A missão de paz da ONU classificou os ataques contra capacetes azuis como "graves violações do direito internacional humanitário" e abriu um inquérito. A origem do fogo de artilharia permanece desconhecida.
Morreu esta quinta-feira um capacete azul das Nações Unidas, na sequência dos ferimentos sofridos na noite anterior, quando um bombardeamento de artilharia atingiu a sua base perto de Marjayoun, no sudeste do Líbano, indicou a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL).
Outros dois capacetes azuis ficaram feridos e estão a receber tratamento numa unidade médica da base da UNIFIL.
“As autoridades sérvias confirmaram que o militar era de nacionalidade sérvia e tinha recebido cuidados médicos de emergência depois de a sua base ter sido atacada. Foi depois transportado de helicóptero para um hospital em Beirute, onde acabou por morrer”, indicou a missão de manutenção da paz da ONU em comunicado.
“Ataques deliberados contra capacetes azuis constituem graves violações do direito internacional humanitário e da Resolução 1701 do Conselho de Segurança, e podem configurar crimes de guerra”, acrescentou.
O ataque soma-se a vários incidentes semelhantes registados nos últimos meses, alguns deles mortais, desde o início da guerra com o Irão e a retoma dos confrontos entre o Hezbollah, baseado no Líbano, e Israel.
“A UNIFIL detetou um número cada vez maior de trajetórias e impactos no sul do Líbano”, escreveu a missão de manutenção da paz da ONU, apelando ao fim da violência.
As circunstâncias e responsabilidades do ataque estão a ser investigadas pela UNIFIL, que perdeu sete capacetes azuis no Líbano desde a reativação dos combates em março.
“Não é claro de onde partiram os disparos de artilharia, mas o sucedido ocorre numa altura em que se intensificam as trocas de fogo entre militares israelitas no sul do Líbano e combatentes do Hezbollah que não integram o exército libanês”, afirmou a UNIFIL.
Na quarta-feira, Israel e o Líbano chegaram a um cessar-fogo condicionado após uma quarta ronda de negociações em Washington.
O Hezbollah, que não participou nas conversações, rejeitou o plano de cessar-fogo, enquanto Israel retomou, esta quinta-feira, os ataques no sul do Líbano.
A UNIFIL foi criada em 1978 para supervisionar a retirada das tropas israelitas do sul do Líbano após a invasão israelita. Atualmente, cerca de 7.500 capacetes azuis operam ao longo da Linha Azul, uma faixa de demarcação com 120 quilómetros, que continua a servir de zona tampão entre o Líbano e Israel.
Segundo a UNIFIL, os capacetes azuis destacados vêm de quase 50 países, incluindo 170 da Sérvia.
No final de março, um capacete azul indonésio morreu e outro acabou por sucumbir aos ferimentos depois de um projétil ter atingido a sua base. Uma investigação preliminar da ONU concluiu que o militar foi morto por um disparo de um carro de combate israelita.
No dia seguinte, mais dois capacetes azuis indonésios morreram devido a um engenho explosivo improvisado. A mesma investigação da ONU concluiu que o Hezbollah era provavelmente responsável.
Algumas semanas depois, já em abril, dois capacetes azuis franceses morreram numa emboscada que o presidente Emmanuel Macron e a ONU atribuíram ao Hezbollah, que negou qualquer envolvimento.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, sublinhou na segunda-feira que os capacetes azuis continuarão a ser necessários no Líbano, mesmo depois de o mandato da UNIFIL expirar no final do ano. A sugestão deverá enfrentar resistência dos Estados Unidos e de Israel, que têm reiteradamente apelado ao fim da missão.