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União Europeia quer resultado “credível” nas conversações com China após chamada de negociadores

China bloqueou exportações globais de terras raras durante guerra comercial com os EUA em 2025
A China suspendeu as exportações mundiais de terras raras durante a guerra comercial com os EUA em 2025. Direitos de autor  AP Photo
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De Peggy Corlin
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Comissário europeu do Comércio, Maroš Šefčovič, visita Pequim a 8 e 9 de outubro para obter garantias de que a China limita exportações e prolonga a trégua nas terras raras

A Comissão Europeia reforçou na quinta-feira a pressão sobre a China, ao reclamar resultados concretos das conversações com Pequim após uma videoconferência de uma hora entre o comissário do Comércio, Maroš Šefčovič, e o seu homólogo chinês, Wang Wentao.

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O executivo comunitário espera obter compromissos de Pequim para reequilibrar a relação comercial, numa altura em que o défice do bloco com a China tem aumentado em mil milhões de euros por dia.

Pequim procura, por seu lado, garantir acesso ao mercado da UE, com 450 milhões de consumidores, resistindo aos apelos europeus para reduzir as suas exportações.

“Embora um envolvimento genuíno continue a ser uma prioridade, é igualmente importante que sejam alcançados primeiros resultados concretos na segunda sessão do Conselho de Comércio e Investimento, em Pequim, em outubro, que o comissário copresidirá, sinal de que passamos da retórica aos resultados”, afirmou a Comissão em comunicado após a chamada.

“Esse resultado tem de ser credível”, acrescentou o comunicado.

O Conselho de Comércio e Investimento UE-China foi criado em junho como plataforma de diálogo entre as duas partes, tendo a Comissão fixado outubro como prazo para alcançar resultados tangíveis.

Durante a chamada de quinta-feira, Šefčovič e Wentao discutiram o acesso ao mercado de ambas as partes e os controlos à exportação chinesa de terras raras.

A China detém quase o monopólio da produção e transformação destes materiais estratégicos, essenciais para as tecnologias verdes, a defesa e a indústria automóvel da UE, o que confere a Pequim uma margem de manobra significativa nas negociações.

A UE procura garantias de que a China não voltará a interromper as exportações de terras raras, um ano depois de as ter bloqueado num contexto de guerra comercial com os Estados Unidos. Obter as licenças de exportação necessárias é essencial para as empresas europeias.

União Europeia: líderes exigem resultados

As próximas semanas serão cruciais para as negociações, prevendo-se que responsáveis da UE façam nova deslocação à China para discussões técnicas antes de o próprio Šefčovič viajar para Pequim em 8 e 9 de outubro.

Na sua intervenção sobre o Estado da União perante os eurodeputados, na quarta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também insistiu na obtenção de resultados concretos nas conversações UE-China.

“Palavras são boas. Mas atos são melhores”, afirmou, deixando claro que a UE está pronta para utilizar todos os seus instrumentos de defesa comercial para reequilibrar a relação.

A China deverá também ocupar um lugar central na agenda da reunião dos líderes da UE em outubro. Estes encarregaram a Comissão de obter resultados tangíveis no diálogo com Pequim.

Numa entrevista à Euronews, Šefčovič deixou igualmente claro que, sem um “resultado concreto” para apresentar aos líderes da UE,“o interesse político seria procurar a solução através de outros instrumentos”.

A UE dispõe de vários instrumentos de defesa comercial, como direitos antidumping ou tarifas contra subsídios indevidos.

Está igualmente a ser preparado um instrumento de diversificação, destinado a reduzir a dependência das empresas europeias de minerais críticos chineses para tecnologias estratégicas, ajudando-as a diversificar as fontes de aprovisionamento.

Esta iniciativa surge numa altura em que as relações entre Pequim e Bruxelas continuam tensas, após a apresentação pela Comissão de várias propostas legislativas destinadas a proteger o mercado europeu. Uma delas prevê uma preferência europeia por produtos fabricados na Europa, levando a China a ameaçar com medidas de retaliação.

No verão passado, a China apelou ainda às suas empresas para deixarem de cooperar com a Comissão em investigações antitrust, depois de o executivo europeu ter aberto, em maio, um inquérito ao gigante do comércio eletrónico JD.com devido a preocupações com subsídios indevidos.

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