A organização recrutava vítimas na América Latina com falsas ofertas de emprego, cobrava por procedimentos irregulares e operava entre vários países europeus.
Uma operação conjunta da Polícia Nacional e da Polícia Judiciária portuguesa, coordenada pela Europol e pela Eurojust, levou ao desmantelamento de uma organização criminosa que introduzia trabalhadores estrangeiros em Espanha utilizando documentação falsa, informaram as autoridades espanholas na segunda-feira.
A rede terá recrutado mais de 1.000 pessoas, principalmente da Colômbia e do Peru, a quem foram oferecidos alegados empregos como soldadores em Portugal. No entanto, uma vez aceites as condições, eram transferidas para Espanha, onde trabalhavam em situação irregular, sem cobertura da segurança social e, em muitos casos, sem as medidas de segurança necessárias.
Engano, pagamentos e falta de proteção
As vítimas pagaram até 300 euros por procedimentos administrativos que muitas vezes não se concretizaram. Além disso, assinavam contratos em português sem compreender o seu conteúdo e eram instruídas a simular viagens turísticas quando atravessavam as fronteiras.
De acordo com a investigação, os trabalhadores não estavam inscritos na segurança social, o que os deixava completamente desprotegidos contra acidentes de trabalho ou doenças. As autoridades registaram mesmo vários incidentes resultantes da falta de equipamento de proteção adequado.
Para dar uma aparência de legalidade, a organização criou uma empresa em Sabadell (Barcelona) com o mesmo nome de uma empresa portuguesa. Através desta estrutura, subcontratavam serviços a empresas espanholas do setor metalúrgico, utilizando documentação falsificada, como certificados de viagem, registos fictícios na segurança social e autorizações de residência.
Detenções e âmbito internacional
A operação, que teve início em maio de 2025 e terminou em fevereiro de 2026, resultou na detenção de cinco pessoas na província de Barcelona, duas das quais foram colocadas em prisão preventiva. Foram também efetuadas buscas em Espanha e em Portugal, apreendidos veículos topo de gama e bloqueadas várias contas bancárias.
O presumível líder da rede, que operava a partir dos Emirados Árabes Unidos, foi detido com base num mandado internacional emitido pela Interpol. As autoridades sublinham que este caso põe em evidência a persistência de redes transnacionais de exploração laboral na Europa e sublinha a importância da cooperação internacional para combater o tráfico de seres humanos e o contrabando de trabalhadores.