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El Niño aproxima-se: temperaturas quase recorde do mar geram receios de mais calor global

Temperaturas do mar e do ar atingem valores quase recorde em abril
Temperaturas do mar e do ar atingem valores quase recorde em abril Direitos de autor  Unsplash / Callum Galloway
Direitos de autor Unsplash / Callum Galloway
De Craig Saueurs
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O último grande episódio de El Niño quebrou vários recordes de calor, e cientistas receiam que o aquecimento dos mares antecipe fenómenos meteorológicos ainda mais extremos.

Este mês de abril foi um dos mais quentes de que há registo, tanto em terra como no mar. Com os oceanos do planeta a voltar a aquecer, cientistas alertam que um forte El Niño pode fazer disparar ainda mais as temperaturas globais nos próximos meses.

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Em abril de 2026, registou-se a segunda temperatura mais elevada da superfície do mar alguma vez medida nos oceanos fora das regiões polares, segundo o Serviço de Alterações Climáticas Copernicus (fonte em inglês), da UE.

À escala global, abril foi também o terceiro mês de abril mais quente, em ex aequo, com temperaturas médias 1,43 ºC acima dos níveis pré-industriais – perigosamente perto do limite de 1,5 ºC fixado em 2015 ao abrigo do Acordo de Paris.

As conclusões reforçam a preocupação de que possa estar no horizonte um novo período de calor extremo à escala global, com oceanos anormalmente quentes a alimentarem fenómenos climáticos extremos.

Porque voltam a subir as temperaturas do mar?

A temperatura da superfície do mar é um dos indicadores mais claros do excesso de calor que o planeta está a absorver.

Dados do Copernicus mostram que, em grande parte do oceano global, a temperatura média da superfície do mar atingiu 21 ºC em abril – o segundo valor mais elevado alguma vez registado para este mês. Só abril de 2024, durante o último grande El Niño, foi mais quente.

Algumas zonas do Pacífico tropical estavam particularmente quentes, com temperaturas recorde desde o Pacífico central até às costas ocidentais dos Estados Unidos e do México. Cientistas descreveram essas condições como ondas de calor marinhas intensas, um sinal de alerta para o aumento de calor que se acumula nos oceanos do planeta, em grande medida devido às alterações climáticas provocadas pelo homem.

Os oceanos do mundo absorveram mais de 90 por cento do excesso de calor retido pelas emissões de gases com efeito de estufa desde 1970, segundo o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas. Oceanos mais quentes podem intensificar tempestades, danificar ecossistemas marinhos e perturbar padrões meteorológicos em todo o mundo.

Samantha Burgess, responsável estratégica para o clima no Centro Europeu de Previsão do Tempo a Médio Prazo (ECMWF (fonte em inglês)), afirmou que os dados de abril mostram “um sinal claro de aquecimento global persistente”.

“A temperatura da superfície do mar esteve perto de níveis recorde, com ondas de calor marinhas generalizadas, o gelo marinho no Árctico manteve-se muito abaixo da média e a Europa registou fortes contrastes de temperatura e precipitação”, referiu em comunicado.

“Tudo sinais de um clima cada vez mais moldado por extremos.”

O que é um «super El Niño»?

Cientistas acompanham agora de perto a possível formação, ainda este ano, de um potencialmente devastador “super El Niño”.

El Niño (expressão espanhola que significa «o menino») é um padrão climático natural desencadeado por temperaturas anormalmente elevadas na superfície do mar do oceano Pacífico. Costuma fazer subir as temperaturas globais e pode influenciar os padrões meteorológicos em todo o mundo, provocando secas em algumas regiões e cheias noutras.

Previsões do ECMWF apontam para que, no Pacífico central junto ao equador, a temperatura do oceano possa subir até 3 ºC acima da média até ao outono. Se tal se confirmar, ficará entre os episódios de El Niño mais intensos de que há registo.

Os investigadores tendem a classificar como “super El Niño” um episódio em que a temperatura do oceano Pacífico sobe pelo menos 2 ºC acima da média. Porém, o termo não é usado formalmente pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

O último grande episódio de El Niño, em 2024, contribuiu para uma sucessão de recordes de calor à escala global. Os cientistas receiam que um novo fenómeno, somado ao aquecimento do clima, possa trazer fenómenos meteorológicos ainda mais extremos.

Já em abril, cheias graves atingiram partes da Península Arábica, o Irão e o Afeganistão, enquanto as condições de seca se agravaram no sul de África. Formaram-se também ciclones tropicais em várias zonas do Pacífico.

Europa enfrenta cenário climático dividido

A Europa viveu dois tipos de abril bem distintos. Enquanto o sudoeste do continente registou condições muito mais quentes do que o normal, com Espanha a registar o abril mais quente de sempre, o leste da Europa esteve mais fresco do que a média.

Como um todo, o continente terminou o mês como apenas o décimo abril mais quente de que há registo, mas esse número esconde fortes contrastes regionais e a evolução recente.

Um relatório recente do Copernicus concluiu que, em 2025, pelo menos 95 por cento da Europa registou temperaturas acima da média. As novas conclusões somam-se a um conjunto crescente de provas que apontam para uma crise climática em aceleração em todo o continente.

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