A decisão de cancelar surge após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter ordenado, na semana passada, a redução dos exercícios anuais Ulchi Freedom Shield, de 11 para 5 dias.
A Coreia do Sul anunciou esta segunda-feira que os Estados Unidos cancelaram um vasto exercício conjunto de desembarque anfíbio previsto para o próximo mês, devido a limitações na disponibilidade de forças provocadas pela guerra no Irão.
Os exercícios bienais Ssangyong envolvem forças de fuzileiros navais da Coreia do Sul e dos Estados Unidos e visam reforçar as operações conjuntas, recorrendo habitualmente a navios de guerra, aeronaves e tropas terrestres que treinam desembarques anfíbios.
A anulação surge após a ordem dada na semana passada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, para reduzir os exercícios anuais Ulchi Freedom Shield, diminuindo as manobras conjuntas de 11 para cinco dias.
Trump alegou na altura o elevado custo das manobras e afirmou que estas enviavam um sinal “inadequado e hostil” à Coreia do Norte, sublinhando ao mesmo tempo a relação que mantém com o líder norte-coreano, Kim Jong-un.
“O Corpo de Fuzileiros dos EUA notificou formalmente as nossas forças, em junho, de que a sua capacidade para destacar tropas durante o exercício Ssangyong deste ano estaria limitada devido à situação no Médio Oriente”, declarou Han Seung-jeon, porta-voz do Corpo de Fuzileiros da Coreia do Sul, aos jornalistas numa conferência de imprensa.
Acrescentou que Seul e Washington continuam em consultas sobre a retoma do exercício anfíbio, sem avançar pormenores.
O Pentágono não respondeu de imediato a um pedido de comentário sobre o anúncio de Seul.
A ordem de Trump, na semana passada, para reduzir o exercício Ulchi Freedom Shield surge numa altura em que procura reavivar a relação que estabeleceu com Kim durante o primeiro mandato.
O presidente dos EUA afirmou na quarta-feira que era importante “dar-se bem” com Kim, acrescentando que Pyongyang dispõe agora de 57 armas nucleares “muito poderosas”.
Seul estima que a Coreia do Norte possua entre 80 e 120 armas deste tipo.
Trump e Kim reuniram-se três vezes durante o primeiro mandato do republicano, mas Pyongyang acelerou os seus programas nucleares depois de a segunda cimeira, realizada em 2019 em Hanói, ter colapsado sem um acordo sobre a desnuclearização da Coreia do Norte.