A Air France-KLM e a Lufthansa entregaram esta quarta-feira as propostas finais para a compra de 44,9% da TAP, encerrando a fase de apresentação de ofertas e deixando agora a decisão nas mãos do Governo.
A Air France-KLM e a Lufthansa já entregaram as propostas finais para a privatização de 44,9% do capital da TAP, sendo expectável que contenham melhorias face às ofertas apresentadas a 29 de julho.
O anúncio foi feito esta quarta-feira pela Parpública, tendo a empresa que gere as participações do Estado adiantado, em comunicado, que vai agora elaborar um relatório descritivo das melhorias apresentadas pelas duas candidatas, "determinando o seu mérito final absoluto, remetendo o mesmo aos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças e do transporte aéreo".
Esta quarta-feira era o último dia do prazo dado pelo Governo às companhias aéreas que estão na corrida pela TAP. Na segunda-feira, o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, tinha afirmado que as propostas finais dos dois candidatos seriam apresentadas até esta quarta-feira e que o Governo teria, depois, 15 dias para se pronunciar sobre o processo.
As propostas finais incluem os termos financeiros e estratégicos para a entrada no capital da companhia aérea portuguesa. Será avaliado o investimento previsto, o desenvolvimento da frota, a aposta em áreas como a manutenção e os combustíveis sustentáveis e o respeito pelos compromissos laborais.
Em comunicado, a Air France-KLM diz que "reiterou, hoje, o seu forte e continuado interesse na TAP Air Portugal ao apresentar a sua proposta final para uma participação de até 49,9% na companhia aérea".
Citado no documento, Benjamin Smith, CEO do grupo, afirma que "o interesse na TAP está mais forte do que nunca". "Ao longo das últimas quatro semanas, a nossa equipa e os nossos consultores trabalharam diligentemente para reforçar a nossa candidatura, e estou convencido de que esta proposta revista é o melhor caminho a seguir para a TAP, para a sua gestão, para os seus colaboradores e para os seus clientes, bem como para Portugal", defende.
Segundo o presidente da Air France-KLM, a proposta apresentada "é um plano estratégico ambicioso a longo prazo", que, na sua ótica, irá "posicionar melhor a TAP para o futuro e salvaguardar a conectividade e a soberania de Portugal".
"A minha convicção pessoal e o nosso princípio orientador permanecem inalterados: se a Air France-KLM for escolhida, a TAP e Portugal sairão a ganhar no mercado global da aviação", garante, acresentando que a oferta do grupo "foi concebida em torno de uma transportadora de bandeira portuguesa mais forte, com Lisboa como o hub exclusivo do Grupo Air France-KLM no Sul da Europa com maior conectividade, e uma clara intenção de criar emprego e valor em todo o país."
Já a Lufthansa destacou, através de uma declaração escrita, que a sua proposta reflete "a convicção" de que, com base no seu "historial comprovado de desenvolvimento bem-sucedido de companhias aéreas de rede, o grupo Lufthansa é o melhor parceiro para apoiar o crescimento futuro da TAP, reforçar a sua competitividade e continuar a desenvolver o seu papel enquanto companhia aérea de bandeira de Portugal".
O processo prevê, desde o início, a existência de uma fase opcional de negociações para melhorar as propostas, antes da escolha do investidor. A decisão final implicará ainda um conjunto de passos formais, incluindo a aprovação em Conselho de Ministros e a obtenção de luz verde das autoridades europeias de concorrência.
A venda da TAP inclui ainda 5% das ações que estão reservadas aos trabalhadores, sendo que qualquer participação não subscrita poderá também ser adquirida pelo investidor selecionado.