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França: Mbappé assume liderança dos "Bleus" dentro e fora de campo no Mundial

Kylian Mbappé celebra após a vitória da França sobre Marrocos nos quartos de final do Mundial de futebol em Foxborough, perto de Boston, a 9 de julho de 2026
Kylian Mbappé celebra a vitória da França sobre Marrocos nos quartos-de-final do Mundial de futebol em Foxborough, perto de Boston, a 9 de julho de 2026. Direitos de autor  (AP Photo/Martin Meissner)
Direitos de autor (AP Photo/Martin Meissner)
De Etienne Paponaud com AP
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O capitão da seleção francesa, que defronta a Espanha terça-feira nas meias-finais do Mundial, soma golos e exibições coletivas de alto nível. Kylian Mbappé afirma-se também fora do relvado, pelas posições que assume.

Desde o início do Mundial soma exibições de grande nível, mostrando em cada jogo o caminho à sua equipa. Com oito golos desde o começo da competição e desempenhos consistentes ao serviço do coletivo francês, Kylian Mbappé não é apenas líder dentro de campo.

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"É preciso combater esta ideia de que um futebolista deve limitar-se a jogar e a ficar calado", garantia o jovem à revista Vanity Fair, em meados de maio. Uma posição que destoa no universo do futebol de alto nível, onde os profissionais tendem a expressar-se da forma mais consensual possível.

Kylian Mbappé, pelo contrário, não hesita em defender as suas posições, em especial perante discriminações ou a ascensão da extrema-direita, como mostrou na resposta aos ataques racistas de uma senadora paraguaia.

Envolvido mais uma vez, apesar de si, numa polémica extra-desportiva em pleno Mundial, o capitão da seleção francesa respondeu diretamente às declarações racistas de uma senadora paraguaia. "Nunca deixarei que pessoas como ela tenham a liberdade de espalhar o seu ódio e o seu racismo pelo mundo", escreveu na rede X.

Mbappé assume posições públicas

Avançado da seleção francesa, nunca se mostrou reticente quando se trata de assumir posições em público. Enquanto muitos desportistas preferem manter silêncio sobre as suas opiniões políticas, ele posiciona-se contra a extrema-direita.

Na entrevista concedida à Vanity Fair, manifestou preocupação com uma eventual vitória do Rassemblement National (RN) nas eleições presidenciais de 2027: "As pessoas pensam por vezes que, porque temos dinheiro, porque somos famosos, este tipo de problema não nos afeta. A mim, afeta-me, sei o que isso significa e que consequências pode ter para o meu país quando pessoas como eles chegam ao poder".

Kylian Mbappé reivindicava então antes de mais o seu papel de "cidadão" e só depois o de estrela do futebol. Já em 2024 considerara "catastrófico" o sucesso do RN na primeira volta das eleições legislativas antecipadas.

Mbappé assume o seu estatuto

Ao longo dos anos, o jogador do Real Madrid tornou-se porta-voz contra os ataques racistas de que os futebolistas são regularmente alvo. Quando o seu companheiro Vinicius Jr foi insultado de "macaco" por um adversário em campo, considerou que este "não merecia" disputar a Liga dos Campeões.

Natural de Bondy, filho de pai camaronês e de mãe argelina, Kylian Mbappé rapidamente se tornou um modelo de sucesso e de esperança para uma parte da juventude francesa, sobretudo nos bairros populares.

Nas ruas de Seine-Saint-Denis, o departamento mais pobre da França metropolitana, um mural pintado numa fachada alimenta os sonhos de glória dos jovens da sua terra natal. Estatuto que o próprio sempre assumiu.

"Felizmente para nós, sonhar não custa muito […] Nunca te esqueças disso, mesmo que alguém te diga o contrário", escrevia numa carta, em 2020, dirigida "às crianças de Bondy, da Île-de-France, dos subúrbios" e assinada "Kylian de Bondy".

Questionado sobre as críticas dirigidas aos jogadores da seleção francesa devido às suas origens, responde com diplomacia: "Somos franceses! O francês gosta de se queixar", antes de acrescentar: "O nosso objetivo [...] é tentar dar a melhor imagem possível do nosso país".

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