A equipa chinesa AG.AL conquistou o Club Championship, dotado de 7 milhões de dólares, na primeira edição fora da Arábia Saudita, relocalizada à última hora para França.
Terminou este domingo, em Paris, a Esports World Cup, após sete semanas de competição, numa edição que não estava prevista realizar-se em França.
O torneio foi transferido da Arábia Saudita numa altura de guerra na região e de perturbações nas viagens.
O jogador francês Gwendal “Gwen” Duparc entrou na final de Trackmania a precisar de terminar em terceiro ou melhor para garantir o título geral de Club Championship para a AG.AL, sediada na China. Em vez disso, venceu.
A vitória rendeu a Duparc 130 mil dólares (111 500 euros) e assegurou para a sua equipa o prémio de 7 milhões de dólares (6 milhões de euros) da Club Championship, impedindo a Team Falcons, da Arábia Saudita, de alcançar o terceiro título consecutivo.
O presidente francês, Emmanuel Macron, entregou o troféu ao clube vencedor na cerimónia de encerramento de domingo, que contou com a presença do príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman.
De Riade a Paris
Mais de 2.000 jogadores, em representação de 200 clubes de mais de 100 países, competiram em 25 torneios e 24 jogos.
O príncipe Faisal bin Bandar bin Sultan, presidente da comissão executiva da Esports Foundation, afirmou à Euronews que cancelar o torneio nunca foi seriamente ponderado.
“Cancelar nunca esteve realmente em cima da mesa”, disse o príncipe Faisal.
Acrescentou que a preocupação não era a segurança na Arábia Saudita, mas sim a logística de levar milhares de jogadores, funcionários e dirigentes da indústria dos videojogos para o país numa altura de perturbações na região.
“Teria sido irresponsável fazer algo que afetasse a capacidade de virem, fosse ao nível de vistos, fosse de cancelamentos de voos”, afirmou o príncipe Faisal.
A mudança proporcionou ainda às equipas francesas um inesperado torneio em casa.
“Estávamos a planear estar em Riade também este ano e, de repente, surgiu a notícia de que tudo se mudava para Paris”, contou à Euronews Danny Engels, diretor internacional da Team Vitality.
A equipa feminina de Mobile Legends da Vitality conseguiu defender o título no único torneio exclusivamente feminino desta edição da World Cup.
“Foi muito emotivo para todos nós”, disse Engels. “Ver as jogadoras ganharem outra vez, de forma consecutiva, não é algo fácil de alcançar.”
Jovens campeões e vitórias históricas
As últimas fases da World Cup trouxeram várias estreias.
Na final do Fortnite Reload Championship, Taylor-Petrik “vic0” Gatschelhofer, de 19 anos, e o seu colega de equipa Danila “Malibuca” Iakovenko, de 20, conquistaram o título e 260 mil dólares, tornando-se a primeira dupla na história do jogo a vencer dois grandes torneios presenciais consecutivos.
Deram a volta no último jogo.
“Nos últimos minutos da partida, estava tudo caótico”, disse vic0 à Euronews.
“Íamos conseguindo eliminações aqui e ali. Tentávamos sobreviver ao mesmo tempo, recuperar vida, tudo isso”, acrescentou.
“Mas quando vi que já só havia duas equipas, decidi simplesmente arriscar, porque, para mim, ou íamos para casa ou fazíamos algo grande. E fizemos algo grande, ganhámos, não é?”
O jovem disse que planeia investir a maior parte do prémio, mas admite gastar uma parte com a mãe.
“Talvez lhe compre um carro novo. Vamos ver”, comentou vic0.
A equipa chinesa BaiSha Gaming aumentou também o palmarés ao conquistar o título de CrossFire.
Depois de perder a final da Esports World Cup de 2025, a BaiSha regressou para derrotar os campeões em título AG.AL e, na final, venceu a Team Liquid por 3-0.
Zheng “Xxiao” Qi disse à Euronews que a vitória completou aquilo que descreve como o seu próprio “Grand Slam”.
“Todo o esforço que fiz ao longo destes anos valeu a pena”, afirmou Xxiao.
Depois de Paris: o que se segue
Os organizadores indicam que foram vendidos 175 mil bilhetes para as competições de esports ao longo das sete semanas, mais 94% do que em 2025.
Mike McCabe, diretor executivo da Esports Foundation, explicou que levar milhares de jogadores e funcionários para Paris num calendário acelerado exigiu uma estreita cooperação com os clubes, os editores dos jogos e as autoridades francesas.
A experiência permitiu ainda testar diferentes formas de organizar o evento, incluindo vários palcos a funcionar em simultâneo.
“Vamos levar muitos destes ensinamentos de volta para Riade e para os futuros eventos que organizarmos”, disse McCabe à Euronews.
O príncipe Faisal considerou que Paris mostrou que a competição pode funcionar para lá da Arábia Saudita.
“Isto demonstra claramente que o evento passou de saudita a verdadeiramente global”, afirmou. “E mostra que tem capacidade para se deslocar.”
Por agora, porém, a World Cup está a regressar a casa.
Está previsto que a Esports World Cup volte a Riade em 2027, enquanto a primeira Esports Nations Cup, inicialmente marcada para a capital saudita em novembro deste ano, foi adiada para o próximo ano.