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Europa enfrenta choque energético da guerra com o Irão: gás quase duplica de preço

Arquivo - A unidade flutuante de armazenamento e regaseificação 'Hoegh Esperanza' está ancorada na inauguração do terminal de GNL em Wilhelmshaven, Alemanha. 17 dez. 2022
Arquivo – Unidade flutuante de armazenamento e regaseificação «Hoegh Esperanza» fundeada na abertura do terminal de GNL em Wilhelmshaven, Alemanha, 17 dez. 2022 Direitos de autor  AP Photo/Michael Sohn, pool
Direitos de autor AP Photo/Michael Sohn, pool
De Doloresz Katanich
Publicado a Últimas notícias
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Sobe o preço do gás na Europa com as tensões no Médio Oriente a perturbarem os fluxos energéticos e a alimentarem receios de falta de GNL; analistas alertam que custos grossistas podem chegar às faturas e travar a economia.

Os preços do gás continuaram a disparar na Europa esta terça-feira, depois dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão agitarem os mercados energéticos globais e reacenderem receios de um choque prolongado.

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“Isto desencadeou receios imediatos de menor disponibilidade de gás natural liquefeito (GNL) para a Europa, provocando uma corrida nos mercados spot e o aumento dos prémios de risco”, afirmou Yousef M. Alshammari, presidente do London College of Energy Economics, à Euronews Business.

O contrato de referência do gás na Europa, o neerlandês TTF, negociou acima dos 60 euros por megawatt-hora (MWh) por volta das 12h30 (hora de Bruxelas) desta terça-feira, uma subida significativa face aos valores na casa dos 30 euros no final da semana passada.

“A situação continua extremamente volátil, com os mercados a incorporarem um nível elevado de incerteza”, acrescentou Alshammari, sublinhando que os fluxos de GNL provenientes do Qatar, o transporte pelo estreito de Ormuz e os esforços diplomáticos podem alterar os preços de forma significativa.

Europa: perspetivas

Para a Europa, a grande questão é saber como é que um novo choque energético poderá afetar uma recuperação já frágil e um sistema de abastecimento que continua mais exposto a ruturas do que antes de 2022.

O continente foi saindo gradualmente da crise desencadeada pela invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, reduzindo drasticamente a dependência do gás russo por gasoduto e substituindo-o por GNL transportado por via marítima.

Esta mudança ajudou a estabilizar o aprovisionamento, mas também tornou a Europa mais dependente das rotas marítimas globais, dos carregamentos spot e dos terminais de importação, elementos que podem ficar rapidamente sob pressão quando as tensões geopolíticas aumentam.

O Qatar é uma peça-chave desse mix, fornecendo cerca de 12 a 14% das importações de GNL da Europa, o que leva os operadores a acompanhar de perto o Golfo e os seus pontos de estrangulamento à procura de qualquer sinal de que os fluxos possam ser reduzidos.

“A Europa é muito menos dependente do petróleo e do GNL do Golfo do que a China, a Índia, o Japão ou a Coreia do Sul, mas não está imune”, conclui um relatório do Bruegel, um think tank sediado em Bruxelas.

Qualquer bloqueio do estreito de Ormuz poderia provocar de imediato disparos de preços nos mercados globais de petróleo e de GNL, atingindo a Europa apesar das importações diretas relativamente limitadas da região, já que o bloco compete com compradores asiáticos por carregamentos flexíveis no mercado spot.

O think tank alertou que a subida dos preços poderá ocorrer numa altura em que a Europa iniciou 2026 com níveis de armazenamento de gás inferiores aos dos últimos anos.

Atualmente, as reservas de gás da UE estão cerca de 30% cheias, abaixo do nível do ano passado. Na Alemanha, os armazenamentos rondavam os 21,6% no final de fevereiro, enquanto em França se situam também na casa dos 20%.

Alshammari afirmou que não se pode excluir uma subida significativa dos preços ao consumidor final, dependendo da “duração e gravidade de quaisquer restrições de abastecimento”.

“Se as perturbações atuais se prolongarem durante semanas ou meses, poderemos assistir a uma repercussão significativa nas faturas de energia das famílias”, disse.

No entanto, muitos agregados familiares e pequenas empresas têm tarifas fixas ou reguladas que são ajustadas com atraso, o que significa que qualquer choque de preços tenderá a fazer-se sentir ao longo dos próximos meses, e não de imediato.

Alertou ainda que um preço sustentado acima dos 50–60 euros/MWh poderá traduzir-se em aumentos significativos das contas de eletricidade e aquecimento, sobretudo se coincidir com uma vaga de frio tardia ou com nova pressão para encher as reservas antes do próximo inverno.

Quem está mais exposto

Um período prolongado de preços elevados penalizaria fortemente as indústrias intensivas em energia, como os setores químico, de fertilizantes, siderúrgico, do vidro e da produção de papel.

Países como a Alemanha, Itália e Países Baixos poderão ver a sua competitividade degradar-se ainda mais, o que pode levar a cortes de produção ou ao encerramento de fábricas, indicou Alshammari.

Os agregados de baixos rendimentos, sobretudo na Europa Central e de Leste – incluindo Polónia, Chéquia e Hungria – bem como nos países do sul, como Itália e Espanha, poderão também estar vulneráveis devido a uma maior dependência do gás para aquecimento e cozinhar e a um parque habitacional menos eficiente do ponto de vista energético.

As pequenas e médias empresas em todo o continente poderão enfrentar dificuldades, por não disporem da mesma capacidade de cobertura nem do poder negocial das grandes corporações.

Os governos poderão ter novamente de ponderar medidas de apoio direcionadas para proteger os consumidores mais vulneráveis, concluiu Alshammari.

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