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Um militar morto e dois feridos em bombardeamento da missão de paz da ONU no Líbano

Veículos do contingente espanhol destacados no sul do Líbano
Viaturas do contingente espanhol destacado no sul do Líbano Direitos de autor  Copyright 2006 AP. All rights reserved.
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De Gabriele Barbati & Evelyn Ann-Marie Dom
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A missão de paz da ONU classificou os ataques contra capacetes azuis como "graves violações do direito internacional humanitário" e abriu um inquérito. A origem do fogo de artilharia permanece desconhecida.

Morreu esta quinta-feira um capacete azul das Nações Unidas, na sequência dos ferimentos sofridos na noite anterior, quando um bombardeamento de artilharia atingiu a sua base perto de Marjayoun, no sudeste do Líbano, indicou a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL).

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Outros dois capacetes azuis ficaram feridos e estão a receber tratamento numa unidade médica da base da UNIFIL.

“As autoridades sérvias confirmaram que o militar era de nacionalidade sérvia e tinha recebido cuidados médicos de emergência depois de a sua base ter sido atacada. Foi depois transportado de helicóptero para um hospital em Beirute, onde acabou por morrer”, indicou a missão de manutenção da paz da ONU em comunicado.

“Ataques deliberados contra capacetes azuis constituem graves violações do direito internacional humanitário e da Resolução 1701 do Conselho de Segurança, e podem configurar crimes de guerra”, acrescentou.

O ataque soma-se a vários incidentes semelhantes registados nos últimos meses, alguns deles mortais, desde o início da guerra com o Irão e a retoma dos confrontos entre o Hezbollah, baseado no Líbano, e Israel.

“A UNIFIL detetou um número cada vez maior de trajetórias e impactos no sul do Líbano”, escreveu a missão de manutenção da paz da ONU, apelando ao fim da violência.

As circunstâncias e responsabilidades do ataque estão a ser investigadas pela UNIFIL, que perdeu sete capacetes azuis no Líbano desde a reativação dos combates em março.

“Não é claro de onde partiram os disparos de artilharia, mas o sucedido ocorre numa altura em que se intensificam as trocas de fogo entre militares israelitas no sul do Líbano e combatentes do Hezbollah que não integram o exército libanês”, afirmou a UNIFIL.

Na quarta-feira, Israel e o Líbano chegaram a um cessar-fogo condicionado após uma quarta ronda de negociações em Washington.

O Hezbollah, que não participou nas conversações, rejeitou o plano de cessar-fogo, enquanto Israel retomou, esta quinta-feira, os ataques no sul do Líbano.

A UNIFIL foi criada em 1978 para supervisionar a retirada das tropas israelitas do sul do Líbano após a invasão israelita. Atualmente, cerca de 7.500 capacetes azuis operam ao longo da Linha Azul, uma faixa de demarcação com 120 quilómetros, que continua a servir de zona tampão entre o Líbano e Israel.

Segundo a UNIFIL, os capacetes azuis destacados vêm de quase 50 países, incluindo 170 da Sérvia.

No final de março, um capacete azul indonésio morreu e outro acabou por sucumbir aos ferimentos depois de um projétil ter atingido a sua base. Uma investigação preliminar da ONU concluiu que o militar foi morto por um disparo de um carro de combate israelita.

Capacetes azuis franceses patrulham o vale de Suluki, 20 de agosto de 2025
Capacetes azuis franceses patrulham o vale de Suluki, 20 de agosto de 2025 AP Photo

No dia seguinte, mais dois capacetes azuis indonésios morreram devido a um engenho explosivo improvisado. A mesma investigação da ONU concluiu que o Hezbollah era provavelmente responsável.

Algumas semanas depois, já em abril, dois capacetes azuis franceses morreram numa emboscada que o presidente Emmanuel Macron e a ONU atribuíram ao Hezbollah, que negou qualquer envolvimento.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, sublinhou na segunda-feira que os capacetes azuis continuarão a ser necessários no Líbano, mesmo depois de o mandato da UNIFIL expirar no final do ano. A sugestão deverá enfrentar resistência dos Estados Unidos e de Israel, que têm reiteradamente apelado ao fim da missão.

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