Os salários diferem cerca de 10 mil euros anuais entre comunidades espanholas, mas o preço de uma casa de 90 m2 pode variar quase 383 mil euros. Nas Baleares e em Madrid, juntar a entrada para comprar um apartamento exige mais de 129 mil euros de poupança.
Em Espanha, ter um bom salário não significa que seja fácil comprar casa. Uma análise da iAhorro revela grandes diferenças entre comunidades: enquanto os salários variam cerca de 10 000 euros por ano em Espanha, o preço de uma habitação de 90 metros quadrados pode diferir em quase 383 000 euros.
O maior obstáculo é o dinheiro que tem de estar poupado antes de pedir o crédito à habitação. Para comprar uma habitação de 90 metros quadrados, o comprador deve dispor de cerca de 30% do valor para a entrada e as despesas. Nas Baleares, isso representa cerca de 144 000 euros, face aos 29 000 da Extremadura ou aos 30 000 de Castela-Mancha.
Os preços explicam grande parte desta diferença. Uma habitação de 90 metros quadrados custa cerca de 480 000 euros nas Baleares e 431 000 em Madrid. Já na Extremadura ronda os 97 000 euros e, em Castela-Mancha, os 100 000. Assim, um salário mais elevado nem sempre compensao custo da habitação.
A capacidade de poupança também faz a diferença. Se uma família destinar 35% dos seus rendimentos a poupar para a entrada, em nove comunidades poderá reunir o dinheiro necessário em menos de cinco anos. São elas a Galiza, Navarra, Aragão, Rioja, Múrcia, Astúrias, Castela e Leão, Extremadura e Castela-Mancha.
No outro extremo estão Baleares, Madrid e Canárias. Nestes territórios, cinco anos de poupança não seriam suficientes para alcançar o preço de uma habitação de 90 metros quadrados. Para quem compra sozinho, o esforço é ainda maior: teria de poupar durante 14,2 anos nas Baleares, 10,7 em Madrid e 10,1 nas Canárias.
Para a diretora de Comunicação da iAhorro, Laura Martínez, citada em comunicado, o principal problema não é tanto pagar o crédito, mas sim juntar o dinheiro para começar: “O que mais pesa é conseguir a poupança”.
Jovens e compradores que vivem sozinhos são, segundo a análise, quem tem mais dificuldades em ultrapassar esta primeira barreira.