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Irão executa homem por protestos de janeiro e aperta repressão

ARQUIVO: Um agente da polícia iraniana monta guarda na rua Azadi (Liberdade), em Teerão, a 1 de agosto de 2024
ARQUIVO: Agente da polícia iraniana monta guarda na rua Azadi («Liberdade»), em Teerão, 1 de agosto de 2024 Direitos de autor  AP Photo
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De Euronews Persian
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Mohammad Amini Dehaghani foi condenado por incendiar o gabinete do governador em Isfahan, a 9 de janeiro, enquanto a Amnistia Internacional acusa o Irão de usar o contexto de guerra como pretexto para acelerar execuções de motivação política.

O Irão executou um homem condenado por incendiar um edifício governamental durante os protestos de janeiro de 2026, noticiou na quarta-feira a agência Mizan, órgão do poder judicial, na mais recente de uma série de execuções ligadas à vaga de contestação que fez milhares de mortos.

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Segundo a Mizan, Mohammad Amini Dehaghani foi enforcado depois de o Supremo Tribunal ter confirmado a sentença de morte, indicando que todos os trâmites legais tinham sido concluídos e que o julgamento decorreu na presença de um advogado.

Não foram divulgados pormenores sobre a data em que foi detido, quando a pena de morte foi decretada ou quanto tempo durou o processo.

O poder judicial afirmou que ele atirou um cocktail molotov contra o gabinete do governador em Dehaghan, na província de Isfahan, em 9 de janeiro de 2026, incendiou o edifício, atacou uma esquadra de polícia, bloqueou estradas e danificou bens públicos.

Os investigadores apontaram imagens de videovigilância e aquilo que descreveram como confissões do arguido como provas.

O poder judicial acusou-o ainda de distribuir propaganda contra o governo, contactar contas nas redes sociais ligadas à família real Pahlavi, comunicar online com ativistas anti-governamentais e divulgar material destinado a "perturbar a opinião pública".

Foi condenado à morte por "moharebeh", uma categoria jurídica específica na República Islâmica que representa uma infração grave e que se pode traduzir, de forma aproximada, por "guerra contra Deus", e por "efsad-e fel-arz", ou "corrupção na Terra".

As acusações incluíam a alegação de que usou uma espingarda Kalashnikov, alegadamente retirada às forças de segurança durante aquilo a que os média estatais iranianos chamam a "tentativa de golpe de Dey", expressão usada pelas autoridades para descrever os protestos de janeiro.

Depois de protestos de grande escala, desencadeados por uma hiperinflação súbita em dezembro passado, se terem alargado a todo o país no mês seguinte, o regime de Teerão lançou uma repressão sangrenta contra os manifestantes, resultando num balanço de mortos que continua impossível de verificar de forma independente.

As autoridades iranianas apontam para 3.117 mortos, enquanto a organização de direitos humanos HRANA afirma ter confirmado 7.007 vítimas mortais. Estimativas oficiosas e não confirmadas chegam às 40.000.

Organizações de direitos humanos têm repetidamente denunciado que os arguidos em casos relacionados com os protestos são julgados em processos opacos, muitas vezes sem acesso a representação legal independente, e que as condenações assentam frequentemente em confissões alegadamente obtidas sob tortura.

A Amnistia Internacional afirmou que as autoridades iranianas estão a usar "condições de tempo de guerra" como pretexto para intensificar a repressão através de detenções em massa, julgamentos acelerados, execuções de motivação política e confiscação de bens.

As Nações Unidas indicaram, no início deste ano, que o Irão tinha executado pelo menos 40 pessoas no primeiro semestre de 2026, incluindo 18 em processos relacionados com a segurança nacional.

Em paralelo, o poder judicial iraniano anunciou na terça-feira que executou dois homens, Mohyeddin Abdollahi e Hossein Palani, condenados por pertença ao grupo terrorista autodenominado Estado Islâmico e por acusações incluindo "baghi", termo que significa "rebelião armada", e a prática de ações armadas contra a República Islâmica.

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