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Inflação na UE está em vias de "aterragem suave"

 baixo crescimento previsto para 2023 deve-se aos efeitos da guerra e da crise energética
baixo crescimento previsto para 2023 deve-se aos efeitos da guerra e da crise energética Direitos de autor AP Photo/Michael Probst, file
Direitos de autor AP Photo/Michael Probst, file
De  Lauren ChadwickIsabel Marques da Silva
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Embora se preveja um declínio da inflação, os valores ainda estarão acima do desejado pelo Banco Central Europeu até ao final de 2024.

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A inflação na União Europeia (UE) está "a caminhar para uma aterragem suave", apesar da persistência de preços elevados a nível mundial, disse um economista à Euronews. A inflação tem vindo a diminuir nos últimos meses, atingundo os 6,9% em março, de acordo com o Eurostat (agência de estatísticas da UE).

Isto é um bom sinal já que a taxa de inflação triplicou em 2022, atingindo 9,2% na zona euro, devido às consequências da pandemia da COVID-19 e da guerra na Ucrânia.

"Penso certamente que a situação na Europa é consideravelmente melhor do que teria previsto há alguns meses", disse Jacob Kirkegaard, analista no Instituto Peterson para a Economia Internacional.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) advertiu, na semana passada que a inflação tem permanecido persistente a nível mundial, e baixou as suas expetattivas de crescimento económico. Mas melhorou, ligeiramente, a previsão de crescimento para os EUA e Europa, em 2023.

Petya Koeva-Brooks, vice-diretora do Departamento de Investigação do FMI, disse à Euronews, na semana passada, que estava surpreendida com o facto de as economias da zona euro se terem ajustado ao choque económico e que o FMI espera uma retoma do crescimento em 2024.

Mas enquanto a Europa evitou, globalmente, uma recessão generalizada, no ano passado, a inflação "permanece teimosamente elevada", segundo Alfred Kammer, o director do departamento europeu do FMI.

Numa conferência de imprensa, na semana passada, Kammer afirmou que embora os preços da energia tenham caído, "os preços de outras despesas domésticas continuam a aumentar a um ritmo acelerado" e que as perspectivas da Europa continuam a ser de "crescimento lento e inflação viscosa".

"Está em dois dígitos na maioria das economias europeias emergentes e em algumas economias avançadas", acrescentou.

O economista recordou que o problema maior advém do corte do gás russo, no ano passado, mas que não paralisou a economia euroepeia como se chegou a temer. "Isso teria levado a uma grande recessão na Europa", referiu.

O baixo crescimento previsto para 2023 deve-se aos efeitos da guerra e da crise energética e embora se preveja um declínio da inflação, os valores ainda estarão acima do desejado pelo Banco Central Europeu até ao final de 2024.

Situação não ficará descontrolada

Kirkegaard, por sua vez, continua otimista, dizendo que espera mais um ou dois aumentos da taxa de juro do Banco Central Europeu, seguidos de um regresso à "normalização monetária ou da inflação".

O analista acrescentou que as economias da UE ainda não sentiram o impacto total da atual política monetária do BCE, que funciona com atraso.

A demografia pode, também, desempenhar um papel baixa da inflação nas economias avançadas, j+a que o envelhecimento da população leva a um decréscimo da procura.

"Penso que não vamos ter uma inflação descontrolada na Europa. Mas num país como os Estados Unidos, por exemplo, penso que será difícil para a Reserva Federal voltar às taxas de juro de 2%. Estou muito mais otimista na Europa, Japão e outros países que estão a envelhecer rapidamente", disse.

A atual crise do custo de vida também reduziu, consideravelmente, o poder de compra dos consumidores e levou a greves e protestos sobre os salários.

"É importante reconhecer que, em 2022, em média, em toda a Europa, tivemos o maior declínio no poder de compra das úktimas décadas", disse Kirkegaard.

"Não devemos recear que os trabalhadores queiram salários mais elevados, porque temos visto na zona euro, nos últimos anos, lucros empresariais muito fortes, o que também verdadeiro nos Estados Unidos. Portanto, fazer uma redistribuição dos proprietários do capital para os trabalhadores através de salários reais mais elevados é apropriado", acrescentou.

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