Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Espanha e Portugal crescem ao dobro do ritmo da zona euro: porquê?

Arquivo. Pessoas dançam no Mercado de San Fernando, em Madrid, Espanha, domingo, 20 de abril de 2014.
Arquivo. Pessoas dançam no Mercado de San Fernando, em Madrid, Espanha, domingo, 20 de abril de 2014. Direitos de autor  AP
Direitos de autor AP
De Piero Cingari
Publicado a
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

Economias ibéricas superam congéneres europeias, sustentadas por procura interna robusta e indústrias dinâmicas

Espanha e Portugal voltaram a destacar-se entre as economias com melhor desempenho da zona euro no último trimestre de 2025

Ambos os países ibéricos registaram uma expansão de 0,8% no trimestre, mais do dobro da média da zona euro, de 0,3% no mesmo período, segundo estimativas preliminares do Eurostat.

Espanha registou a maior expansão económica num ano, com o produto interno bruto (PIB) a subir 0,8% no quarto trimestre face aos três meses anteriores.

Uma melhoria face aos 0,6% do terceiro trimestre e superior às estimativas de 0,6%.

No conjunto de 2025, a economia espanhola cresceu 2,8%, um contraste acentuado com a média de 1,5% da zona euro. Coloca ainda o país bem à frente de pares maiores como a Alemanha, que avançou apenas 0,4%, e a França, que registou um crescimento anual de 1,1%.

Na economia espanhola, a procura interna voltou a ser o principal motor do crescimento.

O consumo das famílias subiu 1,0% no trimestre, contribuindo de forma significativa para o crescimento. O investimento aumentou 1,7%, enquanto a despesa pública se manteve globalmente estável, com um ligeiro aumento de 0,1%.

O turismo continua a desempenhar um papel-chave no apoio à atividade dos serviços em Espanha, que cresceu 0,8% no trimestre. A construção também contribuiu de forma assinalável, com a produção a aumentar 2,1%. A descida dos preços da energia e o abrandamento da inflação ajudaram a sustentar a confiança dos consumidores e incentivaram a despesa.

Portugal também cresceu 0,8% no último trimestre, repetindo o desempenho dos três meses anteriores e acima da previsão do mercado de 0,5%.

No conjunto de 2025, a economia portuguesa cresceu 1,9%. Embora seja ligeiramente inferior aos 2,1% registados em 2024, mantém-se bem acima da média da zona euro.

Mas a composição do crescimento foi diferente da do vizinho ibérico.

A economia portuguesa foi impulsionada sobretudo pela melhoria da balança comercial. Uma forte queda das importações, em particular de produtos petrolíferos, ajudou a compensar a menor procura interna e deu um impulso positivo à atividade.

Crescimento continua desigual na zona euro

Apesar do melhor desempenho de Espanha e Portugal, o quadro geral na zona euro mantém-se heterogéneo.

A zona euro registou um crescimento trimestral de 0,3% no último trimestre, em linha com o resultado do trimestre anterior e ligeiramente acima das expectativas de 0,2%.

Entre os Estados-membros com dados disponíveis, a Lituânia registou a maior expansão trimestral, de 1,7%, seguida de Espanha e Portugal.

A Irlanda foi o único país a contrair, com uma queda de 0,6% face ao trimestre anterior.

Em termos anuais, a economia da zona euro cresceu 1,5%, acima dos 0,9% de 2024, mas o ímpeto deverá abrandar para 1,2% em 2026, segundo projeções da Comissão Europeia.

Entre as maiores economias, a Alemanha cresceu 0,3% em cadeia, o melhor resultado em três trimestres, à medida que o consumo das famílias e a despesa pública aumentaram.

A Itália também acelerou ligeiramente para 0,3%, enquanto a França registou um aumento modesto de 0,2%, condicionada por um investimento mais fraco e pela dinâmica das existências.

"O crescimento do PIB italiano foi inferior ao de Espanha, em linha com o da Alemanha e ligeiramente acima do de França", afirmou Nicola Nobile, economista-chefe para Itália na Oxford Economics, numa nota.

"O número de hoje, embora em aceleração face ao trimestre anterior, não altera a ideia de uma economia a crescer em linha com a sua limitada taxa de crescimento potencial", acrescentou.

A União Europeia cresceu 0,3% face ao trimestre anterior, em linha com a evolução trimestral da zona euro. Em termos anuais, a UE expandiu-se 1,6%, ligeiramente acima da zona euro.

Mercado de trabalho continua a ser ponto forte

Apesar do desempenho económico desigual, o mercado de trabalho na zona euro continua a dar sinais de melhoria.

A taxa de desemprego desceu para 6,2% em dezembro, o nível mais baixo desde o início de 2008. Baixou face aos 6,3% de novembro e ao mesmo mês do ano anterior.

No conjunto da União Europeia, a taxa de desemprego manteve-se estável em 5,9%. O Eurostat estima que 10,8 milhões de pessoas estavam desempregadas na zona euro no final do ano, menos 61 mil do que em novembro.

O desemprego jovem também recuou ligeiramente. A taxa de desemprego dos menores de 25 anos na zona euro baixou para 14,3% em dezembro, face a 14,4% no mês anterior.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

Democratas e Casa Branca chegam a acordo sobre gastos para evitar paralisação do governo

Ouro pode subir mais, mas estará exagerado o seu estatuto de ativo refúgio?

Turistas em Roma terão de pagar para ver a Fontana di Trevi de perto no próximo ano