Oxfam: Cinco homens mais ricos do mundo duplicam fortunas desde 2020

Um graffiti com a inscrição "Taxar os ricos" na fachada do Banco Nacional Francês durante uma manifestação na quinta-feira, 13 de abril de 2023, em Paris.
Um graffiti com a inscrição "Taxar os ricos" na fachada do Banco Nacional Francês durante uma manifestação na quinta-feira, 13 de abril de 2023, em Paris. Direitos de autor AP Photo/Lewis Joly
De  Gregoire LoryIsabel Marques da Silva (Trad.)
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Artigo publicado originalmente em inglês

Os cinco homens mais ricos do mundo duplicam as suas fortunas, revelou, segunda-feira, a Oxfam. A concentração do poder das empresas e dos monopólios a nível mundial está a contribuir para o agravamento das desigualdades, segundo o relatório da organização não-governamental.

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Os cinco homens mais ricos do mundo mais do que duplicaram as suas fortunas desde 2020, enquanto os 60% mais pobres perderam dinheiro, de acordo com um relatório da Oxfam divulgado, esta segunda-feira, em Davos (Suíça), onde decorre o Fórum Económico Mundial (FEM).

De acordo com dados da empresa de investigação Wealth X, a riqueza combinada de Elon Musk, Bernard Arnault, Jeff Bezos, Larry Ellison e Mark Zuckerberg - os cinco homens mais ricos do mundo - aumentou em 423,8 mil milhões de euros (464 mil milhões de dólares), ou 114%, desde 2020.

Estes milionários ganharam muito dinheiro, muitas vezes graças aos lucros extraordinários das empresas monopolistas que possuem.
Chiara Putaturo
Delegação da Oxfam para a UE

No mesmo período, os 4,77 mil milhões de pessoas mais pobres do mundo perderam 0,2% em termos reais da sua riqueza.

A riqueza destes multimilionários está a crescer três vezes mais rápido do que a taxa de inflação. Mas quase cinco mil milhões de pessoas ficaram mais pobres nos últimos três anos. Erradicar a pobreza mundial demorará pelo menos 230 anos, segundo as estimativas da Oxfam.

"Estes milionários ganharam muito dinheiro, muitas vezes graças aos lucros extraordinários das empresas monopolistas que possuem. Mas, também, usam a sua influência para que o sistema económico continue a florescer tal como é, para se favorecerem cada vez mais”, disse, à Euronews, Chiara Putaturo, Conselheira sobre Desigualdade e Política Tributária na delegação da Oxfam para a União Europeia (UE), em Bruxelas.

Impostos corporativos em quebra

Segundo a Oxfam, as receitas dos impostos sobre as sociedades caíram de 32,2%, em 2000, para 21,5% em 2023, beneficiando as multinacionais. É por isso que a organização defende o princípio de um imposto sobre os multimilionários.

"Estimamos que um imposto europeu sobre a riqueza dos multimilionários - as pessoas mais ricas da UE, e não da classe média - traria receitas de quase 290 mil milhões de euros. Isso equivaleria a 40 % do dinheiro do fundo de recuperação da UE (pós-Covid-19", afirmou Chiara Putaturo. 

A ONG propõe, também, estabelecer um limite máximo para os rendimentos dos multimilionários, regular os lucros e condicionar a ajuda pública.

De acordo com o relatório, sete das dez as maiores empresas do mundo têm como diretor-executivo ou principal acionista um multi-milionário. A rede estima que seriam necessários 1200 anos para que uma trabalhadora dos setores social ou da saúde ganhasse o mesmo que um diretor-executivo das maiores empresas ganha, em média, num ano.

As pessoas que constituem o 1% mais rico do mundo detém 43% de todos os ativos financeiros globais  e emitem tantas emissões de carbono poluentes, a nível global, como os dois terços mais pobres da Humanidade.

As pessoas mais ricas do mundo são todas homens e, a nível mundial, os homens possuem mais 95,9 biliões de euros (105 biliões de dólares) de riqueza do que as mulheres.

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