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Venezuela: números da tragédia um mês após o duplo terramoto

Dados dos terramotos na Venezuela, imagem de arquivo, julho de 2026
Números dos terramotos na Venezuela, imagem de arquivo, julho de 2026 Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
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De Jesús Maturana
Publicado a Últimas notícias
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Um mês após o duplo terramoto que abalou a Venezuela, o balanço oficial ultrapassa 5 500 mortos e 16 700 feridos. Milhares de famílias continuam sem casa, o Governo não atualiza o número de desaparecidos desde o final de junho e os danos materiais rondam 19 600 milhões de dólares.

Passaram trinta dias desde que dois terramotos, de magnitude 7,2 e 7,5, abalaram o norte da Venezuela em apenas 39 segundos, na noite de 24 de junho. O que as autoridades descreveram então como um fenómeno sísmico pouco comum, um duplo evento sísmico, transformou‑se, com o passar das semanas, numa das piores catástrofes naturais vividas pelo país em mais de um século.

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Um mês depois, os números continuam a alterar‑se, embora a um ritmo muito mais lento do que nos primeiros dias, e ainda deixam lacunas que o Governo não esclareceu. O balanço oficial mais recente, divulgado na passada sexta‑feira pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, fixa em 5 546 o número de mortos e em 16 740 o de feridos.

Este último número praticamente não se altera há semanas, o que sugere que as equipas médicas já não recebem novos casos graves, enquanto o número de mortos continua a aumentar à medida que avançam os trabalhos de remoção de escombros e a identificação forense de corpos, muitos deles enterrados sem identificação em valas abertas em cemitérios de La Guaira.

O dado mais incómodo, porém, é aquele que o Governo venezuelano não atualiza. Desde 25 de junho, um dia depois do duplo evento sísmico, as autoridades não voltaram a divulgar um número oficial de desaparecidos, que então se situava em 157 pessoas. Nesse vazio surgiu uma iniciativa cidadã, Desaparecidos do Terramoto da Venezuela, que centraliza relatos de familiares e mantém um registo de cerca de 29 500 pessoas cujo paradeiro é desconhecido. Essa diferença, entre o que o Estado reconhece e o que os próprios cidadãos documentam, é um dos pontos mais contestados da gestão da emergência.

Danos materiais e deslocamento

Para lá das vidas perdidas, o terramoto deixou uma marca económica considerável. Um relatório do Banco Mundial, publicado na semana passada, estima os danos físicos diretos em cerca de 19 600 milhões de dólares.

Deste montante, 9 300 milhões correspondem a habitações destruídas ou gravemente danificadas, 5 200 milhões a infraestruturas públicas, incluindo hospitais, escolas e outras instalações essenciais, e cerca de 5 000 milhões a edifícios comerciais e industriais.

No terreno, o último balanço oficial contabiliza:

  • 856 edifícios afetados, dos quais 190 colapsaram por completo
  • O número de famílias sem casa sobe para 17 907, sendo que 23 122 pessoas permanecem em 107 acampamentos temporários instalados em Caracas e La Guaira,
  • 128 324 famílias receberam algum tipo de apoio por parte das autoridades desde o início da emergência.

Desde o sismo principal registaram‑se, além disso, 1 405 réplicas, algumas suficientemente fortes para dificultar o trabalho em estruturas que já tinham ficado fragilizadas.

Um mês depois, a vida tenta recomeçar

Com o passar das semanas, as operações de resgate propriamente ditas deram lugar a trabalhos de remoção de escombros e reconstrução, um processo que as próprias autoridades admitem que levará meses, se não anos.

Alguns serviços básicos, como a eletricidade em certas zonas de La Guaira, foram restabelecidos cerca de duas semanas depois do sismo, mas a normalidade continua a ser apenas parcial. Organizações como os Médicos Sem Fronteiras mantêm clínicas móveis ativas na zona zero para responder a necessidades de saúde que o sistema público, já degradado antes do terramoto, não consegue cobrir totalmente.

A tragédia ocorreu, além disso, numa altura politicamente sensível para a Venezuela, que atravessa uma transição após a detenção do ex-presidente Nicolás Maduro no início do ano, com Delcy Rodríguez à frente de um governo interino que ainda não fixou data para eleições.

A gestão da ajuda internacional, incluindo a cooperação recebida de países como Israel e as diligências para desbloquear ativos venezuelanos com o apoio dos Estados Unidos, perfila‑se como um dos fatores que irão marcar o ritmo da reconstrução nos próximos meses.

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