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México: caravana “Sonhos sem Fronteiras” leva mais de 600 migrantes de Tapachula à capital

ARQUIVO - Migrantes hondurenhos ajudam-se a cruzar o muro fronteiriço dos EUA rumo a San Diego, Califórnia, desde Playas, em Tijuana, México, quarta-feira, 12 de 2018
ARQUIVO - Migrantes hondurenhos ajudam-se a cruzar o muro fronteiriço dos EUA rumo a San Diego, a partir de Playas, em Tijuana, México, em 12 de 2018 Direitos de autor  Copyright 2018 The Associated Press. All rights reserved
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De Lucia Blasco com AP
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Centenas de migrantes partiram de Tapachula, perto da fronteira com a Guatemala, em direção à Cidade do México. Entre eles há requerentes de asilo e pessoas deportadas dos Estados Unidos pela Administração Trump.

Partiram na quinta-feira mais de 600 migrantes de Tapachula, no estado mexicano de Chiapas, perto da fronteira com a Guatemala, numa nova caravana com que tencionam chegar à Cidade do México e procurar melhores oportunidades noutras partes do país.

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A marcha, batizada como “Sueños sin Fronteras”, junta famílias com crianças e pessoas oriundas de vários países da América Latina e das Caraíbas. Muitos estão em Tapachula há meses, à espera de que as autoridades decidam os seus pedidos de refúgio e afirmam ter dificuldade em encontrar trabalho e manter-se enquanto os processos avançam.

Imagens divulgadas por meios locais mostram a caravana a avançar pelas ruas de Tapachula, no início do seu percurso rumo ao centro do México.

A Comisión Mexicana de Ayuda a Refugiados (Comar), dependente da Secretaría de Gobernación, é a instituição oficialmente responsável por receber, analisar e decidir os pedidos de reconhecimento da condição de refugiado no México.

Para alguns dos participantes na caravana, o México deixou de ser apenas um território de passagem rumo aos Estados Unidos. O endurecimento da política migratória desde o regresso de Donald Trump à Casa Branca alterou os planos de migrantes que agora procuram ficar e trabalhar no México, enquanto outros continuam a esperar poder regressar um dia aos Estados Unidos.

Entre eles está a família venezuelana Campos Reyes, que entrou nos Estados Unidos em 2023 através da aplicação CBP One, então utilizada para gerir a entrada de determinados requerentes de asilo.

“Não temos nada”

Fredy Campos foi deportado para a Venezuela após o regresso de Trump à Presidência, enquanto a esposa, Marianela Reyes, e os dois filhos deixaram mais tarde os Estados Unidos devido a dificuldades económicas. A família voltou a reunir-se nas Honduras e decidiu retomar o caminho para norte.

A situação da família agravou-se depois de o duplo terramoto na Venezuela, em junho, ter destruído a sua casa em Caracas. “Não temos nada”, explicou Marianela Reyes, de 52 anos, à agência AP. A família quer agora ficar no México até terminar o mandato de Trump e decidir depois se tenta regressar aos Estados Unidos.

Na caravana segue também José Francisco Díaz, hondurenho de 45 anos que viveu mais de três décadas nos Estados Unidos antes de ser deportado há cerca de um mês. Díaz contou à AP que quer regressar para se reunir com a família, incluindo a ex-mulher e as duas filhas, uma delas nascida nos Estados Unidos. “Quero voltar para junto da minha família”, afirmou Díaz.

Outros participantes na marcha, porém, querem ficar no México para encontrar mais oportunidades de trabalho.

Desafio migratório na fronteira sul do México

Desde que Claudia Sheinbaum assumiu a Presidência em outubro de 2024, pelo menos duas dezenas de caravanas partiram da fronteira sul mexicana com a intenção de avançar para o centro e o norte do país, segundo a AP. Uma das mais recentes saiu de Tapachula em abril, era composta por centenas de migrantes, sobretudo haitianos, mas acabou por se dispersar pouco depois.

As autoridades migratórias acabaram por dissolver as caravanas anteriores nos estados de Chiapas e Oaxaca, fornecendo aos seus integrantes documentos para continuarem a viagem ou transferindo-os para outras cidades, como Tuxtla Gutiérrez e Villahermosa.

A Comisión Mexicana de Ayuda a Refugiados (Comar) é o organismo responsável por receber, analisar e decidir os pedidos de reconhecimento da condição de refugiado no México, enquanto o Instituto Nacional de Migración (INM) se ocupa de aplicar a legislação migratória do país.

As mudanças nas políticas migratórias dos Estados Unidos provocaram um aumento das deportações e dos retornos para o México, segundo o ACNUR (fonte em espanhol). Em 2025, mais de 70.500 pessoas pediram asilo no país e quase metade fê-lo no sul, em particular em Chiapas.

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