta área."

Entretanto, a Ucrânia continuará a "fazer tudo para garantir que temos os nossos próprios sistemas antibalísticos", afirmou o presidente ucraniano.

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