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Resultados da Netflix superam estimativas, mas persistem riscos no crescimento de subscritores

Arquivo. Letreiro da Netflix no topo de um edifício em Los Angeles, a 18 dez. 2025, com o letreiro de Hollywood ao fundo
ARQUIVO. Letreiro da Netflix no topo de um edifício em Los Angeles, a 18 dez. 2025, com o letreiro de Hollywood ao longe. Direitos de autor  AP/Jae C. Hong
Direitos de autor AP/Jae C. Hong
De Euronews with AP
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Resultados da Netflix superam estimativas, mas persistem riscos no crescimento de subscritores

Netflix encerrou o ano passado com mais um desempenho financeiro sólido, embora tenha alertado para possíveis nuvens no horizonte, sobretudo ligadas ao acordo proposto com a Warner Bros Discovery.

Os resultados do quarto trimestre, anunciados na terça-feira, superaram as estimativas dos analistas de Wall Street, mas o relatório da Netflix também assinala que o serviço de vídeo terminou o ano com mais de 325 milhões de subscritores no mundo. Desde 2024, isso significa que a empresa adicionou cerca de 23 milhões de subscritores.

O aumento de 2025 assinalou uma forte desaceleração face aos 41 milhões de clientes ganhos em 2024, alimentando receios dos investidores de que o crescimento da Netflix terá atingido o pico desde a introdução, em 2022, de uma versão de baixo preço com publicidade, que provocou um forte salto de subscritores.

A administração também antecipou um lucro para o período de janeiro a março abaixo das previsões dos analistas e anunciou que a Netflix deixará de recomprar ações próprias enquanto tenta concluir o acordo com a Warner Bros.

Apesar de se esperar que as receitas de publicidade dupliquem, a Netflix projetou que o crescimento das receitas abrande de 16% em 2025 para 12%-14% este ano.

“No conjunto, isto aponta para um início de ano desafiante”, disse o analista da Investing.com Thomas Monteiro.

As ações da Netflix caíram mais de 5% na negociação após o fecho, apesar de o lucro e as receitas do último trimestre terem superado as previsões. A empresa ganhou 2,4 mil milhões de dólares (2,05 mil milhões de euros), ou 56 cêntimos por ação, uma subida de 29% face ao ano anterior. As receitas aumentaram 18% em comparação com o ano anterior, para mais de 12 mil milhões de dólares (10,24 mil milhões de euros).

A plataforma acrescentou que os custos de conteúdos vão subir cerca de 10% em 2026, com um crescimento mais forte na primeira metade do ano devido ao calendário de lançamentos. Espera 275 milhões de dólares (234,57 milhões de euros) em custos adicionais em 2026 ligados à aquisição da Warner Bros.

Batalha pela Warner

A guerra de ofertas pela Warner deu outra volta na terça-feira, quando a Netflix converteu a proposta inicial, que incluía um componente em ações, num acordo totalmente em numerário. A medida visa simplificar o processo de aquisição e tornar mais fácil aos acionistas da Warner resistirem às investidas do concorrente Paramount.

Apesar de a Warner Bros ter reiterado o compromisso de fechar o acordo com a Netflix, a Paramount não dá sinais de recuar e poderá ainda melhorar a proposta concorrente.

No início do mês, a Paramount disse aos acionistas que iria nomear administradores para o conselho da Warner para votar contra a aprovação do acordo com a Netflix, além de avançar com uma ação judicial para forçar uma divulgação mais detalhada do negócio.

O co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, pareceu lançar um aviso à Paramount durante a conferência telefónica de terça-feira, ao recordar como enfrentou rivais como a Walmart e a agora extinta cadeia de videoclubes Blockbuster nos tempos em que a empresa alugava DVDs por correio. “A concorrência não nos é estranha e a mudança também não”, disse Sarandos.

Para além de ter de enfrentar a Paramount, a Netflix terá ainda de convencer os reguladores norte‑americanos de que adicionar a HBO a um serviço de streaming com o maior número de subscritores no país não irá travar a concorrência nem fazer subir os preços.

A incerteza tem-se refletido no preço das ações da Netflix, que caiu 20% desde que o acordo com a Warner Bros Discovery foi revelado no mês passado. É uma nuvem que deverá pairar sobre a Netflix durante grande parte do ano, já que a empresa não espera concluir a compra antes de a Warner separar o negócio de televisão por cabo, um processo que deverá demorar entre seis e nove meses.

“A decisão de avançar com um acordo totalmente em numerário mostra o quanto a Netflix quer o prémio, mas os acionistas irão esperar que esse mesmo desejo conduza a uma nova contraproposta da Paramount Skydance e, potencialmente, a mais algumas rondas nesta guerra de ofertas”, disse Danni Hewson, responsável pela análise financeira na AJ Bell.

“É aí que as coisas podem complicar-se para a Netflix. Não quer pagar demais, mas também não quer ser ultrapassada nesta corrida pelo domínio de conteúdos.”

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