Preços do petróleo sobem acima dos 100 dólares por barril, sem acordo EUA-Irão à vista, ações europeias recuam e obrigações do Tesouro dos EUA saem do pior trimestre desde 1994, com juros a 10 anos no máximo desde 2007
Os preços do petróleo recuaram nas negociações asiáticas de quinta-feira, mas recuperaram na manhã europeia, à medida que os investidores ponderavam a retoma dos carregamentos de crude do Golfo Pérsico face à ausência de um acordo para pôr fim à guerra com o Irão.
À hora de redação, o Brent, referência internacional, avançava 2,6 %, um pouco acima dos 100 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate, referência norte-americana, ganhava também 2,6 %, para cerca de 92,80 dólares.
As exportações de crude a partir do Golfo voltaram a aproximar-se dos níveis anteriores à guerra, enquanto a Arábia Saudita já reabilitou parcialmente o seu oleoduto Este-Oeste, que contorna o estreito de Ormuz.
O Irão declarou na quarta-feira que recebeu uma resposta dos Estados Unidos à sua proposta de reabrir o estreito caso Washington levante o bloqueio aos portos iranianos, liberte ativos congelados e alivie as atuais sanções ao petróleo.
“Faremos todos os esforços para levar o acordo a bom termo”, afirmou o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.
Mais direto foi o tom do Presidente norte-americano, Donald Trump.
“Ou destruímo-los ou fazemos um acordo”, disse Trump a jornalistas, no Salão Oval, ao final da noite de quarta-feira, acrescentando que a guerra terminaria “muito em breve”, de uma forma ou de outra.
Prevê-se que a OPEC+ mantenha inalteradas as metas de produção para novembro na reunião de domingo, segundo delegados citados pela Bloomberg.
Tudo isto acontece numa altura em que os riscos para a navegação se mantêm elevados: três navios foram atingidos no estreito na terça-feira, de acordo com as autoridades marítimas britânicas.
Europa recua, ações de chips impulsionam Ásia e obrigações dos EUA vacilam
Na Europa, as bolsas abriram em queda esta quinta-feira.
O índice Euro Stoxx 50 descia cerca de 1 % nas primeiras negociações, enquanto o mais abrangente Stoxx 600 pan-europeu recuava 1,5 %.
O FTSE 100 do Reino Unido, o CAC 40 de França, o DAX da Alemanha, o FTSE MIB de Itália, o IBEX 35 de Espanha e o AEX dos Países Baixos negociavam todos entre 1 % e 2 % abaixo.
Os investidores avaliam uma inflação de setembro mais forte do que o previsto na Alemanha, França e Itália, impulsionada pelo choque energético.
Na Ásia, o Nikkei 225 japonês avançou quase 2 %, com os fabricantes de chips a valorizarem depois de a norte-americana Micron, produtora de memória, ter antecipado resultados melhores do que o esperado.
O Kospi da Coreia do Sul ganhou também mais de 2 %, depois de as exportações de setembro terem disparado 83,5 % face ao ano anterior, para um máximo mensal, apoiadas pelas vendas de semicondutores. Os mercados da China continental e de Hong Kong estiveram encerrados devido aos feriados do Dia Nacional.
Em Wall Street, o S&P 500 caiu 0,3 %, o Dow Jones Industrial Average perdeu 0,9 % e o Nasdaq Composite subiu ligeiramente 0,2 % na quarta-feira, com o S&P 500 a encerrar setembro com uma perda mensal.
Dados de inflação dos Estados Unidos mais fracos do que o previsto reduziram inicialmente a probabilidade de uma subida de juros em outubro para cerca de 38 %, face a aproximadamente 50 %, segundo a ferramenta FedWatch da CME, mas números de crescimento mais fortes acabaram por pesar nas ações.
O juro das obrigações do Tesouro norte-americano a dez anos tocou 5,3 %, o valor mais elevado desde 2007, coroando a maior subida trimestral desde 1994. À hora de fecho deste texto, os futuros norte-americanos negociavam estáveis.
Os investidores focam-se agora no relatório de emprego de setembro nos Estados Unidos, a divulgar na sexta-feira.