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Europa: onda de calor encerra escolas, leva a proibição de álcool e abranda comboios

Um letreiro à porta de uma farmácia indica uma temperatura de 37 graus Celsius (98,6 graus Fahrenheit) em Paris, domingo, 21 de junho de 2026.
Painel à porta de uma farmácia indica 37 graus Celsius (98,6 graus Fahrenheit), em Paris, domingo, 21 de junho de 2026. Direitos de autor  AP Photo/Michel Euler
Direitos de autor AP Photo/Michel Euler
De Angela Symons
Publicado a Últimas notícias
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Preveem-se temperaturas a rondar os 40 ºC em muitas regiões europeias, numa segunda onda de calor em menos de um mês.

Escolas encerradas, álcool proibido e comboios suprimidos: a onda de calor que se agrava na Europa está a paralisar o quotidiano.

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Prevê-se que as temperaturas atinjam os 45 °C em partes de Espanha, onde a primeira onda de calor oficial de 2026 começou no domingo, com alertas meteorológicos vermelhos e laranja em todo o país.

Mais de metade de França está igualmente em alerta vermelho, enquanto o país enfrenta o segundo episódio de calor extremo do ano, com mortes ligadas ao calor já registadas durante o fim de semana. O Reino Unido está também sob um aviso de temperaturas muito elevadas, com máximas de 38 °C previstas para o sul. Alemanha, Itália, Portugal e Suíça estão entre os restantes países também confrontados com calor extremo.

“As alterações climáticas provocadas pelo ser humano criaram a base para este episódio, carregando a atmosfera com calor extra e tornando as temperaturas extremas muito mais intensas do que seriam no passado”, afirma Akshay Deoras, investigador sénior no National Centre for Atmospheric Science da Universidade de Reading, no Reino Unido, à agência francesa AFP.

Mais de 62 mil pessoas morreram por causas relacionadas com o calor em toda a Europa durante 2024 – o ano mais quente de que há registo no continente –, um número que os especialistas avisam que deverá aumentar à medida que as temperaturas continuam a subir.

Idosos, crianças pequenas e pessoas com doenças pré-existentes enfrentam o maior risco, tal como as centenas de milhares de trabalhadores sazonais ao ar livre na Europa, a maioria deles migrantes.

França encerra escolas à medida que onda de calor se intensifica

Em França, as autoridades encerraram na segunda-feira 845 escolas e outras 1.800 vão deixar os alunos sair mais cedo do que o habitual, avança a AFP.

Isto acontece apenas uma semana depois de o ministro francês da Educação, Édouard Geffray, ter proposto alterar os horários dos exames para que não decorram nas horas de maior calor, face ao início cada vez mais precoce e intenso das ondas de calor no país.

Desde então, as autoridades regionais da Île-de-France anunciaram um apoio de 1 milhão de euros para 500 centros de exame adquirirem material de arrefecimento, como ventoinhas e sistemas de pulverização de água.

No Reino Unido, ainda não foram anunciados encerramentos em massa, mas algumas escolas flexibilizaram as regras de uniforme para aumentar o conforto dos alunos e estão a ser feitas avaliações de risco para proteger crianças e professores.

O Comité das Alterações Climáticas (CCC) do Reino Unido apelou recentemente à instalação de ar condicionado em todas as escolas nos próximos 25 anos, perante a previsão de agravamento do calor extremo. Embora o ar condicionado possa ser vital para salvar vidas durante ondas de calor intensas, também agrava o problema ao libertar CO2 e refrigerantes que aquecem o planeta.

França e Bélgica reduzem serviços ferroviários

Passageiros em Paris e na Bélgica enfrentam reduções nos serviços de comboios no início desta semana para diminuir o risco de avarias que possam bloquear as vias.

Deformações na via, incêndios nos taludes e cabos de alimentação a ceder estão entre os riscos que afetam as redes ferroviárias à medida que as temperaturas sobem.

Na Île-de-France, onde um em cada dez comboios foi suprimido esta segunda-feira para proteger infraestruturas ferroviárias sobreaquecidas, a presidente da região, Valérie Pécresse, desaconselhou viagens desnecessárias e apelou ao teletrabalho, segundo a AFP.

Alguns operadores ferroviários britânicos ajustaram igualmente os serviços, com menos comboios e tempos de viagem ligeiramente mais longos previstos para os períodos mais quentes de cada dia. O calor extremo pode fazer com que os carris dilatem e se deformem e, quando as temperaturas atingem determinados limites, os comboios têm de circular mais devagar para garantir a segurança, explica a Great Western Railway (GWR).

Avisos para banhos e proibições de álcool

O festival anual de música de rua Fête de la Musique realizou-se em França no fim de semana, apesar do calor, mas o governo proibiu o consumo de álcool em espaços públicos sob alerta vermelho para reduzir o risco de desidratação. Alguns eventos foram cancelados ou transferidos para espaços interiores para proteger do calor.

Em Paris, os participantes nas festas refrescaram-se no Canal Saint-Martin, que abriu a banhos em 17 de junho. As autoridades recomendaram, porém, extrema cautela ao nadar em rios e lagos, depois de França e Alemanha terem registado um aumento de afogamentos durante o fim de semana.

Pede-se aos banhistas que se mantenham em zonas vigiadas, onde há nadadores-salvadores de serviço, que evitem saltar para rios com correntes fortes e que tenham cuidado com o choque térmico, entrando na água devagar para dar tempo ao corpo de se adaptar à mudança de temperatura.

Incêndios florestais obrigam a evacuações em França

O calor intenso está também a agravar o risco de incêndios florestais e de seca nos países afetados, sobretudo porque os solos continuam ressequidos após a onda de calor de maio. Isso faz com que as temperaturas à superfície subam mais depressa do que o normal e significa que há muita vegetação seca para alimentar os fogos.

Em França, a ameaça já se está a concretizar: um incêndio no departamento de Cher, em alerta vermelho de onda de calor desde domingo, queimou 25 hectares de culturas e obrigou cerca de 50 pessoas a evacuar, segundo a AFP.

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