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Hong Kong: ativista pró-democracia Joshua Wong declara-se culpado em processo de segurança nacional

Ativista de Hong Kong e apoiantes exibem cartazes numa conferência de imprensa em apoio ao ativista pró-democracia Joshua Wong, em Taipé, Taiwan, 2 de setembro de 2026
Ativista de Hong Kong e apoiantes exibem cartazes numa conferência de imprensa em apoio ao ativista pró-democracia Joshua Wong, em Taipé, Taiwan, 2 de setembro de 2026 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Malek Fouda
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Wong, que já cumpre pena de prisão por um caso distinto, declarou-se culpado de uma segunda infração ao abrigo da Lei de Segurança Nacional de Pequim de 2020, o que poderá implicar o prolongamento da sua pena por um período mínimo de três anos e até prisão perpétua.

Joshua Wong, um proeminente ativista pró-democracia de Hong Kong, declarou-se culpado na quarta-feira de conspiração para colaborar com forças estrangeiras com o objetivo de pôr em risco a segurança nacional, ao abrigo de uma lei imposta por Pequim que tem, na prática, sufocado o outrora próspero movimento pró-democracia da cidade.

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Esta foi a segunda acusação contra Wong — um antigo líder estudantil do movimento pró-democracia e uma das suas figuras mais conhecidas — ao abrigo da lei de segurança nacional introduzida em 2020 para reprimir os protestos antigovernamentais em massa que abalaram a cidade um ano antes.

Wong, de 29 anos, que vestia uma camisa azul, parecia mais magro ao apresentar a sua declaração de culpa.

Viatura dos Serviços Prisionais chega ao Tribunal Superior em Hong Kong, quarta-feira, 2 de setembro de 2026
Viatura dos Serviços Prisionais chega ao Tribunal Superior em Hong Kong, quarta-feira, 2 de setembro de 2026 Chan Long Hei/AP

A sentença deverá ser conhecida mais tarde. O crime é punível com uma pena de prisão de três a dez anos, ou até prisão perpétua, caso o crime seja considerado "de natureza grave". A confissão de culpa pode, normalmente, resultar numa redução da pena.

Ele já cumpria uma pena de prisão de quatro anos e oito meses, após se ter declarado culpado num caso distinto de segurança nacional relacionado com uma primária política não oficial. Antes da detenção por crime relacionado com conluio, em junho de 2025, previa-se que Wong fosse libertado no próximo mês de janeiro.

Os críticos afirmam que o caso de Wong demonstrou a determinação das autoridades em silenciar dissidentes proeminentes e, efetivamente, congelar o ativismo cívico. Mas, para Pequim, Wong é uma figura antichinesa que apoia a independência de Hong Kong, uma linha vermelha para as autoridades que consideram o território como parte da China.

Joshua Wong, jovem líder estudantil de Hong Kong, à esquerda, diante de guarda-chuvas amarelos à porta de um tribunal de magistrados em Hong Kong, 2 de setembro de 2015
Joshua Wong, jovem líder estudantil de Hong Kong, à esquerda, diante de guarda-chuvas amarelos à porta de um tribunal de magistrados em Hong Kong, 2 de setembro de 2015 Vincent Yu/AP

A acusação alegou que Wong e Nathan Law tinham acordado, há anos, em exercer pressão a nível internacional para alcançar o seu objetivo de autodeterminação democrática. Antes da lei de segurança, eles e outros procuraram forças estrangeiras para impor sanções, bloqueios ou tomar outras medidas hostis contra Hong Kong e a China, afirmou a acusação.

Após a entrada em vigor da lei de 2020, Law e outros que abandonaram Hong Kong continuaram o seu trabalho no estrangeiro, reunindo-se com políticos estrangeiros e lançando campanhas de petições.

Wong apoiou esta iniciativa a partir de Hong Kong através dos meios de comunicação estrangeiros e das redes sociais, nomeadamente partilhando as publicações de Law, com o objetivo de chamar a atenção de outros países e "reforçar o pedido de sanções, bloqueios ou outras medidas hostis", afirmou a acusação.

Agentes policiais montam guarda junto ao Tribunal Superior de Hong Kong, quarta-feira, 2 de setembro de 2026
Agentes policiais montam guarda junto ao Tribunal Superior de Hong Kong, quarta-feira, 2 de setembro de 2026 Chan Long Hei/AP

Os procuradores referiram que Wong partilhou no Facebook a petição online de Law, na qual se instava as empresas de perícia digital a deixarem de cooperar com a polícia após a entrada em vigor da lei de segurança. Uma empresa anunciou posteriormente que iria deixar de vender serviços de inteligência digital a clientes em Hong Kong e na China, afirmaram.

Wong confirmou que concordava com os detalhes lidos pela acusação.

Antes da audiência, um apoiante gritou "Aguenta-te" a Wong. Um amigo dele disse que Wong lia livros, estudava, aprendia a tocar guitarra e fazia exercício na prisão, explorando novos passatempos e novas atividades atrás das grades. Afirmou que esperava ver Wong fora da prisão o mais rapidamente possível.

Membros do público aguardam para entrar no Tribunal Superior de Hong Kong, quarta-feira, 2 de setembro de 2026
Membros do público aguardam para entrar no Tribunal Superior de Hong Kong, quarta-feira, 2 de setembro de 2026 Chan Long Hei/AP

Em 2012, Wong ganhou destaque enquanto estudante do ensino secundário, liderando protestos contra a introdução da educação nacional nas escolas de Hong Kong. A sua fama alastrou-se mais tarde enquanto líder estudantil do Movimento Occupy de 2014.

Wong cofundou um partido político, o "Demosisto", em 2016, com outros jovens ativistas, incluindo Law, que se tornou o legislador mais jovem da cidade nesse mesmo ano.

Durante os protestos de 2019, que decorreram sem liderança definida, Wong ajudou a angariar apoio no estrangeiro para o movimento democrático, nomeadamente dos EUA. No entanto, Pequim criticou veementemente as suas ações, afirmando que ele "implorou por interferência [estrangeira]".

O Demosisto foi dissolvido quando Pequim impôs a lei de segurança em 2020, que as autoridades classificaram como necessária para restaurar a estabilidade social.

Outras fontes • AP

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