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Itália quer Guardiola: a aposta no técnico que revolucionou o futebol

Guardiola assina pelo Manchester City
Guardiola chega ao Manchester Direitos de autor  AP Photo
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De Stefania De Michele
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Dirigentes da seleção italiana estiveram em Barcelona para apresentar um projeto a Pep Guardiola. Itália sonha com o treinador catalão para regressar aos Mundiais e relançar o futebol italiano com ideias que revolucionaram o futebol moderno

De simples hipótese a possibilidade concreta. Itália tenta convencer Pep Guardiola a assumir o cargo de novo selecionador nacional, com Paolo Maldini e Leonardo a apresentarem ao treinador catalão o projeto desportivo da Federação Italiana de Futebol (FIGC).

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Uma candidatura que confirma a vontade – por parte da nova liderança do presidente Giovanni Malagò, com Maldini como diretor técnico e Leonardo consultor – de abrir um novo ciclo, entregando o comando a um dos treinadores mais influentes da era moderna.

Independentemente da resposta de Guardiola, a mensagem é clara: o futebol italiano volta a olhar para a escola espanhola, hoje mais do que nunca uma referência a nível internacional. Não é por acaso.

Depois do domínio do Manchester City nos últimos anos e do triunfo da Espanha no Mundial, o modelo espanhol – incluindo o de Guardiola, em permanente evolução – continua a ser visto como o caminho a seguir para construir um futebol moderno, ofensivo e capaz de potenciar os talentos.

Viagem de Maldini e Leonardo a Barcelona

De acordo com uma notícia exclusiva da Sky Sport Itália, os dois responsáveis da seleção passaram o fim de semana na cidade catalã para apresentarem a Pep um projeto de quatro anos, pensado já para a próxima Nations League, com o objetivo de reconstruir um grupo capaz de competir pelo Euro 2028 e de se qualificar, após três edições falhadas, para o Mundial de 2030.

Segundo apurou o canal italiano, o problema principal não seria tanto o salário do treinador catalão – elevadíssimo para os padrões da seleção – mas sobretudo a questão do projeto, ligada em particular ao futuro do futebol italiano e às reformas de todo o movimento, para fazer nascer uma nova seleção italiana.

Guardiola, apaixonado por Itália desde os tempos em que jogava ao lado de Roberto Baggio no Brescia, afirmou estar aberto a uma experiência diferente, como poderia ser precisamente uma seleção, depois de ter conquistado títulos a nível de clubes por toda a Europa (com Barcelona, Bayern Munique e Manchester City), mas também que se tinha preparado para um longo período dedicado à família.

Como jogava o Barcelona de Guardiola

Nos últimos quinze anos, a Espanha fez sonhar os adeptos, revolucionando a forma de interpretar o futebol. Da geração do tiki-taka até às evoluções mais recentes, o fio condutor manteve-se sempre o mesmo: controlo da bola, ocupação racional dos espaços e procura constante da superioridade numérica.

Guardiola foi o principal intérprete desta filosofia, mas também o seu grande inovador. Partindo das bases do futebol de posição desenvolvidas na Masia, a academia de formação do Barcelona, soube adaptar as suas ideias aos diferentes contextos, mostrando que não existe uma única forma de vencer, mas sim princípios capazes de evoluir.

Para Itália, historicamente ligada a uma cultura tática diferente, a eventual chegada do treinador catalão representaria muito mais do que a escolha de um selecionador: significaria assumir uma identidade futebolística bem definida.

Quando, em 2008, Guardiola se sentou no banco do Barcelona, o seu futebol parecia revolucionário. O 4-3-3 tornou-se o sistema ideal para valorizar a posse de bola, com uma construção desde trás extremamente limpa, pressão imediata após a perda da bola e movimentos constantes sem bola.

Com Xavi, Iniesta e Sergio Busquets a orquestrar o jogo, o Barcelona dominava sobretudo através do controlo da partida, mais do que pela busca imediata da verticalidade. Lionel Messi, transformado no célebre "falso nove", tornou-se o finalizador perfeito de um sistema que privilegiava a técnica, a rapidez de pensamento e a ocupação inteligente dos espaços.

Ideias que voltaram a ver-se na marcha triunfal da Espanha de Luis de la Fuente rumo ao título no Mundial agora concluído, disputado nos Estados Unidos, Canadá e México.

A evolução no Manchester City

Nos anos seguintes Guardiola mostrou, porém, não ser um treinador dogmático.

No Manchester City, o seu futebol evoluiu. Mantendo o controlo da posse como princípio fundamental, a equipa inglesa tornou-se mais direta, mais física e claramente mais versátil. Os laterais foram muitas vezes transformados em médios adicionais na fase de construção, os defesas passaram a participar ativamente na manobra e os extremos alternaram largura e movimentos interiores para criar linhas de passe constantes.

Com a chegada de um ponta-de-lança como Erling Haaland, Guardiola alterou ainda alguns mecanismos ofensivos, introduzindo uma maior procura da profundidade sem abdicar do controlo do jogo.

O resultado foi um futebol menos "estético" do que o do Barcelona, mas provavelmente ainda mais completo.

Itália ambiciona um salto cultural

É precisamente esta capacidade de se adaptar que torna Guardiola um perfil tanto apelativo para uma seleção.

Treinar uma seleção é muito diferente de dirigir um clube: o tempo de trabalho em campo é limitado e torna-se fundamental transmitir princípios simples, mas reconhecíveis. Guardiola teria inevitavelmente de sintetizar muitas das suas ideias, privilegiando conceitos-chave como a pressão organizada, a qualidade da posse e a gestão dos espaços.

Para a FIGC, significaria também investir num caminho cultural, além de técnico, com possíveis efeitos positivos em todo o movimento, desde a formação até aos clubes.

Resposta é aguardada, mas sinal já é forte

As recentes declarações de Guardiola, que voltou a afirmar querer viver um período longe do banco para se dedicar à família, depois de quase vinte anos sem interrupções ao mais alto nível, aconselham prudência.

Circulam, por isso, outros nomes para o banco da seleção italiana, desde o regresso, com mais garantias, de treinadores com passado como selecionadores, como Antonio Conte e Roberto Mancini (responsável pelo último título de Itália no Euro 2021), até à hipótese de recomeçar com um antigo jogador, mas com menor experiência enquanto treinador, como Andrea Pirlo.

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