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Rússia: relatório aponta emissões do uso de chips da Nvidia iguais às de produtor estatal de carvão

Jensen Huang, presidente executivo da Nvidia, aguarda o início da cerimónia de lançamento da expansão da fábrica da Coherent em 16 de junho de 2026
Jensen Huang, presidente e CEO da Nvidia, aguarda o início da cerimónia de lançamento da expansão da fábrica da Coherent, a 16 de junho de 2026 Direitos de autor  AP Photo/Jeffrey McWhorter
Direitos de autor AP Photo/Jeffrey McWhorter
De Roselyne Min
Publicado a Últimas notícias
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Explosão da inteligência artificial fez subir 725% as emissões da cadeia de fornecimento da fabricante norte-americana de chips Nvidia desde 2020, indica relatório de organizações ambientais e cívicas.

Emissões geradas pela utilização dos chips da Nvidia podem ficar ao nível das provocadas pela queima do carvão vendido pela empresa estatal russa Russian Coal, de acordo com um novo relatório (fonte em inglês).

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O relatório estima que, em 2025, o funcionamento dos chips da Nvidia vendidos desde 2022 poderá gerar o equivalente a entre quatro e 21 milhões de toneladas de dióxido de carbono, dependendo da eletricidade usada para os alimentar.

Refere igualmente que as emissões da cadeia de fornecimento do fabricante norte-americano de chips aumentaram 725% desde 2020, o que representa mais cerca de 9,4 milhões de toneladas.

Segundo a Greenpeace East Asia, uma das organizações que elaboraram o relatório, “o aumento foi sobretudo impulsionado pelas emissões a montante associadas à produção dos componentes, materiais e serviços de fabrico necessários para as suas GPUs e sistemas de IA”.

Estas emissões são reportadas pela Nvidia na categoria “Scope 3”, que abrange emissões indiretas para além das suas próprias operações. De acordo com números compilados a partir dos relatórios de sustentabilidade da empresa, estas emissões passaram de cerca de 1,3 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente em 2020 para 10,7 milhões de toneladas em 2026 (fonte em inglês).

“O maior beneficiário da IA tem também uma das pegadas climáticas mais ocultas e opacas do mundo”, afirmou Ketan Joshi, autor principal do relatório e analista de clima e energia baseado em Oslo.

“As afirmações da Nvidia de que a IA tem um ‘benefício climático líquido’ são uma tática de greenwashing usada pela indústria para esconder uma poluição em forte crescimento.”

Oito organizações de clima, responsabilidade corporativa e campanhas digitais, incluindo a Greenpeace International, a Friends of the Earth, a Beyond Fossil Fuels e a Stand.earth, publicaram o relatório.

Atualmente, a Nvidia não divulga as emissões resultantes da utilização dos produtos que vende. Segundo os investigadores, a estimativa do relatório baseia-se nas vendas acumuladas de chips, em pressupostos de taxa de utilização e em diferentes fatores de emissão das redes elétricas.

A Nvidia concebe processadores que se tornaram centrais para o boom da IA generativa, enquanto grande parte da sua produção é realizada por fornecedores na Ásia Oriental.

O relatório indica que as emissões da cadeia de fornecimento da Nvidia resultam sobretudo das matérias-primas e dos processos de fabrico associados à produção dos seus chips.

A produção de semicondutores avançados exige quantidades significativas de energia, e os chips continuam a consumir eletricidade depois de instalados em centros de dados que executam modelos de IA.

Centros de dados e o clima

A Nvidia tem defendido publicamente que a IA deverá reduzir as emissões no conjunto.

“O consenso que cresce muito rapidamente é que a IA muito provavelmente conduzirá a reduções líquidas de emissões, sobretudo se for amplamente implementada”, afirmou Josh Parker, responsável pela sustentabilidade da Nvidia, à publicação norte-americana de notícias sobre o clima Heatmap (fonte em inglês), em maio.

Parker citou organizações, incluindo a Agência Internacional da Energia, o Fórum Económico Mundial, a Boston Consulting Group e o Grantham Institute, afirmando que a IA pode reduzir emissões noutros setores através de medidas como maior eficiência energética.

Mas o relatório sustenta que ganhos de eficiência podem não reduzir o impacto global numa altura em que a procura de capacidade de computação está a crescer rapidamente.

“Está a vender-se à Europa a fantasia de uma IA ‘verde’, enquanto as grandes empresas tecnológicas impulsionam uma expansão maciça de centros de dados geradores de emissões e de infraestruturas de combustíveis fósseis”, escreveu Jill McArdle, responsável por campanhas corporativas internacionais na Beyond Fossil Fuels, numa declaração.

“Chamar-lhe uma revolução tecnológica amiga do clima não a torna tal; é greenwashing concebido para garantir os lucros das grandes tecnológicas, ao mesmo tempo que prende a Europa a mais gás e maior dependência energética”, acrescentou McArdle, apelando a que os decisores políticos deixem de dar prioridade a ‘centros de dados controlados pelas grandes tecnológicas’.

O relatório também contesta a alegação da Nvidia de “demand response”, em que centros de dados reduzem ou deslocam temporariamente o seu consumo de eletricidade durante períodos de pico de procura para aliviar a pressão sobre a rede. A empresa tem apresentado essa flexibilidade como forma de os centros de dados apoiarem a transição energética.

Os autores argumentam, porém, que estes curtos períodos de flexibilidade pouco fazem para compensar o aumento muito maior e contínuo da procura de eletricidade ao longo do ano, à medida que entram em funcionamento mais centros de dados.

Com base em investigação da Universidade de Princeton, indicam que a ‘demand response’ pode abranger menos de 1% do ano em cenários de forte crescimento dos centros de dados.

Os investigadores que assinam o relatório pedem maior transparência por parte da Nvidia, incluindo a divulgação das emissões associadas ao uso dos seus chips e provas mais robustas para as afirmações de que a IA pode proporcionar um benefício climático líquido.

Pretendem igualmente que a empresa tenha em conta o impacto mais amplo em termos de emissões do crescimento dos centros de dados e defina metas mais claras para reduzir as emissões da cadeia de fornecimento, incluindo através de investimento adicional em energias renováveis.

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