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Estados Unidos: Câmara aprova resolução para travar ações militares de Trump

Foto de arquivo – sessão conjunta do Congresso para confirmar os votos do Colégio Eleitoral e certificar a vitória de Donald Trump nas presidenciais, 6 jan. 2025
Foto de arquivo - sessão conjunta do Congresso que confirmou a vitória eleitoral de Donald Trump, a 6 de janeiro de 2025. Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Jerry Fisayo-Bambi com AP
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Os deputados da Câmara aprovaram a resolução por 215-208, com quatro republicanos a juntarem-se aos democratas, numa votação que desencadeou aplausos no hemiciclo e constitui uma clara censura à estratégia de guerra de Trump

Pela primeira vez em três meses, um pequeno grupo de republicanos juntou-se aos democratas na Câmara dos Representantes para aprovar uma resolução sobre poderes de guerra que travaria a ação militar de Washington contra o Irão, desafiando o presidente Donald Trump.

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A iniciativa visa pôr fim ao conflito que dura há três meses e que tem reconfigurado a política dentro e fora dos Estados Unidos.

Os deputados da Câmara aprovaram a resolução por 215 votos contra 208, mas os passos seguintes são incertos, uma vez que se espera que Trump vete qualquer medida do Congresso que limite os seus poderes de comandante supremo.

Ainda assim, o resultado, com quatro republicanos a juntarem-se aos democratas, representou uma censura à estratégia de guerra do presidente e foi recebido com aplausos no hemiciclo.

“Já chega”, afirmou o congressista Gregory Meeks, de Nova Iorque, principal democrata na Comissão dos Negócios Estrangeiros da Câmara, que liderou a iniciativa.

“É tempo de o presidente fazer o que está certo”, acrescentou. “As pessoas estão cansadas de sofrer por causa desta guerra que ele escolheu — pagam mais na bomba de gasolina e pagam mais nos supermercados.”

Aumenta oposição à guerra

É a quarta vez que a Câmara tenta limitar a guerra dos Estados Unidos contra o Irão. O presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Mike Johnson, tentou evitar um resultado que tornasse visível a oposição crescente ao conflito, encerrando de forma abrupta os trabalhos em plenário há duas semanas, quando a resolução estava prestes a ser aprovada. Mas o descontentamento só aumentou à medida que a guerra se arrasta e que Trump luta para negociar um plano de paz.

O Senado fez avançar a sua própria resolução sobre poderes de guerra quando um pequeno grupo de senadores republicanos rompeu com o presidente, numa rara demonstração de oposição interna no Partido Republicano.

Mas, sempre que os democratas levaram de novo a votos a resolução sobre poderes de guerra, o número de apoios tem aumentado ligeiramente, à medida que cresce o desconforto político com a guerra conduzida pelos Estados Unidos.

O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, republicano da Luisiana, fala com jornalistas no Capitólio, em Washington, acompanhado por líderes do Partido Republicano, quarta-feira, 3 de junho de 2026. (Foto AP/J. Scott Applewhite)
O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, republicano da Luisiana, fala com jornalistas no Capitólio, em Washington, acompanhado por líderes do Partido Republicano, quarta-feira, 3 de junho de 2026. (Foto AP/J. Scott Applewhite) J. Scott Applewhite/Copyright 2026 The AP. All rights reserved

Trump concorreu à Casa Branca prometendo pôr fim aos envolvimentos militares dos Estados Unidos no estrangeiro e concentrar-se mais em questões internas, mas a guerra voltou a recentrar as atenções no Médio Oriente.

Esta quarta-feira, Johnson garantiu que Trump está “totalmente concentrado” na frente interna, sobretudo com a aproximação das eleições intercalares que vão decidir o controlo do Congresso.

O presidente da Câmara dos Representantes disse ter passado três horas esta semana na Casa Branca com o chefe de Estado e que Trump está a pedir aos aliados que ajudem a reabrir o estreito de Ormuz e a retomar o fluxo comercial.

Desde que os Estados Unidos se juntaram a Israel nos ataques de 28 de fevereiro contra o Irão, os norte-americanos têm assistido a uma subida acentuada dos preços dos combustíveis, o que aumenta a pressão inflacionista sobre o consumo.

O Irão conseguiu perturbar o tráfego marítimo no estreito de Ormuz, uma passagem vital para uma parte significativa do petróleo, do gás natural e de produtos associados, como fertilizantes, que circulam no mundo.

Congresso reforça autoridade sobre poderes de guerra

A resolução sobre poderes de guerra aprovada na Câmara não travaria de imediato o conflito, mas representaria um passo simbólico — se não jurídico — contra uma nova escalada militar.

A resolução segue agora para o Senado, onde, no mês passado, quatro senadores republicanos se juntaram aos democratas para fazer avançar uma medida semelhante, destinada a limitar a campanha dos Estados Unidos contra o Irão. O Senado ainda não realizou a votação final para aprovar ou rejeitar a sua própria resolução sobre poderes de guerra.

Entretanto, o secretário de Estado, Marco Rubio, advertiu esta quarta-feira, numa audição na Comissão dos Negócios Estrangeiros da Câmara, que os iranianos poderiam concluir que as “mãos da administração vão ficar atadas” se o Congresso aprovar uma resolução sobre poderes de guerra. Segundo disse, Teerão pensaria: “Não vão conseguir fazer-nos nada, por isso porque haveríamos de chegar a um acordo?”

Embora o Congresso tenha, pela Constituição, a competência para declarar guerra, o presidente dispõe, como comandante supremo, de poderes para ordenar ações militares, o que gera um conflito jurídico sobre que órgão de soberania tem a última palavra em matéria de guerra e paz. Se o Senado se juntar à Câmara na aprovação da resolução, poderá abrir-se caminho a um novo teste judicial aos poderes de guerra.

A Lei dos Poderes de Guerra dá à Casa Branca sessenta dias para pedir ao Congresso autorização para recorrer à força militar. No entanto, a administração Trump sustenta que as hostilidades terminaram porque foi declarado um cessar-fogo na atual guerra com o Irão.

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